sábado, 22 de março de 2014

JOÃO E A CHUVA...



Nesses últimos tempos tem chovido muito em suas vidas.
Na dele chove granizo e na dela, talvez, somente esteja serenando. Essa semana, por exemplo, tem chovido a noite e toda a madruga.  Pela manhã, assim que o sol se mostra por entre as espessas nuvens, vem o frio e os leva ao quarto, às cobertas e ao silêncio.  Há muito a chuva vem curvando a planta cuja semeadura teve amor igual ao de João ao conseguir, através do pé de feijão, incomodar o gigante da história que se leu quando criança.   Nada mais tem sido como na primeira vez. No início a orquestra não parava e no salão de festa rodopiavam como dançam os grandes bailarinos, corpo espremido no corpo, testa colada na testa e o ar de um mantendo  o outro respirando.  Hoje a banda já não toca. Os instrumentos a cada dia desafinam mais. Quando um vai para um canto, permite que o outro em um novo canto se descubra. O som que compunham a quatro mãos, já não encanta, não tem o mesmo andamento, a mesma harmonia. Suas vidas se tornaram um conto sem sapo e sem princesa, sem cavalo branco, um arco-íris sem cor. Enfim, não se tornaram um número par quando estão juntos, mas quando separados não passam do resultado da divisão dos ímpares; são restos. Não há motivos para riso, festa ou carinho.  Não há motivo para o trabalho ou para viver. Há de se mudar esse quadro ou essa história terá um fim de sofrimento e dor,  a não ser que a morte a faça sofrer menos.