quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TRISTEZAS DO JECA.

Eu não acredito que os  nortistas e os nordestinos, os desinformados e os que lucram 
com o, "quanto pior, melhor", tivessem a coragem de matar o sonho da metade dos brasileiros, como também não tenho certeza de que foi a maioria dessa gente  responsável por uma boa parte dos 40% dos votos do Sul, dos 54,94%  do Rio e dos 52,41% de Minas, que resultou no saque da arma, no engatilhar, no apontar e na ordem do fogo, cujo tiro certeiro feriu de morte o pobre trabalhador assassinado-lhe o sonho.
Talvez em  2026 eu, se  ainda estiver vivo, volte a votar. Isso se o Lula, que até lá continuará presidente, não incorporar o espírito do Chaves eternizando seu próprio mandato. Aí eu e o resto do Brasil votaremos, não em benefício próprio, mas como quem oferece a outra extremidade da vara na intenção de salvar aqueles que sucumbem no atoleiro.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

COMO RESPIRAR SE ME ROUBAM O AR?

     Durante uma boa parte de nossas vidas a politica vestiu com sobriedade a minha família, deu aos meus filhos os melhores colégios onde estudaram e se formaram e nos melhores restaurantes nos refestelamos de suas iguarias. Isso, sem falar nos carros que trocávamos a cada ano. Portanto, eu não deveria ter nada do que me queixar, mas chega um momento que a gente cansa com tanta hipocrisia. Pô, como pode um político, imbuído da decência e da moralidade, acusar os adversários partidários de fatos que não conseguem provar e só o fazem por ouvir falar? Eu já não tenho filhos menores, mas se os tivesse, juro que não os deixaria assistir a tais debates porque, segundo o que tenho escutado, nem travesti brigando pelo ponto com prostituta se rebaixa tanto. A certa altura do programa eu cheguei a penar que a candidata simularia um mal estar para fugir às ofensas de quem, em determinado momento deu a entender que fosse fraquejar, desistir das provocações sofridas, como fez a terceira colocada no turno anterior quando abaixou a cabeça diante dos algozes a quem respondia com projetos de sua autoria e que, por sinal, seriam muito bem-vindos por se tratar de projetos de relevância, já que ergueriam a cara do país, mesmo que pedir a colaboração do adversário fosse necessário, como nos tinha dito. Mas que nada. Quem deixou a sala onde o embate era mostrado, fui eu. Eu que já vi o bem se debatendo contra o mal e sucumbir. Já vi religioso enriquecer às custas de sofredores e jurar mãos limpas, sem as ter. Vi partido de esquerda dobrar a direita na direção do cofre-forte, assim como vi malfeitores coroados de louro em festa de agravados. Não sinto nenhuma alegria vendo o Brasil punido por ser criança. O que acontecerá quando for adulto, se chance de seguir o caminho da educação e da prosperidade não lhe é oferecida?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

VENTO QUE VENTA CÁ, NEM SEMPRE VENTA LÁ...

Eu fico sem jeito, não nego, de dizer que sou feliz.  De qualquer maneira seria 
uma cafajestada da minha parte negar que eu tenho a melhor família, o melhor emprego, uma ótima saúde e os amigos que alguém já pode desejar. Não digo, pelo menos em voz alta, que sou feliz porque não tenho como garantir que faço felizes aqueles que dizem me amar e se eu não os 
faço,  não devo me sentir. 
Nas bodas de ouro, por exemplo,  meu avô  bateu no peito falando, até com certa arrogância, que o casamento lhe trouxera toda a felicidade que tinha. 
O que adianta dizer isso se a minha avó permanecia de cabeça baixa e conservava o sorriso amarelo de sempre? Como não seria ele feliz se minha avó faz tudo o que ele gosta e o que ele quer? Será que a  vovó, assim como todas as pessoas que se descobriram fazendo as vontades do parceiro, são felizes, fingem ou não sabem o que é felicidade? Por isso eu fujo do assunto quando abordado, mas não nego, olhando nos olhos de cada amigo, de cada filho e da mulher que amo, que eu sou, sim, o mais feliz dos homens e poderia ser bem mais se eu tivesse a certeza que os faço felizes também.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O PREÇO DO VOTO.

