segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SERÁ QUE VALEU À PENA?

Aconteceu comigo um fato inusitado no momento em que nada dava certo em minha vida.
Eu até me cutuquei, belisquei, pedi que a mulher maravilhosa que me acompanhava naquela oportunidade me sacudisse, gritasse comigo e até chutasse a minha canela, mas como nada mudou coisa nenhuma concluí que não dormia. De fato o caso era real e não um sonho como eu achava, principalmente quanto ela, aquela maravilhosa, me tirou do corpo as roupas que eu vestia contrariando a lógica de ser eu quem as deveria tirar para esta exposição.  Assim que fiquei nu a moça lambeu-me por inteiro com uns olhos que de fome já morriam. Fez-me acreditar que já sabia o que fazer com esse que se prostrava à sua mercê, e, com requinte de cuidado me examinava detalhadamente o corpo sendo que nas partes cruciais agia com sofreguidão. A presença daquela moça era a garantia que ninguém, ali, ia falhar.  A maciez de suas mãos e o calor do seu olhar aquecendo o meu corpo arrepiavam-me os pelos. A certa altura do acontecimento eu, não resistindo mais a tudo aquilo, confesso  que gemi. Gemi um choro miúdo como um rato acuado pressentindo a morte.  Fiz, portanto, o que ela queria ou simplesmente imaginava. Virei e revirei da maneira que eu podia e que ela entendia. Fiz do jeito, não que eu gostaria, porém o mais indicado para o momento, pois foi pra isso que a  escolhi em meio a tantas que sabiam como fazer bem feito sem precisar  qualquer pergunta que originasse qualquer resposta. Não precisei pagar como se paga por este privilégio a não ser com a exposição das minhas intimidades que a poucas esse prazer eu dei. Entende-se que ela sabia tudo e mais alguma coisa a meu respeito por isso se deitava sobre o meu corpo como se deitam os enxadristas por sobre o tabuleiro  movendo com mão de mestre cada peça na sua vez até que um indiscutível xeque mate ela impôs a mim. Não suportando mais aquilo que sentia, gritei com todas as forças que me restavam impressionando os fortes.   Eu, que jamais pensei ficar tanto tempo com uma mulher naquele estado, me vi subjugado num período curto, porém especial, como aquele,  que mais parecia uma eternidade.
Graças a sua habilidade comprovada não careceu de mais tempo se era doutora na área de angiologia daquela clínica onde, com sutil eficiência me livrou da artéria morta que há tempos me
desconfortava a perna.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

FÉ DE MAIS.

Minha vizinha, já madura, reclamava da solidão em que vivia por isso se
permitiu ser paquerada por Jairo, colega de igreja e que arrastava asa por qualquer mulher que
não demonstrasse  interesse pelo seu dinheiro.
 Aos 64 anos ainda era solteiro, mas muito simpático e bastante parcimonioso com as moças com as quais se envolvia. Por isso nenhuma queria nada com ele que nascera, pelo que demonstrava,  para viver às custas de mulher. 
Cansada de dormir sozinha e sofrer com a ausência de um homem em sua vida, tratou de reforçar a fé que tinha na religião e pediu o admirador em casamento.
A festa aconteceu três meses depois do pedido.
Jairo, o noivo, que só entrou com o, desculpem a má palavra, pinto, para protagonizar a festa, foi morar na casa da sonhadora. O desespero da fiel era tamanho que se casou às pressas querendo matar a sede que já a consumia, mas, coitada... A fonte há muito havia secado e dela esconderam tal verdade. O sujeito gordo e bonachão com quem se casara só tinha de rijo a referência que davam dele. Talvez por não lhe faltar dinheiro tudo era resolvido do jeito que queria, só enrijecer o que precisa de sustentação num momento como aquele, que não.  
Com a grana do cara e a fé de Jesus a noite de núpcias da velhota com certeza seria uma maravilha, a mais bonita e mais farta de todas, mas o que fartou de verdade não foi da parte dela, mas da parte dele que não se importou com quem, encolhida num canto do próprio quarto chorava o pênalti que chutara para fora enquanto ele se refastelava na cerveja zero álcool, gelada, que ganharam. A mulherada precisava saber das notícias e tão logo a porta se abriu um gordinho sorridente trazendo uma bíblia  embaixo do braço  passou acenando com a intenção de ir à igreja aonde agradeceria  a bênção que Deus lhe dera. Já a mulher, pobre senhora, que há muito rezara por um momento cheio de intimidade e fantasia, fingia um sorriso às fofoqueiras que jogavam beijos com votos de felicidade na esperança de saber, com riqueza de detalhes, o  que teria rolado de prazeroso naquela  noite. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

É, ACHO QUE NÃO PROVEI NADA A NINGUÉM...

