segunda-feira, 10 de março de 2014

MEU AMIGO, COMPANHEIRO.

Desde menino eu chorei a morte dos meus parentes 
e de alguns amigos que com o passar do tempo foram nos deixando. 
    Eu penso que devo muito aos meus avós e as minhas tias que tiveram suas vidas ceifadas pela ignorância da morte e por mais que eu orasse a Deus não pago o bem que me quiseram. Hoje, infelizmente, eu perco um dos meus melhores, senão o melhor de todos os  companheiros. Aquele com quem brinquei a vida inteira a qualquer hora do dia ou da noite sem que as minhas vontades por ele fossem  questionadas. Muitas vezes eu disse não às suas brincadeira e só ele não se negava brincar comigo. A diferença de idade entre a gente deveria ser um divisor de entendimento e compreensão, mas a isso eu dava de ombros para brincar até perder  o fôlego. Podia ser que eu tivesse tido melhores pais e melhores escolas, quanto a ele, não sei. É possível que tenha tido aquilo que fez por merecer, inclusive a minha amizade que era uma via de mão dupla; eu o completava e ele me realizava, já que éramos exatamente iguais. Até carinho meus pais faziam questão de dividir conosco. Jamais recebi um agrado sem que Walter fosse lembrado; um doce, um sorriso ou uma palavra elogiosa, sem contar com a expressão de felicidade do meu pai quando nos via juntos   ao voltar 
do seu trabalho.
     Dezessete anos de sorriso e festa. Nesse pequeno espaço de tempo vivemos mais alegrias que tristezas, porém, de todas as dores que tivemos 

essa é a que mais doeu.
- “Quando você achar que não vai suportar a ausência do amigo, vá ao seu túmulo e faça uma prece. Isso o ajudará a entender a magia da vida.  Assim se sentirá melhor, e, só não se espante se com isso você crescer, pois todos crescemos com os ganhos e as perdas”

Essas palavras que minha mãe me disse foi o que me trouxe ao pé de sua cova aonde chorando, como choro agora,  enterrei Walter, o cachorro que mais me fez entender e gostar da vida.
 (Foto da Internet