      Eu jamais pensei acreditar que Jurema um dia pudesse se candidatar a uma vaga na política devido a introspecção que, diante de qualquer pessoa, a punha olhando os próprios pés. Desse tormento não tomei conhecimento que conseguira se livrar. Até andar sozinha ela evitava pra fugir do assédio dos rapazes e da possível inveja das garotas. Enfim o tempo passou mudando as coisas e as pessoas, e pelo visto, mudou muito aquela que mesmo não admitindo era a gata mais cobiçada pelos amantes do impossível cujo número era bem maior que o dos homens feitos para o casamento. E a certeza de sua candidatura encheu-me de curiosidade e alegria ao mesmo tempo.  A gente precisava ter no governo uma pessoa séria e determinada, como ela demonstrara nos tempos de faculdade.  E disso só fiquei sabendo quando Olga, amiga da minha filha mais nova, veio à nossa casa onde se comportou, não como uma pessoa de bem, mas como se fora criada por quem tentava fazer dela uma futura vagabunda. Eu, um cara maduro e com a vida bem resolvida, jamais teria vistas para qualquer mulher, principalmente uma menina que tinha idade pra ser minha filha. Olga, no entanto, provocava deixando os seios, miúdos como limão, à mostra ao se curvar, sem motivos, à minha frente. Foi preciso que eu lhe perguntasse o por quê, daquilo tudo. Se ela não tinha vergonha de se insinuar para um cara que podia ser seu pai, e se também não se acanhava de mostrar as calcinhas toda vez que se jogava na poltrona e cruzava as pernas diante de mim. Foi aí que ela, para meu espanto, disse que era filha de Jurema, minha colega dos tempos de faculdade que resolveu se candidatar à câmara dos deputados nas eleições passadas, por isso o seu empenho em provocar os eleitores para deles ter os votos que sua mãe necessitava, como disse ter seu pai aconselhado. Eu juro que ela me arrepiou com o que falou. Como um pai podia se tornar tão baixo a ponto de expor, como vinha expondo, a filha de quatorze anos a um mundo tão cruel e tão perverso? E a minha filha, qual o risco que corria ao lado de uma pessoa influenciada por um pai que me causava náuseas? Será que Jurema fazia parte dessa aberração ou o maluco com quem se casou seria o único malfeitor?
    -Não votamos na pessoa que certamente mudaria a política atual e enfeitaria com sua beleza esse lugar aonde dormem alguns lobos e certos vampiros.  Também não procuramos saber dela que viajara com a filha e o marido sem dizer para onde e por quanto tempo. Muito menos buscamos saber qual dos dois teria tido essa infeliz ideia e a que ponto chegaram para obter, felizmente sem sucesso, os votos que precisavam, mesmo dando em pagamento a filha que deveria ser para eles o bem mais precioso.  Quantos não teriam se aproveitado da fraqueza do casal para na garota criar um trauma de tamanha grandeza que nem todos os profissionais de psicologia juntos seriam capaz de resolver.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

NÃO DIGA, NÃO.