Vocês estão lembrado da loira que bateu na traseira do meu carro enquanto eu calibrava
os pneus? Pois saibam que eu fugi de sua casa sem nem mesmo me despedir e o pior é que não recebi o que ela, por lei, me devia.  Essa mulher, que tem todos os atributos que qualquer mulher  almejaria, tanto fez que acabou localizando  meu endereço, - certamente através da placa do meu carro -  aonde me encontrou.   Eu estava só em minha casa trabalhando quando, através da janela do 5° andar aonde moro, dei por ela vindo em direção à portaria do edifício. Jamais esqueceria aquela silhueta, só  não pudia adivinhar que um dia ela viesse me procurar.  Quando a campainha tocou meu coração acelerou, cantou pneu. Está na cara que minha mulher não gostaria nem um pouco de saber que na sua ausência eu recebi uma visita,  principalmente de uma mulher igual aquela, por isso resolvi não atender a campainha, mas quando começou esmurrar a porta eu tive de ceder,  O diabo que ainda morava em mim pedia, implorava que eu a puxasse para dentro, talvez achando que cruzasse as pernas tantas quantas fossem  as vezes necessárias e balançaria os seios que pareciam querer saltar pra fora do decote pra me provocar. Fato esse que me fez engolir em seco e para não piorar a coisa permiti que ela entrasse.  O diabo gargalhava no meu ombro junto ao meu ouvido enquanto doia a minha consciência. 

Descalçou-se dos sapatos e sobre a mesa deixou a bolsa e o par de óculos que usava. Soltou o cinto do vestido reclamando do calor que só ela sentia se o termômetro que era visto da minha janela marcava 17 graus. Pedi a ela enquanto que não se demorasse porque estava de saída, Ela tirava a meia de uma das pernas ao me garantir que tiraria, não só as meias, mas tudo, ficando nua como veio ao mundo se eu não a ouvisse.  Meu Deus o que eu poderia fazer numa hora dessas, o quê? E o diabinho rolava de rir ao passo que eu suava às bicas. 
Um certo detalhe no meu corpo não sabia se devia ou não se comportar.  Cada movimento com as pernas ou com os seios que a mulher fazia me dizia que não, enquanto o medo de arranhar a lisura do meu casamento me garantia que sim, que eu deveria me comportar.
 
-Sabe de uma coisa, leitores. Eu tenho uma amiga que numa hora dessas costuma dizer; 
"se não há como remediar o mal ligue o foda-se e deixa rolar". 
E foi o que eu fiz,  mas na hora de tirar a roupa pra fazer a besteira que vocês acham que eu seria capaz, a minha esposa puxou-me o edredom que me cobria e  me deixou do mesmo jeito que eu tinha ido com ela me deitar naquela noite, porém, muito mais excitado, como se excitado eu ficasse por qualquer mulher que não fosse a minha se não fosse sonhando.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O FÍGADO TEM QUE AGUENTAR...

Esses malucos são daquele tipo que topa tudo. Come e bebe de tudo e pra dormir não faz questão do tamanho da cama ou do lugar onde descansarão. Se tiver de virar o dia, viram. Se tiver de virar a noite não fazem doce para melar a calda de ninguém. São gente que merece fazer parte de qualquer família, frequentar qualquer recinto e andar com qualquer um.  Nada para eles é ruim ou lhes faz mal. Nada lhes é tão feio que não mereça da parte deles um comentário favorável.  Gente simples eu sei que são, mas se depender de gastar para fazer feliz os que amam, não se escondem, dão desculpas ou se omitem; chegam junto. Quando vão a igreja rezam, mas no carnaval são capazes de formar, só com eles, um bloco ou quem sabe, uma escola de samba. Poucas vezes não me permitiram ver o seu sorriso uma vez que onde quer que chegam é graça, festas e alegria.  Tenho, com eles, a oportunidade que poucos têm de demonstrar e viver as três personalidades que temos; se quero rir eu ouço piada de qualquer um, mas se quero a verdadeira, gostosa e bonita gargalhada, basta com eles falar de coisas alegres, contar histórias ou zoar a gente mesmo. De todos nós eu sou o mais experiente, mais esperto, mas vivido. Essa turma diz que tudo isso se concentra na soma dos anos que eu já vivi, ou seja, chamam, com muito respeito e bastante graça, esse cara que vos fala de vetusto, macróbio, ancião, idoso, velho, e o pior é que eu não me importo e até gosto, porque na hora de fazer força, escalar montanhas, caminhada pela mata, eu digo que ninguém considerado velho como eles dizem que eu sou aceita  tais convites. Enfim, esses caras estiveram em minha casa que por sinal é nosso ponto de encontro e desencontro na intenção de passar uns dias. Eu e a família  estávamos prontos para viajar a outro estado e não é que os caras foram com a gente. Lá se resolveu comer torresmo e beber cachaça  o que tornou a noite pequena para tais fins. Comer, beber, ouvir e contar casos leva tempo e tempo que nunca nos falta acabou se tornando pouco.
-Graças a Deus, a gente tem amigos desse quilate. Amigos que nos fazem bem, que nos querem bem e nada nos pedem de volta além, é claro, da verdadeira recíprocidade.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

