terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ATRAVÉS DA JANELA.

Da minha sacada eu admirava a cidade que  aos poucos se preparava para dormir. 
Desviando os olhos para a casa em frente, vi, através da janela de um dos quartos duas adolescentes conversando. Nada de mais, pensava eu que há muito vivia nessa cidade onde varandas debruçam sobre salas de jantar ou até sobre os quartos dos prédios vizinhos, como nesse caso, e como eu já estava acostumado não atentei para o que as duas pudessem estar fazendo, por isso continuei olhando as luzinhas das casas se acendendo na mesma proporção que as estrelas piscavam como se pretendessem namorar a lua. A penumbra da minha varanda escondia o meu olhar que se tornou bisbilhoteiro quanto uma das garotas se pôs de pé puxando a saia para acima da cintura de maneira que a outra, afastando a parte da calcinha deixasse livre a virilha e ali, na junção do ventre com as coxas, depositasse um beijo que de tão demorado parecia não ter hora para acabar. 
 Esta cena pôs fim a magia do entardecer que aos poucos ia dando vez a noite quando o pirilampejar das luzes das residências e das estrelas me mostrava a magia que só na serra onde moro, é capaz de acontecer.  As jovens, no entanto, pretendiam desvendar os mistérios do sexo antes da hora e se fosse com homem ou com mulher, parecia não importar muito. Achavam que fazer a hora e não esperar por acontecer seria mais viável, enquanto eu, calejado que sou, esperava no alpendre pelos milagres que as noites estreladas costumavam me proporcionar. O quadro produzido pelas garotas poderia ter sido o grande momento do qual jamais me esqueceria, mas juro que a escolha do elenco que elas fizeram para criar a cena não foi muito feliz o que teria cegado os meus olhos e confundido os meus sentidos.