Quando chegares do trabalho não te jogues no sofá dizendo que estás cansado, 
que teu chefe não dá valor ao teu trabalho e os colegas não merecem a tua confiança.  Não digas que a vida é uma droga, que teus vizinhos são barulhentos e que teu filho só escolhe gente inferior para ser amiga. Não mudes de calçada se um estranho vem em tua direção.  Não digas oi quando for cumprimentado ou deixes de ajudar se não tiver platéia que te aplauda. Não comente o defeito de uma pessoas. Não reclames do preço se queres o melhor produto ou blasfeme contra um governo  empossado com a maioria dos votos. Não batas no teu filho com palmadas ou palavras, mas não deixes de convencê-lo da grandeza da humildade, mesmo que ele venha a ser o presidente da república, no futuro.  Não batas no teu neto dizendo que o amas. Não digas, não sei, se te perguntam por uma rua que tu nem sabias que existia. Busques informação e ajude a quem está perdido. Não desfaças uma relação antiga, se ela não te desmerece,  em detrimento de um príncipe encantado ou uma princesa vitoriana recém-chegado que jurar amor a primeira vista. Não deixes que a tua arrogância bata a porta atrás de ti se mudares para um emprego melhor. Não deixes de fechar os olhos quando beijar a tua companheira ao sair para o trabalho e quando dele regressar à casa. Dê flores para ela. Sorria de suas piadas, mesmo que sem graça, e não deixes de ficar um minuto que seja, sentado ao seu lado para ouvi-la e se o assunto não for do seu interesse, não sejas indelicado. Abra a porta do carro para o teu carona. Afasta-te com um sorriso para o zelador fazer o seu serviço. Passe a mão na cabeça de uma ou de todas as crianças ao teu redor. Acene à idosa na janela e ofereça ajuda aquele que precisa. Faças tudo aquilo que tu achas lindo alguém fazer, pois, na hora do teu descanso dormirás como um bebê, mesmo que não admitas que tudo o que fizestes, fizestes por ti e para ti, ou essa linha tênue que traça em tua boca o sorriso que te encanta o sono, não existiria.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

VOTAR PRA QUÊ?

Antigamente os candidatos a cargos eletivos prometiam 
aquilo que a população queria e quando eleitos simplesmente melhoravam alguns postos de saúde ou davam uma “guaribada” numa escola aqui e em outra ali enquanto os funcionários  responsáveis pela obra  recebiam bons salários. Isso, de certa forma, era justo. Hoje a coisa funciona  de maneira diferente e como os políticos sabem que o povo não mais aceita ser iludido, resolveram difamar os adversários para não perderem ou precisarem dividir com outros o poder que têm nas mãos. Quando um respeitoso cidadão ou cidadã indignado com as falcatruas  se arrisca  na política para justiçar o povo, logo alguém, da situação, o convida para uma  aliança, e caso não aceite um lado escuro do seu passado, se ele tiver, será mostrado na Internet infernizando a vida do pobre coitado, pois desacreditá-lo junto aos eleitorado é, para os que se veem ameaçados de perder a "boca", uma questão de honra.
 É nesses momentos que eu digo aos que me leem que o bem é frágil diante da monstruosa força que tem o mal.   
Nenhuma verdade se sustenta frente a uma mentira bem elaborada. 
Nenhuma nação verá o sonho ou o desejo de sua gente realizado se aqueles que têm o poder não desejarem. O povo, na sua maioria, sabe assinar o nome e ler certas palavras, mas daí a discernir sobre o que leu vai uma distância imensa.  
O professor que não recebe um bom salário não ensina bem aos que gostariam de aprender, e os que não aprendem, dão o pescoço ao cabresto que lhes é oferecido.  Quando um pedagogo e outros formados,  não importa em que área,  se empregam, o professor é o que receberá menor salário.  Estudar pedagogia para quê, se ao pedagogo não é dado o direito de lecionar para todas as séries do curso fundamental.  Para ministrar aulas da metade do curso em diante  é necessário ter licenciatura, pós-graduação, mestrado, doutorado ou tudo junto.  O governo, talvez por ser mal formado,  dificulta o aprendizado de sua juventude enquanto o professor que merece todos os incentivos é desestimulado com a miséria que recebe.  
Esperamos ver um dia o salário dos docentes e demais trabalhadores de nível superior no mínimo equiparados. Para isso será necessário uma inédita vontade política dos gestores públicos e da sociedade, como um todo.
Quem está no governo e pode mudar o quadro não muda e também não sai, e quem gostaria de ver a coisa melhorar, não tem como entrar para mudar.  Não é mesmo professor Cristovam Buarque?,  que também é engenheiro, economista, educador, professor universitário e senador e mesmo tendo tudo para virar a mesa, não recebeu os votos necessário quando se candidatou à presidência da república, ficando com 2% do total dos votos.  
 E assim, como diz o ditado, vai de cabeça baixa o boi, que não sabe a força que tem.