BATE BOCA OU NA BOCA?


Eu sei que algumas mulheres, talvez por não serem tão exigentes, me olham
com olhares desejosos da mesma maneira como sei que alguns homens olham para aquela que me acompanha.  Tem vez que o olhar que me enche de orgulho é o mesmo que me envergonha, principalmente se estou com minha companheira. Do alto da minha vaidade, dependendo do jeito como sou olhado,  eu incho como um gato quando  acarinhado. Do mesmo jeito percebo o olhar dos rapazes apontando na direção errada, quer dizer, na direção do que não lhes pertence, senão a mim. Eu finjo que não vi e me calo quando tal fato acontece, mas me chateia da mesma forma como as mulheres chateiam a minha com seus excessos.  Ontem, no restaurante que escolhemos para jantar, a  minha convidada demonstrou interesse em trocar de lugar comigo. Ela ficou aonde eu me sentava e eu aonde ela estava e só então pude ver  uma pessoa que não respeitando a garota com quem jantava debruçou seu olhar pra sobre a minha com desejos libidinosos.
Terminado o jantar que foi ótimo, por sinal, e saímos, mas não sem antes saborearmos a sobremesa e o café.
-Eu tenho um filho, como você deve ter seu marido ou pai que sai no calço do irresponsável e o chama às falas. Olhar para a sua mulher, pode. Desejá-la, também, mas é preciso ser discreto. Daí a se tornar inoportuno, vai uma  grande distância.
-Tem gente que bate e outra que até apanha por isso, se é que cobiçar a mulher do próximo deixou de ser um dos pecados capitais para se tornar apenas isso, como falei.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ENFIM PROVEI QUE ERA MACHO...

Eu calibrava os pneus quando uma loura, não sei por que cargas d’água, deixou seu 
carro escorregar quebrando a lanterna traseira do meu com a batida.  O engraçado é a bruaca, como diz  minha avó,  nem se deu ao trabalho de apear para ver o acontecido.  Aonde é que a senhora estava com a cabeça pra fazer essa EME? Perguntei olhando por sobre seus óculos escuros.  -Desculpa, disse-me ela, esqueci de puxar o freio. Felizmente ninguém se machucou, concluiu com ar de zombaria. 
-Ah, se não fosse ela uma mulher... 
-Ah, se não fossem dela o par de seios que mal cabem na blusa que os guarda e que me enchem os olhos de desejo. 
-Ah, se ela não tivesse aquelas pernas com dois dedos de saia que nem para cobrir a calcinha serve  e nem por isso morre de vergonha ...  
- Quanto acha o senhor que custa essa lanterna? Perguntou enquanto se virava pra pegar a bolsa no banco de trás. Movimento esse que deixou à mostra, não só um par de belas coxas, como a tatuagem na virilha muito perto da entrada do pecado. O que a imagem tatuada representa eu não sei, mas do meu estado só eu sei e me dou conta. 
 -O senhor procura uma oficina e leve o orçamento  a  este endereço, mas ligue antes para não perder sua viagem. Disse-me puxando os óculos para baixo, no nariz e nos meus olhos enterrando os dela.  Deu-me um sorriso enquanto manobrava e foi embora sem calibrar os pneus como parecia ser sua intenção. E eu? Perguntariam vocês. Como é que eu fiquei nessa história? Bem, eu fiquei com a mesma cara que vocês estão agora, ou seja, bobo, bobo, olhando o carro dobrar a primeira esquina. Só então olhei o endereço escrito no verso do cartão; Rua Machado de Assis, 5. Flamengo, Rio de Janeiro.  Era o mesmo endereço onde eu morava na minha juventude. Era uma casa antiga, porém bem cuidada onde eu fui muito feliz.  
Com o orçamento da concessionária de Botafogo em mãos liguei para Janaina que escolheu a hora do encontro.  Toquei a campainha três vezes até que a porta foi aberta. Janaína já não tinha os óculos que separasse os seus olhos dos meus.  Não calçava os sapatos de salto alto, como também não tinha nada, pelo que pode ver, por baixo do roupão de banho. 
-Entre!
- Falou-me enxugando os cabelos.
 Mandou-me sentar e fez o mesmo numa poltrona a minha frente.  A cada movimento seu o meu corpo respondia com um arrepio. O tesão era tamanho que não sabendo mais como resistir a ela atirei-me de joelhos a seus pés e implorei, pedi com veemência que me pagasse o que achava que devia porque eu já não aguentava mais e para não fazer uma besteira optava por ir embora, fugir, sumir dali, pois sou casado e muito feliz com a mulher que escolhi para ser minha e por isso até fiz um pacto de fidelidade que cumprirei custando o que custar, mesmo que os meus amigos, tomando conhecimento do caso, venham a me sacanear.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PROMETEU E CUMPRIU...

