quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ENFIM PROVEI QUE ERA MACHO...

Eu calibrava os pneus quando uma loura, não sei por que cargas d’água, deixou seu 
carro escorregar quebrando a lanterna traseira do meu com a batida.  O engraçado é a bruaca, como diz  minha avó,  nem se deu ao trabalho de apear para ver o acontecido.  Aonde é que a senhora estava com a cabeça pra fazer essa EME? Perguntei olhando por sobre seus óculos escuros.  -Desculpa, disse-me ela, esqueci de puxar o freio. Felizmente ninguém se machucou, concluiu com ar de zombaria. 
-Ah, se não fosse ela uma mulher... 
-Ah, se não fossem dela o par de seios que mal cabem na blusa que os guarda e que me enchem os olhos de desejo. 
-Ah, se ela não tivesse aquelas pernas com dois dedos de saia que nem para cobrir a calcinha serve  e nem por isso morre de vergonha ...  
- Quanto acha o senhor que custa essa lanterna? Perguntou enquanto se virava pra pegar a bolsa no banco de trás. Movimento esse que deixou à mostra, não só um par de belas coxas, como a tatuagem na virilha muito perto da entrada do pecado. O que a imagem tatuada representa eu não sei, mas do meu estado só eu sei e me dou conta. 
 -O senhor procura uma oficina e leve o orçamento  a  este endereço, mas ligue antes para não perder sua viagem. Disse-me puxando os óculos para baixo, no nariz e nos meus olhos enterrando os dela.  Deu-me um sorriso enquanto manobrava e foi embora sem calibrar os pneus como parecia ser sua intenção. E eu? Perguntariam vocês. Como é que eu fiquei nessa história? Bem, eu fiquei com a mesma cara que vocês estão agora, ou seja, bobo, bobo, olhando o carro dobrar a primeira esquina. Só então olhei o endereço escrito no verso do cartão; Rua Machado de Assis, 5. Flamengo, Rio de Janeiro.  Era o mesmo endereço onde eu morava na minha juventude. Era uma casa antiga, porém bem cuidada onde eu fui muito feliz.  
Com o orçamento da concessionária de Botafogo em mãos liguei para Janaina que escolheu a hora do encontro.  Toquei a campainha três vezes até que a porta foi aberta. Janaína já não tinha os óculos que separasse os seus olhos dos meus.  Não calçava os sapatos de salto alto, como também não tinha nada, pelo que pode ver, por baixo do roupão de banho. 
-Entre!
- Falou-me enxugando os cabelos.
 Mandou-me sentar e fez o mesmo numa poltrona a minha frente.  A cada movimento seu o meu corpo respondia com um arrepio. O tesão era tamanho que não sabendo mais como resistir a ela atirei-me de joelhos a seus pés e implorei, pedi com veemência que me pagasse o que achava que devia porque eu já não aguentava mais e para não fazer uma besteira optava por ir embora, fugir, sumir dali, pois sou casado e muito feliz com a mulher que escolhi para ser minha e por isso até fiz um pacto de fidelidade que cumprirei custando o que custar, mesmo que os meus amigos, tomando conhecimento do caso, venham a me sacanear.