sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PROMETEU E CUMPRIU...

Infelizmente não pude estar com ele na cirurgia daquela tarde, mas o bicho que dizia 
ter goela grande e que nada a ele metia medo, não foi capaz de engolir os tubos que o anestesiologista a qualquer custo queria, goela abaixo, enfiar nele. A turma que torce contra disse que os médicos empurraram daqui, forçaram dali e nada da mangueira entrar. Digo mangueira porque não parecia ser outra coisa já que adentrar às profundezas daquele pescoço grosso não foi possível.  Por isso eu digo que era, sim, uma mangueira, e dessas com as quais se apaga  incêndio.  Os doutores, coitados, cansados, extenuados, de língua pra fora resolveram aplicar na veia do pobre diabo uma dose dupla, e sem gelo, de adrenalina até que voltasse ao estado que estava antes dando por encerrado as estafantes tentativas. Aos que ali se fizeram presente  com suas bíblias e sua fé debaixo do braço, como também os que se mantiveram distantes, mas torcendo por qualquer notícia, não importando qual fosse, foi mostrada uma pessoa que já não era a mesma de quem eu falo, pois o sangue na boca e no nariz, fora o pálido do seu estado, desfigurava  o sujeito que  de tão forte sangrava e não morria. 
Estirado como uma banda de porco abatido o sujeito foi trazido de volta ao quarto prendendo entre a cabeça e a maca um atestado que a ele permitia voltar à casa, como voltou,
20 minutos mais tarde.
Por falta de uma ferramenta os médicos desistiram para não magoar suas pregas vocais, sua
traqueia e o caminhos por onde sai a voz e entram o ar e os alimentos.
Agora está lá, de papo para o ar. A noite conta as estrelas e de dia tenta ouvir o que ele acha que o vento tem para dizer. Isso, enquanto não o chamam para fazer o que antes não conseguiram e quando tal coisa acontecer, certamente que lá eu não estarei, até porque, o cara é duro pacarai e não vai ser um par de médicos batendo cabeça, um anestesiologista, um patologista, que nome desgraçado, e algumas enfermeiras curiosas com aquilo tudo a sua frente, que vão dobrá-lo.
Tamo junto, amigo. Em breve arranjarei umas desculpas para justificar a minha ausência e depois vou visitá-lo porque você é o cara que mais preso, como diz a minha avó.