quinta-feira, 2 de outubro de 2014

NÃO DIGA, NÃO.

Quando chegares do trabalho não te jogues no sofá dizendo que estás cansado, 
que teu chefe não dá valor ao teu trabalho e os colegas não merecem a tua confiança.  Não digas que a vida é uma droga, que teus vizinhos são barulhentos e que teu filho só escolhe gente inferior para ser amiga. Não mudes de calçada se um estranho vem em tua direção.  Não digas oi quando for cumprimentado ou deixes de ajudar se não tiver platéia que te aplauda. Não comente o defeito de uma pessoas. Não reclames do preço se queres o melhor produto ou blasfeme contra um governo  empossado com a maioria dos votos. Não batas no teu filho com palmadas ou palavras, mas não deixes de convencê-lo da grandeza da humildade, mesmo que ele venha a ser o presidente da república, no futuro.  Não batas no teu neto dizendo que o amas. Não digas, não sei, se te perguntam por uma rua que tu nem sabias que existia. Busques informação e ajude a quem está perdido. Não desfaças uma relação antiga, se ela não te desmerece,  em detrimento de um príncipe encantado ou uma princesa vitoriana recém-chegado que jurar amor a primeira vista. Não deixes que a tua arrogância bata a porta atrás de ti se mudares para um emprego melhor. Não deixes de fechar os olhos quando beijar a tua companheira ao sair para o trabalho e quando dele regressar à casa. Dê flores para ela. Sorria de suas piadas, mesmo que sem graça, e não deixes de ficar um minuto que seja, sentado ao seu lado para ouvi-la e se o assunto não for do seu interesse, não sejas indelicado. Abra a porta do carro para o teu carona. Afasta-te com um sorriso para o zelador fazer o seu serviço. Passe a mão na cabeça de uma ou de todas as crianças ao teu redor. Acene à idosa na janela e ofereça ajuda aquele que precisa. Faças tudo aquilo que tu achas lindo alguém fazer, pois, na hora do teu descanso dormirás como um bebê, mesmo que não admitas que tudo o que fizestes, fizestes por ti e para ti, ou essa linha tênue que traça em tua boca o sorriso que te encanta o sono, não existiria.