domingo, 17 de agosto de 2014

A GALINHA DO VIZINHO.

         
               A paisagem vista do alto de uma das varandas da casa da minha amiga era uma coisa fora do normal, mas o que a janela do prédio em frente me mostrou era de tirar o fôlego, de ressuscitar aquilo que estivesse morto. Acredito que minha amiga não tenha reparado em mim ou certamente enrubesceria ao me ver daquele jeito.  E se eu conheço bem essa mulata ela me puxaria pelo braço e fecharia a porta atrás da gente me tirando do estado de euforia em que me encontrava. Coloquei  as mãos nos bolsos apagando  qualquer suspeita e como quem não quer nada fui ao banheiro de onde só voltei quando a coisa melhorou.
Enfim eu respirava aliviado.
Eu conheci Amância na praia de Boa Viagem no Recife e de lá para cá essa amiga nordestina faz tudo para ficar comigo e eu, é claro, de certa forma me aproveito, não fisicamente, mas quando não tenho sono ou volto tarde da balada sabendo que nada tenho em minha geladeira, eu procuro a solteirona,  que veio morar na Tijuca, para espairecer. Poucas foram as vezes que não a encontrei ou tinha alguém em sua casa que a impedia de me acolher. Essa bela mulher, dependendo dela, estava sempre pronta a me abrir as portas.  Café, pão e biscoitos na mesa, bebida quente na sala ou gelada na cozinha. Depois cama, se assim a gente preferisse.  Agora, por exemplo, eu tinha tudo para matar na minha amiga o tesão que ela jurava que não morria, mas preferi lavar o rosto e voltar ao papo descontraído, sem toques, caras e beijos.  Dei uma volta com a conversa e perguntei, como quem não quer nada, qual era o nome da vizinha.  De boba nada tinha a minha amiga que dizendo não gostar de papo com estranhos, preferia não saber quem mora ou deixa de morar na casa ao lado.  Nesse ínterim toca a campainha e a nordestina, pedindo licença, desce para atender.  Demorou falando com quem ela não queria que soubesse que eu estava ali, pelo menos foi o que pensei, por isso fui até a porta e vi aquilo tudo vestindo um shortinho que antes não estava nela, aliás, nada encobria aquele corpo bonito, sensual e gostoso que serpenteava ali, a um metro do meu nariz. Amância fechou a cara, mas abriu a porta para a gostosa entrar.  Sentamos os três, mas escolhi ficar de frente, para olhar os detalhes daquilo tudo que antes, nu, eu tinha visto.  Enquanto as duas conversavam eu respondia com um sim, as vezes com um não e em outras abanava  com a cabeça se algo me perguntavam, só os olhos eu não tirava daquele par de pernas que cruzava perigosamente a pista em minha frente. Com isso novamente enfiei a mão no bolso da calça para não passar vergonha diante da minha amiga e aguçar, ainda mais, a curiosidade da vizinha que eu, sinceramente, tanto desejava.
Ao se despedir beijou-me as faces e meteu na minha mão o seu cartão . Amância também ganhou dois beijos.  Ao dobrar o corredor piscou um olho e  jogou um beijo. Eu não sei para quem jogou o beijo, mas a piscada eu sei para quem piscou. Foi embora requebrando o que os meus olhos focavam e por ele no meu bolso remexia minha mão.
(Foto da Internet.)