domingo, 23 de novembro de 2014

NEM EU SEI PORQUE.

       Quando resolvi parar de publicar o que venho escrevendo, o que hoje se tornou livro, que trata de um padre que substituiu o antigo sacerdote na igreja de um povoado onde os costumes e o jeito das moças e consequentemente dos rapazes foram postos à prova, foi que percebi que meus leitores não se importavam com a direção que eu dava ao barco, até pelo contrário,  demonstravam prazer na viagem que eu os levava a fazer qualquer que fosse a direção tomada, desde que estivessem comigo como há muito tempo estamos. Essa atitude deveria enaltecer a minha vaidade, mas no entanto me entristeceu. Não fiquei triste como quem espera a morte no portão de casa, mas triste o suficiente para que a beleza das estrelas não fosse percebida, o perfume das flores não fosse sentido e a beleza das ondas quebrando no rochedo não tivesse vista. Esse tiro, acreditem, aguça os meus sentidos, não pela direção tomada pela bala, mas pelo susto que  o estampido a mim me causa. 
Tem momento e disso eu tenho certeza, que ando de braço com a contradição, mas nem por isso eu sigo os caminhos que me induz.  Sendo assim, pensam que o paradoxo me toma por refém, mas sou eu quem se faz de morto para tirar dele o poder que tem. Nem por isso deixo de sentir o cheiro da indiferença que rola em relação ao que eu disse, mas ao mesmo tempo a minha experiência me dá a entender que são felizes os que optam por caminhar comigo. Talvez por desconhecerem o que venha a ser felicidade total e absoluta ou por medo de perder a que julgam ter.