Infelizmente não pude estar com ele na cirurgia daquela tarde, mas o bicho que dizia 
ter goela grande e que nada a ele metia medo, não foi capaz de engolir os tubos que o anestesiologista a qualquer custo queria, goela abaixo, enfiar nele. A turma que torce contra disse que os médicos empurraram daqui, forçaram dali e nada da mangueira entrar. Digo mangueira porque não parecia ser outra coisa já que adentrar às profundezas daquele pescoço grosso não foi possível.  Por isso eu digo que era, sim, uma mangueira, e dessas com as quais se apaga  incêndio.  Os doutores, coitados, cansados, extenuados, de língua pra fora resolveram aplicar na veia do pobre diabo uma dose dupla, e sem gelo, de adrenalina até que voltasse ao estado que estava antes dando por encerrado as estafantes tentativas. Aos que ali se fizeram presente  com suas bíblias e sua fé debaixo do braço, como também os que se mantiveram distantes, mas torcendo por qualquer notícia, não importando qual fosse, foi mostrada uma pessoa que já não era a mesma de quem eu falo, pois o sangue na boca e no nariz, fora o pálido do seu estado, desfigurava  o sujeito que  de tão forte sangrava e não morria. 
Estirado como uma banda de porco abatido o sujeito foi trazido de volta ao quarto prendendo entre a cabeça e a maca um atestado que a ele permitia voltar à casa, como voltou,
20 minutos mais tarde.
Por falta de uma ferramenta os médicos desistiram para não magoar suas pregas vocais, sua
traqueia e o caminhos por onde sai a voz e entram o ar e os alimentos.
Agora está lá, de papo para o ar. A noite conta as estrelas e de dia tenta ouvir o que ele acha que o vento tem para dizer. Isso, enquanto não o chamam para fazer o que antes não conseguiram e quando tal coisa acontecer, certamente que lá eu não estarei, até porque, o cara é duro pacarai e não vai ser um par de médicos batendo cabeça, um anestesiologista, um patologista, que nome desgraçado, e algumas enfermeiras curiosas com aquilo tudo a sua frente, que vão dobrá-lo.
Tamo junto, amigo. Em breve arranjarei umas desculpas para justificar a minha ausência e depois vou visitá-lo porque você é o cara que mais preso, como diz a minha avó.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

ELE VAI, MAS PROMETE QUE VOLTA.

Hoje é terça-feira, 26 de agosto de 2014. Faz, portanto, 45 dias que fui informado da cirurgia 
do cara que finalmente será levada a cabo na próxima quinta-feira e que ele, o cara, deverá se internar um dia antes, nesse caso, amanhã, 27.  O pessoal aqui de casa como os seus poucos amigos  têm por ele um bom apreço o que me leva a entender que todos torcerão pelo sucesso do seu anestesista e do cirurgião que assumirá o bisturi, pois só assim o bicho retornará ao nosso meio.
Que tenha ele uma boa recuperação, não necessariamente rápida, mas dentro do esperado.  
         Nos momentos atuais nada é impossível ou tão difícil como antigamente, mas os riscos, para esses casos,  continuam os mesmos.  Dentro de um mês ou até menos, quem sabe, o cara estará de volta para nos fazer sorrir ou nos fazer pensar.  Trata-se de um sujeito comum, mas que tem, como todos temos, seus momentos de alegria, de seriedade e de grandeza como já vi acontecer.  Torço por ele, por mim e por quem, como ele, esteja agora necessitando.
-Força, amigo e que Deus esteja contigo, 
se achar que tu merece.