terça-feira, 29 de julho de 2014

OUTRA VEZ, DE NOVO.

No final do mês de abril de um ano que já não me recordo, um sujeito olhava de
 cinco em cinco minutos o celular na esperança de encontrar uma mensagem que dissesse ser mentira, que a chama do amor que antes queimava na paixão dos seus desejos não se apagara. Mas não. Nada havia naquele aparelho que o diferenciasse de um simples objeto de fazer e receber chamadas. Nada era visto naquela tela quando acesa, além da hora, do dia, mês e ano. Era por estar muito zangada que ela o mandara embora, mas depois de um punhado de dias e noites pensando ela o perdoou e o chamou de volta.  Tempos depois de recebido o tão esperado torpedo ele  se vê às margens do um novo abandono. Antes ele tinha a idade dos meninos e podia esperar o tempo que fosse, mesmo que sofresse, mas hoje, que já não tem o tempo por amigo estremece  com a possibilidade de ser despejado de um coração por ele adubado e semeado. Era dali que ele sentia o  perfume das mais bonitas flores, colhia os melhores frutos e em troca proporcionava as sombras para um sol que maculava a pele e para além de sua janela pintava imagens que faziam o verde de quaisquer olhos amadurecerem para a vida. Na primeira vez ele sabia que dera motivos para ser mandado de volta à casa da mãe de onde viera, mas hoje, não.  Não se lembra de ter pisado na bola para levar um tombo daqueles, mas se lembra, sim,  de não ter feito só uma  das muitas vontades das quais a beleza dela exigia. Não sabia, porém que o desejo não atendido  fosse tão relevante para esquecer os belos anos que estiveram juntos.  Vários foram os momentos de felicidades, de liberdade vigiada, mas não importava se ele era feliz. 
      Por ela estar zangada, nenhuma explicação a favor dele poderia interessá-la, mas amanhã, quando ela acordar e notar o espaço vazio e frio onde antes ele se deitava, certamente a fará lembrar, mesmo que por pouco tempo, do cara que se deitava por último e primeiro se levantava e só fazia isso, não que não gostasse de ficar até mais tarde na cama com ela, mas para servi-la naquilo que desejasse e até o ar ele buscaria para que respirasse se necessário fosse, e hoje, no entanto, ele não passa de uma vírgula que ela faz questão de trocar por um ponto final.  Tudo bem, ele não irá discutir porque
 não foi discutindo que esteve entre os braços dela,  sentiu-lhe  os beijos e nos seus olhos vislumbrou o brilho das estrelas.  
     Amanhã felizmente será um novo dia e se tudo der certo e ele tiver um pouco de sorte o sol haverá de nascer na praia aonde no final da tarde com  os que lá estiverem  aplaudirão a luz na hora de ir pra casa.

19 comentários:

  1. Nem tudo tem explicação, e as vezes melhor nem buscar =)

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    1. Nesse caso o melhor
      não é deixar pra lá, mas
      considerá-lo como alicerce
      de vida.

      Um beijo, Bell, e obrigado.




      .

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  2. As coisas acontecem, às vezes, sem querer, mas dependendo do caso não há mais retorno.
    Lindo conto
    Lua Singular

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    1. Você fala com conhecimento
      de causa, pois carrega consigo
      todos os sentimentos. Do simples
      ao mais complicado.
      Eu, no entanto, só enxergo com
      os olhos da alma. Da minha
      alma.

      Um beijo, Dorli. A saudade
      me matava.




      .

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  3. | sonhava muito. o que mais gostava
    era a certeza incerta
    da delícia do próximo instante |

    beijo

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    1. Corri para abraçá-la
      na sua chegada.
      É um prazer receber
      você de volta com
      suas belas e tão bem
      escritas palavras.
      Um beijo, meu anjo.



      .

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  4. Belo texto, boa tarde

    Beijos
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Eu também gosto
      muito das suas
      coisas, Cidália.
      Obrigado por não
      esquecer do amigo.

      Beijos.



      .

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  5. Se o pote, de vinho, derramar. Escolha, um Outro,
    Abraços

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    1. A gente bebe o que
      acha que o corpo
      aguenta. Nem sempre
      o que se acha, é.
      Enfim...
      Um abraço, e obrigado
      por visitar o amigo.

      .

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  6. A espera. A ausência. A solidão. Tudo neste texto... Gostei.
    Um beijo.

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  7. Sr. Palhaço Poeta,
    gosto muito dessas historias
    fictícias de tão bem escritas
    parecem com as verdadeiras,
    Essa sua pluralidade
    nos encanta sempre ( digo nós seus leitores)
    Bjins
    CatiahoAlc,/ReflexodAlma

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  8. Sr. Palhaço Poeta,
    gosto muito dessas historias
    fictícias de tão bem escritas
    parecem com as verdadeiras,
    Essa sua pluralidade
    nos encanta sempre ( digo nós seus leitores )
    Bjins
    CatiahoAlc,/ReflexodAlma

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  9. Este é o retrato de muitas duras realidades. Muita paz!

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  10. Olá Silvio!
    Agradeço sua visita ao meu blog.
    Um conto muito bem escrito, sobre uma situação que acontece normalmente e, da qual ambos podem tirar uma experiência para um relacionamento futuro mais maduro, cada um seguindo seu próprio caminho.
    Boa noite.

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  11. Boa tarde caro poeta.. já vi muitas coisas deste tipo.. e essas coisas de redes sociais.. torpedos de celular.. isso ai é frustrante pq acaba com algo que se mantém uma esperança mas que a esperança morre na artificialidade.. não existe mais o olho no olho.. é triste hj em dia .. e todos ainda se queixam que sofrem .. que o amor machuca.. as pessoas que se machucam e machucam ele.. abraços e até sempre

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  12. Oi, Silvio. O teu texto é a história de muitos relacionamentos: quantos encontros,desencontros; quantos abraços e afastamentos. Mas o raiar de um novo dia sempre traz a esperança. Bjs

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  13. OI SILVIO!
    ASSIM É, POR MAIS DURO QUE SEJA É MELHOR ENTENDER E ESPERAR PELO NOVO DIA QUE CHEGA.
    MUITO LEGAL TEU TEXTO.
    ABRÇS

    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  14. Quando os relacionamentos sao rompidos, ha esperanca de um novo dia!
    bjs

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