terça-feira, 21 de outubro de 2014

COMO RESPIRAR SE ME ROUBAM O AR?

     Durante uma boa parte de nossas vidas a politica vestiu com sobriedade a minha família, deu aos meus filhos os melhores colégios onde estudaram e se formaram e nos melhores restaurantes nos refestelamos de suas iguarias. Isso, sem falar nos carros que trocávamos a cada ano. Portanto, eu não deveria ter nada do que me queixar, mas chega um momento que a gente cansa com tanta hipocrisia. Pô, como pode um político, imbuído da decência e da moralidade, acusar os adversários partidários de fatos que não conseguem provar e só o fazem por ouvir falar? Eu já não tenho filhos menores, mas se os tivesse, juro que não os deixaria assistir a tais debates porque, segundo o que tenho escutado, nem travesti brigando pelo ponto com prostituta se rebaixa tanto. A certa altura do programa eu cheguei a penar que a candidata simularia um mal estar para fugir às ofensas de quem, em determinado momento deu a entender que fosse fraquejar, desistir das provocações sofridas, como fez a terceira colocada no turno anterior quando abaixou a cabeça diante dos algozes a quem respondia com projetos de sua autoria e que, por sinal, seriam muito bem-vindos por se tratar de projetos de relevância, já que ergueriam a cara do país, mesmo que pedir a colaboração do adversário fosse necessário, como nos tinha dito. Mas que nada. Quem deixou a sala onde o embate era mostrado, fui eu. Eu que já vi o bem se debatendo contra o mal e sucumbir. Já vi religioso enriquecer às custas de sofredores e jurar mãos limpas, sem as ter. Vi partido de esquerda dobrar a direita na direção do cofre-forte, assim como vi malfeitores coroados de louro em festa de agravados. Não sinto nenhuma alegria vendo o Brasil punido por ser criança. O que acontecerá quando for adulto, se chance de seguir o caminho da educação e da prosperidade não lhe é oferecida?