sábado, 19 de abril de 2014

DOCE COMO FEL.

Com a fome das baleias o metrô ia engolindo as estações da 
linha-1.  Passavam os vagões, um por um e numa rapidez tal que mais parecia a felicidade fugindo da vida da gente, enquanto ela, com a ligeireza  das tartarugas tirava da bolsa  e levava à boca um Drops das balas Hall
Como em um filme projetado nas janelas as imagens avançavam no correr do trem e eu, ansioso, não via a hora de chegar.  Era uma visita rotineira ao dentista, mas aquela moça a minha frente me olhando enquanto da bala sentia o doce, roubava das minhas pretensões todo o nervosismo se é que nervoso eu estivera  antes.  Enquanto isso a moça chupava, chupava e chupava com delicadeza, com jeito, sem demonstrar pressa na quilo que fazia e como fazia bem o que me mostrava.  Chupava a bala não como uma criança poupando para durar, mas com a malícia das fêmeas que prendem pelo pescoço no salto agulha de encontro o chão, o  macho, subjugando o homem. Quem não sabe que uma só dessas balas, a preta, principalmente, se torna um dos melhores, senão o melhor acessório sexual que o cafajeste  bem formado, sendo ele ou sendo ela, tem na hora do amor, quem?  A minha boca encheu-se d’água. Me fez febril e eu suei molhando a roupa enquanto  arregalavam-se os meus olhos, pulsavam cada músculos nas  lambidas que ela, com a malícia das vagabundas dava em cada bala ao invés de lamber a mim.
(Imagem da Internet).