terça-feira, 14 de outubro de 2014

VENTO QUE VENTA CÁ, NEM SEMPRE VENTA LÁ...

Eu fico sem jeito, não nego, de dizer que sou feliz.  De qualquer maneira seria 
uma cafajestada da minha parte negar que eu tenho a melhor família, o melhor emprego, uma ótima saúde e os amigos que alguém já pode desejar. Não digo, pelo menos em voz alta, que sou feliz porque não tenho como garantir que faço felizes aqueles que dizem me amar e se eu não os 
faço,  não devo me sentir. 
Nas bodas de ouro, por exemplo,  meu avô  bateu no peito falando, até com certa arrogância, que o casamento lhe trouxera toda a felicidade que tinha. 
O que adianta dizer isso se a minha avó permanecia de cabeça baixa e conservava o sorriso amarelo de sempre? Como não seria ele feliz se minha avó faz tudo o que ele gosta e o que ele quer? Será que a  vovó, assim como todas as pessoas que se descobriram fazendo as vontades do parceiro, são felizes, fingem ou não sabem o que é felicidade? Por isso eu fujo do assunto quando abordado, mas não nego, olhando nos olhos de cada amigo, de cada filho e da mulher que amo, que eu sou, sim, o mais feliz dos homens e poderia ser bem mais se eu tivesse a certeza que os faço felizes também.