quarta-feira, 12 de março de 2014

AMOR DE CARNAVAL.

Do carnaval restou o cheiro adocicado do lança-perfume nos ares dos salões 
onde vivemos momentos alucinantes e de onde são  varridos os confetes e as serpentinas que casais, também felizes, não cansavam de jogar nos foliões. 
De todas as lembranças que eu tenho das folias, uma, entre tantas,  dói fundo nas minhas recordações.  Foi no momento em que uma lágrima solitária, que nem sempre dou conta quando me escapa aos olhos, você riscou no rosto triste do arlequim que guardo nas minhas memórias. 
Por todo tempo anseio por esta data e como faço todos os anos ao vestir aquela fantasia, corro para o portão na esperança de vê-la chegar para pintar na minha cara a tristeza que guardo em mim. 
Nada mais importa no final do carnaval senão a lembrança da felicidade dos foliões atrás dos blocos, e da gente trocando juras de amor eterno nos degraus sujos do clube como fazíamos nas madrugadas no final dos bailes. 
Juras que se quebram a cada vez,  mas eu finjo que não ligo. 
Juras que se tornam triste brincadeira, como se de brincadeira fosse o amor que eu acreditei que era eterno. Eterno, no entanto, tem sido esta tristeza. Tristeza como a do arlequim que todos os anos espera você pintar na cara dele a alegria que não teve, mas é na minha que você faz questão de pintar a dor. Quanto a lágrima, esta  você pinta na alma do pobre palhaço, mas é na do homem, que eu sou, que você faz questão de desenhar a saudade.