segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O FÍGADO TEM QUE AGUENTAR...

Esses malucos são daquele tipo que topa tudo. Come e bebe de tudo e pra dormir não faz questão do tamanho da cama ou do lugar onde descansarão. Se tiver de virar o dia, viram. Se tiver de virar a noite não fazem doce para melar a calda de ninguém. São gente que merece fazer parte de qualquer família, frequentar qualquer recinto e andar com qualquer um.  Nada para eles é ruim ou lhes faz mal. Nada lhes é tão feio que não mereça da parte deles um comentário favorável.  Gente simples eu sei que são, mas se depender de gastar para fazer feliz os que amam, não se escondem, dão desculpas ou se omitem; chegam junto. Quando vão a igreja rezam, mas no carnaval são capazes de formar, só com eles, um bloco ou quem sabe, uma escola de samba. Poucas vezes não me permitiram ver o seu sorriso uma vez que onde quer que chegam é graça, festas e alegria.  Tenho, com eles, a oportunidade que poucos têm de demonstrar e viver as três personalidades que temos; se quero rir eu ouço piada de qualquer um, mas se quero a verdadeira, gostosa e bonita gargalhada, basta com eles falar de coisas alegres, contar histórias ou zoar a gente mesmo. De todos nós eu sou o mais experiente, mais esperto, mas vivido. Essa turma diz que tudo isso se concentra na soma dos anos que eu já vivi, ou seja, chamam, com muito respeito e bastante graça, esse cara que vos fala de vetusto, macróbio, ancião, idoso, velho, e o pior é que eu não me importo e até gosto, porque na hora de fazer força, escalar montanhas, caminhada pela mata, eu digo que ninguém considerado velho como eles dizem que eu sou aceita  tais convites. Enfim, esses caras estiveram em minha casa que por sinal é nosso ponto de encontro e desencontro na intenção de passar uns dias. Eu e a família  estávamos prontos para viajar a outro estado e não é que os caras foram com a gente. Lá se resolveu comer torresmo e beber cachaça  o que tornou a noite pequena para tais fins. Comer, beber, ouvir e contar casos leva tempo e tempo que nunca nos falta acabou se tornando pouco.
-Graças a Deus, a gente tem amigos desse quilate. Amigos que nos fazem bem, que nos querem bem e nada nos pedem de volta além, é claro, da verdadeira recíprocidade.