terça-feira, 18 de março de 2014

ESTRELAS NO CÉU DA MINHA BOCA.

        Ela não fazia questão de passar despercebida, pelo contrário, se mostrava do seu quarto, nua, cheia de luz a quem olhasse para 
o alto, para cima, para o céu.  A lua, portanto, era um quadro  emoldurado de menina, de garota, de mulher. Não uma simples  mulher bonita, mas a mulher dos sonhos de todos os homens, todos os rapazes e de certos meninos, e por que não de determinadas mulheres? Eu, entre tantos sonhadores, idolatrava aquela imagem. Queria tê-la bem perto dos meus olhos ao alcance dos meus toques, rodilhada nos meus braços serpeando no meu leito, escorrendo pelos músculos do meu corpo, se entregando a cada beijo.
E assim, envolvido na espiral desse delírio me peguei pensando nela, branca e bonita riscando o céu, e além disso, nada, além da brisa com cheiro de mato pisado. De flor se abrindo na madrugada, de terra revolvida, cultivada, das minhas caminhadas, da moça enxugando os olhos na janela debruçada. Uma fingindo olhar a rua, enquanto eu, afastando de mim as cortinas me penduro para olhar a lua.  
Duas mulheres distintas, brancas, lindas.  Uma fria, presa no alto dos meus olhos e a outra travada pelo destino, grilhão de rodas na minha memória. 
Embarcado nesse amor eu serro os olhos voltando a sonhar com ela. Passeio de mãos dadas com ela, namoro no "véu de noiva" com ela e pela manhã, sozinho, caminho estrada afora, sem rumo, sem destino,  para me encontrar com ela.