terça-feira, 13 de janeiro de 2015

UM TIRO NO CORAÇÃO

Eu já fui carregado nos braços, nos ombros e no coração, mas nas costas 
ninguém me levou ou eu carreguei ninguém.  Tem vez que tentam fazer de mim um cara mais fraco do que sou e por isso me fazem de gato e sapato e como eu lhes dou as costas me chutam a bunda e riem de mim. Assim é a humanidade, paradoxal. As pessoas escolhem seus alvos para se mostrarem bons atiradores, mas se esses alvos, antes do primeiro disparo caírem em sofrimento com uma doença desconhecida, por incrível que possa parecer esses mesmos atiradores se envolvem na causa e sem medir esforços se doam, se entregam como os americanos se doaram aos vietcongues depois da guerra,  e fazem isso de tal maneira que se tornam em mais um Charles entre muitos que fizeram questão de trocar o próprio nome. Eu não posso deixar de falar na histórica França que nas ruas colocou o que tinha de melhor na presidência e nos seus ministérios e com esse gesto viu formar a corrente humana com presidentes, príncipes e reis de países que se deram os braços em elos reforçando a corrente da indignação. Tal seriedade para a morte de alguns trabalhadores da imprensa calou a boca brasileira que tem seu povo mal tratado pela governança que não se comoveu com meia dúzia de gatos pingados que, em passeata como a de junho passado, sofreu com a infiltração de mascarados, paus mandados. 
Tive muita vontade de ofertar meus braços para fortalecer a corrente daquele milhão e meio de franceses e não franceses que, revoltados com a fé estremada de alguns que, em nome de Alá, não respeitam o deus dos outros. É duro ter que engolir o sapos que nos enfiam goela abaixo sem uma bebida para companhar, é duro ter que aceitar na tua trincheira um amigo que vai esvaziar o teu cantil  para te matar de sede. Dormir na tua cama para te ver mal na manhã seguinte e achar que te faz um favor enorme. Eu não bebo se o meu amigo não saciou a sua sede e só me deito em sua cama se ele se deitou primeiro.
Tem vez que você fica triste e não sabe por que motivo. Eu me sinto assim não faz muito tempo, mas também não sei, ou acho que não sei por que.