terça-feira, 5 de agosto de 2014

AINDA MEU PEDACINHO DE PÃO...

        
        Eu havia publicado alguma coisa pertinente a novela das 18h, da Globo, mas não sabia  que rumo cada uma das personagens tomaria, principalmente o Serelepe que por ter sua vida um pouco parecida com a minha na infância, fiz questão de retratar.  O desenrolar da história era um lindo carrossel. Um espetáculo para ser visto com olhos de criança, mas no último capítulo, quando de pé nos dispusemos para os aplausos, eis que o grand finale não aconteceu.  Os autores descuidaram com a fantasia no arremate conclusivo de uma história encantadora que não coube no pequeno espaço a ela conferido.  Deu chabu, como dizem os fogueteiros. Desandou o caldo como teima afirmar a minha avó.  A medida que a novela avançava seus capítulos, novas emoções iam surgindo. Calçados extravagantes, roupas de um berrante colorido, cabelo emaranhado das mulheres e as barbas dos cavalheiros com suas suíças.  Tudo era lúdico, puro, exuberante como a maneira peculiar de cada um dizer as coisas, era. A medida que os capítulos eram apresentados o inesperado surpreendia com a doce magia dos contos de fada.  Mas como eu disse, acho que faltou um pouco de sal ou de pimenta para temperar o prato, quer dizer, o banquete.   Serelepe não podia saber que era filho do Coronel sem comentar com os que perguntavam por  sua origem, como fazia Catarina, mãe de Pituquinha, por exemplo. Também a quem o eleitorado da cidade das Antas entregou a prefeitura se o Coronel Epa abdicou do seu mandato?  E quanto a Isidoro o que teria acontecido para ele não ficar sabendo que Rosinha, por quem se dizia apaixonado, se casara com Giácomo,  dono da venda?
       Como todos podem perceber, as lágrimas retidas nos meus olhos para o momento dos aplausos derradeiros  eu não chorei.  Talvez até chorasse se visse a reprise no sábado, coisa que não fiz por conta do trânsito engarrafado. Quem sabe assistindo com os olhos do coração, como fiz na maioria das vezes, eu não descobrisse o que a trama guardou para o final e só eu não fiquei sabendo?  Ai, sim, eu choraria como fiz quando Zelão se derreteu em lágrimas ao confessar o seu amor para a professorinha ou no momento em que Ferdinando, filho do Coronel  Epaminondas, percebeu que Gina, filha única de Pedro Falcão, era a mulher de sua vida?
    Como adivinhar ainda não nos é possível, guardarei o choro para outra vez, quem sabe quando os autores forem mais complacentes com os menos esclarecidos, como eu?

20 comentários:

  1. Apesar dos escorregões no desenrolar final, eu categorizo esta novela como um marco na dramaturgia televisiva brasileira que num mágico carrossel de cores e regionalismo enfeitou os fins de tarde com sua teatralidade de opereta harmônica.
    Deixa saudades.
    Bom dia, Silvio.
    Abraço,
    Calu

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    1. .

      Eu não faço questão de ver novela,
      apesar de apreciar um bom texto,
      mas a trama em questão me tirou
      do sério, do riso, do siso, de mim.
      Amei, para ser mais explícito.

      Beijos, Calu e perdoe os escritores,
      pois deslizes também lhes cabem.



      .

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    2. Licença,
      eu concordo com a
      Sra Calu quando ela diz.:
      " eu categorizo esta novela como um marco na dramaturgia televisiva brasileira que num mágico carrossel de cores e regionalismo enfeitou os fins de tarde com sua teatralidade de opereta harmônica.
      Deixa saudades. "

