quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AONDE A GENTE VAI?



Quando a gente chegou de viagem eu fiz mal em permitir que as malas fossem desfeitas,
até porque, poucos dias depois voltaríamos a por os pneus na estrada. Enfim, como nada foi feito, as roupas voltaram para os seus lugares no armário.  De qualquer forma isto é muito prazeroso, mesmo sabendo que se trabalha mais do que pode, ganha o mínimo para não morrer de fome e  acha que só se descansa quando acha que vai para o céu. Por isso eu faço e desfaço as malas sem reclamar da trabalheira que dá; calçados num lugar, roupas no outro, toalhas de banho e rosto para cá, e as peças íntimas à parte enquanto a gente, boba que é, se diverte no interior do carro que aos trancos e barrancos resmunga estrada afora. Tanque cheio de um combustível que antes, quando o país não o produzia suficientemente para o consumo interno, era, podíamos dizer, barato, mas agora que temos o bastante para exportar, nos custa os olhos da  cara.  Felizmente só os da cara ou nem carro eu teria para não me vexar. Parece até que os políticos estão gastando mais do que o necessário, por isso tem estado tão caro.
E lá vai a gente cantando como a cigarra, que nem sabe o preço do canto, brincando como filhote 
de cachorro que não entende as manias do dono, porém feliz como pinto no lixo que se diverte sem saber que dele ninguém terá pena quando matar a 
fome de quem o matará.
Tudo arrumado, motor ligado, eu e os pneus calibrados e lá vamos nós antes que apertem
ainda mais os nós do país e os da gente.