sábado, 17 de janeiro de 2015

Não se conquista uma pessoa para que fale de suas dores, mas para que nos ouça falar das nossas.

Quando se descobre a felicidade a gente deve escondê-la dos olhares cobiçosos, 
dos despeitados e invejosos, para proteger na integridade essa tal felicidade, enquanto se deita e se rola na quase impossível leveza do ser. Eu me tranquei com os meus segredos e lutei para que as pessoas mais ligadas a mim se resguardassem dos amigos que hoje lhes são fiéis, mas que, por um desentendimento bobo numa hora imprópria pode se tornar um inimigo mordaz. Não que ele nos vá morder ou matar, mas matará os novos e maravilhosos momentos que poderíamos compartilhar. Certa vez uma das minhas amigas, que já algum tempo andava triste, resolveu me contar sua vida. Começou por falar dos seus risos e de suas boas intenções para com os menos favorecidos pela sorte, mas quando deu pinta de querer falar de suas intimidades mais sofridas eu lhe pedi que parasse. Perguntei se havia necessidade de se expor divulgando suas mazelas e engrandecendo aqueles que a esculachavam. Continuei com o meu discurso para concluir dizendo que os amigos sinceros não precisam saber dos seus problemas e dos momentos que passou em sofrimento, já que ninguém nos adota como amigo pra nos ajudar, mas para ter onde chorar suas mágoas ou morrer de tanto rir. Essa minha amiga confessou que já tinha falado sobre esse assunto com uma outra pessoa que eu nem sabia que se conheciam. Diferente de mim sua amiga fez questão de ouvi-la. Foi nesse momento que eu percebi que no diálogo entre elas, somente uma dizia a verdade e por isso chorava suas pitangas, enquanto a outra só se engrandecia. Só falava o que lhe era favorável. É claro que um amigo fala para o outro o que se passa em sua vida, mas ele, no entanto, precisa entender também que só ouvirá em resposta o que o amigo acha que ele merece ficar sabendo e isso não obriga a ninguém dizer a verdade, somente a verdade. Na dúvida, está na cara, o pregador vai dizer aquilo que, numa eventualidade, lhe trará menos problema. 
Se depois de ouvir o que falei você ainda quiser me contar a sua história, ponha-se à vontade.