sexta-feira, 18 de julho de 2014

GOOOL!!! NO BRASIL...

Quarenta minutos do segundo tempo e o placar 
continuava adverso. Seis gols a zero e o adversário
 não se dava por satisfeito acuando a presa como se fora um predador. Avançava, cercava por todos os lados buscando pelo  golpe derradeiro. Ela, e o Brasil caso pudesse, enfiava-se debaixo do meu braço como se isso coibisse os avanços da fera que babava enquanto dominando a brazuca adentrava à pequena área em busca do último gol, que não tardou.  No momento combalido dos seus lábios trêmulos, tasquei-lhes o melhor dos beijos que eu sabia dar, pois em qualquer outro momento esse fato não se consolidaria. E assim troquei o banco de reservas pela artilharia  contumaz dessa partida.  E no intuito de reanimá-la, de levá-la ao que era antes eu acabei por cometer o tal delito. Foi de repente, a voracidade do meu beijo foi tamanha que a jazeu inebriada aos pés dos meus desejos.  Tomada em meus braços se deixou levar arena afora de onde o forte submetia o fraco, seu algoz, seu carrasco que sem dó nem piedade lhe cravava 5,  6,  sete estocadas no peito enquanto com um apenas pensava ele se vingar. Trêmula, sem dizer uma palavras se deixou levar para o meu carro e nele, vagarosamente fui passando, uma a uma, todas as marchas  sem olhar para onde o carro ia. Nem eu, e muito menos   ela quis saber dele o destino. Uma voz aguda, não se sabe de onde vinda, nos perguntou qual o caminho e para onde a gente ia enquanto eu, olhando fundo no semicerrado dos olhos dela respondi que casar seria a nossa pretensão. Um cartório!, gritou agudo no fundo do meu ouvido, que em mim ainda dói, aquela voz maluca indicando numa varanda pendurada uma placa onde se lia; motel das perdizes, e foi lá, ouvindo o canto das seriemas, o lugar onde sem pompas, sem roupas adequadas e com os pés descalços nos casamos. O dia acabou, a noite não tardou e o cartório fechou nos desejando boa-sorte. Quem há tempos ali casou, casou. Mas não se sabe por quanto tempo permanecerá casado. A gente, no entanto, tem mais quatro anos para uma revanche. Nesse prazo trataremos de curar as feridas abertas e consolar o país que ainda chora e entre um beijo, mesmo que trêmula de medo e um outro repleto de esperança, paixão e desejo, viveremos o tempo que o tempo nos permitir, acreditando que não vão nos tirar a faixa de penta pela qual muito lutamos, sofremos e felizes seremos com ela atravessada em nosso peito.

3 comentários:

  1. Apesar de não ser matéria dos meus interesses, deliciei-me com este "relato".
    Bjo Silvio :)

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  2. Interessantíssima a sacada de fazer da derrota trampolim pra vitória: no calor da partida tudo pode acontecer! Também fiz um texto coim a temática da copa, mas criticando a forma como a mídia (leia-se Tv Globo) orquestra os sentimentos da galera.

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