quinta-feira, 15 de maio de 2014

TRISTEZA OU ARREPENDIMENTO?


Depois que o amigo de infância se casou, Antônio, que
jamais andara sem a sua companhia, perdeu-se na escura solidão com o afastamento da pessoa de quem mais gostava.  Desde criança os dois dividiam entre si o  tempo e o espaço. Se alguém quisesse saber de um bastava encontrar o outro e tudo se arranjava. Cinema, andar de bicicleta, ir a praia, a festas. Qualquer coisa ambos faziam juntos e se algo pessoal estivesse para ser resolvido, o outro, estaria com ele para dar força,  e não seria agora que a coisa mudaria, mesmo que o casamento os obrigasse a isso.   Antônio, que na separação da dupla entrara em depressão, recebeu convite do amigo para ir a casa dele. Foi para voltar outras muitas vezes curando-se do mal que o afligia.    Com o passar do tempo conquistou na mesa de jantar daquela casa  um lugar para chamar de seu.  Chegou a dormir no sofá da sala algumas noites e em uma delas, na festa de aniversário de Luisa, mulher do amigo inseparável, encheu a cara e no final da festa foi dormir, sem banho e sem trocar de roupa, aonde estava acostumado.  Acordou de madrugada com forte dor de cabeça.  Levantou-se, ainda  tonto da bebedeira e foi tomar água na cozinha.   Passando em frente ao quarto do casal ouviu gemidos que certamente seriam de Luisa na intimidade do casal, pois Antônio estava de porre e deveria estar roncando àquela altura do campeonato. Sem escrúpulos, buscou olhar através da fechadura. Os gemidos só podiam ser dela, mas não eram.  Havia outra mulher, que seminua se deixava ver beijada e acariciada pelos dois.  Na penumbra pouca coisa dava para ser vista além dos beijos estalados, da bolinagem e de outras intimidades sem falar no que rolava de bebida, só não sabia quantas e quais. 
Os três se entregavam uns aos outros naquele quarto e ele ali, sendo preterido em nome da maldita bebedeira que o tirou da festa.  Daquela festa que o amigo fez contando com ele, certamente, mas naquele estado não só aquelas duas gatas, mas qualquer uma outra que estivesse ali  não gostaria de ter um bêbado nos 
seus braços, como ele, por amante.(Foto da Internet)