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  2. Hiii! Puxa Sr. Palhaço Poeta,
    eu vou pedir licença e
    dizer que como humilde mulher poeta,
    tudo ficou no encantamento e magia.
    O Lep foi ético todo tempo,eu vi assim.
    As personagens masculinos e femininos
    foram muito bem defendidos
    e a trama teve o cuidado de
    não explicar o que nossa imaginação
    tinha a sorte de deixar irretocável.
    Durante toda a extensão da novela
    eu nem comparei com a o exibido em 1972+-.
    Tudo nessa novela foi sem magia,como
    aquele inverno maravilhosamente criado
    por uma equipe em 4 dias.
    Também vimos matéria que a comida
    não era de plastico, mas sim de verdade!
    Ah Sr. Palhaço Poeta, foi uma ótima novela
    não foi? ou não foi?
    Nós aqui em casa como ôces ai; choramos e rimos
    a cada nova cena. Eu adorei cada vez que o
    Zelão ou o Coronel Epa, refletia e
    voltava atras em decisões, para o bem da família
    ou do amor.
    Mas nem tudo é perfeito, não mesmo?
    Adorei suas matérias sobre a novela.
    Brigadin por me permitir externar
    minha opinião que não é a de todos.
    Bom dia e bjins,ta.
    CatiahoAlc./ReflexodAlma

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    1. .

      Não era inverno, cara poeta. Quando
      a professorinha negou que amava o
      capanga da fazenda, o coração do
      pobre diabo ficou tão frio que nevou
      na cidade toda. E as comidinhas?
      Essas sempre foram verdadeiras e
      de tal forma foram elaboradas que
      os atores faziam questão de comê-las
      antes, durante e depois das gravações.
      Era, portanto, uma arte culinária, minha
      caríssima poeta e amiga. Quanto a
      primeira, em 72 eu não sei, pois
      trabalhava como todo mundo.
      Caso você tenha informação que eu
      não saiba, por favor, faça-me dela
      conhecedor.

      Uma beijoca à você e ao seu marido,
      amigo meu.




      .

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  3. Caro amigo,

    Os olhos da criança sentem, enquanto os do adulto julgam. Mas como disse um revolucionário : "há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura".

    Beijo terno.

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    1. .

      Che guevara que o diga, né,
      Andrea querida?

      Um beijo pelo comentário e
      pela visita que tanto gosto.



      .

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  4. Texto maravilhoso e emocionante.

    Beijo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Fiquei feliz com seu
      comentário. Obrigado
      e um beijo.

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    2. Obrigado, meu anjo.
      Pela visita e pelo
      Carinho.
      Um grande beijo.


      .

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  5. Li os dois textos e achei-os maravilhosos!
    Mas, nao assisti a novela! Pena...
    Bjs

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    1. Pelo menos você não
      ficou escrava dos
      escritores.
      Um beijo e obrigado
      por comentar o texto.

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  6. Olá
    Gostava de ver o colorido,as paisagens,a alegria e as risadas da Catarina.Me divertia.
    Muito boa sua narrativa.
    Já sou sua seguidora.
    Abraço.

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  7. Boa tarde saudoso amigo,, os olhos humanos não conseguem ainda ver a magia.. não choram.. mas quando deixamos nossa criança surgir ela verte alegria em lágrimas de luz.. abraços e até sempre

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    1. Tive medo que você
      não viesse, amigo.
      Um grande abraço e
      obrigado.

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  8. Olá Sílvio, obrigada pela visita, tenho estado ausente pois tem sido difícil conciliar todas as tarefas.
    Sobre a novela, juro que tentei assistir a alguns capítulos, porque os pacientes comentavam tanto…só que não consegui gostar, a atuação dos atores globais era completamente forçada e a trama não me encantou. Além disso, os cenários e figurinos que foram tão comentados não me agradaram. Gosto de cores, de magia e fantasia, mas acho que a equipe de arte exagerou.
    O que vi foi uma tentativa desesperada de emplacar audiência num horário difícil, pois geralmente nessa hora as pessoas estão em trânsito ou chegando em casa.
    Infelizmente não houve a menor sintonia. Na verdade, não assisto TV há muitos anos e nas poucas vezes em que ligo o aparelho acho que não estou perdendo nada.
    Desculpe a franqueza, mas você pediu minha opinião…
    Abraço e ótima semana

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    1. Não se desculpe se diz
      o que pensa. A sua verdade
      é o que interessa no momento.
      Um beijo e obrigado.



      .

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  9. Meu querido, sinto não poder te dizer nada a respeito
    desta novela. Deixei de assistir novela a uns 4 anos atrás
    resolvi preencher o tempo que gastava com essa descultura
    com outras coisas mais interessantes. Mas nada contra com
    quem assiste e gosta. Bjus doces

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  10. O seu texto, muito esclarecedor. Eu não vi a novela. Às vezes os finais nem sempre são como desejamos...
    Abraço.

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