A última vez que eu a vi foi passeando no jardim da praça com o pai. No
momento em que nos vimos ela me olhou fundo nos olhos como se soubesse da minha
partida. Todos os dias a gente estava
junto. A família dela e a minha eram vizinhas, por isso não tinha um só dia que
a gente não se falasse, e eu, é claro, sempre
arrumava um pretexto para mexer com os cachinhos dos seus cabelos, brincar com o arredio dos seus medos e ver desenho animado na televisão.
A gente fazia, dentro do
possível, muita coisa junto.
Eu era um
cara de sua confiança e dos seus pais. Naquela tarde, um domingo quente de verão, me lembro ainda. Seu pai de bermuda xadrez e
camiseta do flamengo, chupava um picolé branco parecendo coco e você limão, como de costume. Assim que nos vimos eu quis dizer alguma
coisa, mas achava que os seus olhos já sabiam, por isso eu sorri e fiz um gesto
de positivo com o polegar para vocês e fui andando sem olhar para trás. Alguém, que não
foi a minha mãe, teria dado com a língua nos dentes, e você, pensando me punir, se trancou dentro dos próprios sonhos para
desabrochar linda mulher tempos depois. Quantos anos teriam se passado, que eu
não lembro? Quantos verões teriam levado você de volta a passear pelo jardim ou por corações de outros meninos para fazê-los tão apaixonados como eu?
Ah, bela menina, eu também cresci como cresceu você.
Estudei, trabalhei e até me diverti, mas não nego que tenha namorado algumas moças por achar que via no rosto de cada uma o seu sorriso, o seu olhar e o seu modo inocente e sem jeito de gostar de mim. E se tudo aconteceu daquele jeito, foi porque a gente não nasceu para ficar junto. De qualquer forma a gente se mereceu. Um fez muito pelo outro direta ou indiretamente. Graças a você eu soube diferenciar o bem do mal, o bonito do simpático e o sonho do pesadelo. Você, pelo que eu fiquei sabendo, se enamorou de alguém com uma cara igual a minha, com o melhor dos sonhos como eu tive os meus, e com o desejo de ser alguém na vida como ele é, e eu, talvez, quem sabe, também não sou?
Ah, bela menina, eu também cresci como cresceu você.
Estudei, trabalhei e até me diverti, mas não nego que tenha namorado algumas moças por achar que via no rosto de cada uma o seu sorriso, o seu olhar e o seu modo inocente e sem jeito de gostar de mim. E se tudo aconteceu daquele jeito, foi porque a gente não nasceu para ficar junto. De qualquer forma a gente se mereceu. Um fez muito pelo outro direta ou indiretamente. Graças a você eu soube diferenciar o bem do mal, o bonito do simpático e o sonho do pesadelo. Você, pelo que eu fiquei sabendo, se enamorou de alguém com uma cara igual a minha, com o melhor dos sonhos como eu tive os meus, e com o desejo de ser alguém na vida como ele é, e eu, talvez, quem sabe, também não sou?

°º♫♬° ·.
ResponderExcluirA vida tem dessas coisas, né?
░B░O░A░
░S░E░M░A░N░A░!!!
°º♫♬° ·.
Beijinhos.
°º♫♬° ·.
.
ExcluirInês, as suas palavras
foram mágica, entre as
outras.
Obrigado por comentar
o que eu disse.
Beijos.
.
Que postagem lúdica, cheia
ResponderExcluirde encantos e muito gostosa de
ler nessa manhã preguiçosa de
domingo.
Bjins aos três
Com carinho e saudades
Catiaho Alc.
.
ExcluirValeu a presença, Cátia.
Obrigado pelo que disse
e pelo que achou do texto.
Beijos.
.
É sempre um prazer ler as suas postagens.
ResponderExcluirBoa semana.
Beijo.
Nita
.
ExcluirEu sei que você sabe
que é gostoso ouvir
coisas desse tipo...
Obrigado amiga. Volte
para dizer mais...
Beijos.
.
E alguém esquece o primeiro amor???
ResponderExcluirNão, meu querido Afonso, são lembranças que ficam para sempre, e nos acompanham no dia a dia, fazendo-nos ver, nos rostos de novos amores, aquele que ficou lá para trás...
É muito bom recordar.
Uma semana feliz.
Beijinhos
PS - Te aguardo no dia 14... não vai esquecer...
.
ExcluirA gente tem vontade de
sentar do lado de fora da
casa e ouvir ou contar a
história que moveu as nos-
sas vidas, não é mesmo?
Todos temos o que ouvir
e o que falar. Só nos falta
um bom ouvinte ou um ó-
timo contador de casos.
Beijos, amiga e obrigado
pelo comentário.
.
Lindo texto, querido.
ResponderExcluirObrigada pela visita no meu cantinho.
Já estou te seguindo também.
www.priscilahervalf.blogspot.com
.
ExcluirDa próxima vez avisa
que eu trago a banda
para recepcionar sua
chegada.
Um beijo e obrigado
por ter vindo. Gostei
muito.
.
Oi Silvio :)
ResponderExcluirRecordar é viver...
e algumas lembranças possuem um quê de magia que
se eternizam em nossa memória.
Bjs!
.
ExcluirLembrar de coisas boas
é muito difícil por serem
poucas, Por isso a gente
fica no estado que, eu acho,
pensam que eu fiquei.
Um beijo, amiga e obrigado
por comentar.
.
Oi Silvio...Penso que ela
ResponderExcluirainda habita teus pensamentos
porque de certa forma, talvez,
você também habite os dela...
Adorei...Bjos
.
ExcluirEu sentia falta desses
comentários, Simone.
Gosto de quem fala o
que eu não sei ou o que
eu deveria fazer se auda-
cioso fosse.
Um beijo e obrigado por
ter vindo.
.
Existe uma musiquinha antiguinha, ( quanto inha...), que fala justamente assim:
ResponderExcluir"O primeiro amor nunca se esquece, não adianta teimar querida... " E vai por ai, acho que, ou melhor tenho certeza de que é lei da vida, uma droga de lei mas é.
Belo texto, estou esperando sua visita a meu bloguinho (inho de novo).
abração,
Léah
.
ResponderExcluirLéah, eu não troco a vida que
tenho pela que deixei para
trás, mas que dá saudade, lá
isso dá.
Um beijo e obrigado pelo co-
mentário.
.
Silvio, obrigada pelo seu comentario em Ousadia... sempre me deixa sorrindo.
ResponderExcluirbjs
Olá Silvio, que texto lindo, eu viajei nele. E como você está? Obrigada por sua visita e seu carinho. Fique bem!
ResponderExcluirBjs
Auxiliadora RS