domingo, 9 de fevereiro de 2014

AINDA ME LEMBRO...



         
        A última vez que eu a vi foi passeando no jardim da praça com o pai. No momento em que nos vimos ela me olhou fundo nos olhos como se soubesse da minha partida.  Todos os dias a gente estava junto. A família dela e a minha eram vizinhas, por isso não tinha um só dia que a gente não se falasse, e eu, é claro,  sempre arrumava um pretexto para mexer com os  cachinhos dos seus cabelos, brincar com o arredio dos seus medos e ver desenho animado na televisão. 
           A gente fazia, dentro do possível, muita coisa junto.  
        Eu era um cara de sua confiança e dos seus pais.  Naquela tarde, um domingo quente de verão, me lembro ainda.  Seu pai de bermuda xadrez e camiseta do flamengo, chupava um picolé branco parecendo coco e você limão, como de costume.  Assim que nos vimos eu quis dizer alguma coisa, mas achava que os seus olhos já sabiam, por isso eu sorri e fiz um gesto de positivo com o polegar para vocês e fui andando sem olhar para trás.  Alguém, que não foi a minha mãe, teria dado com a língua nos dentes, e você,  pensando me punir, se trancou dentro dos próprios sonhos para desabrochar linda mulher tempos depois. Quantos anos teriam se passado, que eu não lembro? Quantos verões teriam levado você de volta a passear pelo jardim ou por corações de outros meninos para fazê-los tão apaixonados como eu?
       Ah, bela menina, eu também cresci como cresceu você. 

    Estudei, trabalhei e até me diverti, mas não nego que tenha namorado algumas moças  por achar que via no rosto de cada uma o seu sorriso, o seu olhar e o seu modo inocente e sem jeito de  gostar de mim.  E se tudo aconteceu daquele jeito, foi porque a gente não nasceu para ficar junto.  De qualquer forma a gente se mereceu. Um fez muito pelo outro direta ou indiretamente. Graças a você eu soube diferenciar o bem do mal, o bonito do simpático e o sonho do pesadelo. Você, pelo que eu fiquei sabendo, se enamorou de alguém com uma cara igual a minha, com o melhor dos sonhos como eu tive os meus,  e com o desejo de ser alguém na vida como ele é, e eu, talvez, quem sabe, também não sou?

18 comentários:

  1. °º♫♬° ·.
    A vida tem dessas coisas, né?

    ░B░O░A░

    ░S░E░M░A░N░A░!!!

    °º♫♬° ·.
    Beijinhos.
    °º♫♬° ·.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      Inês, as suas palavras
      foram mágica, entre as
      outras.

      Obrigado por comentar
      o que eu disse.

      Beijos.



      .

      Excluir
  2. Que postagem lúdica, cheia
    de encantos e muito gostosa de
    ler nessa manhã preguiçosa de
    domingo.
    Bjins aos três
    Com carinho e saudades

    Catiaho Alc.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .


      Valeu a presença, Cátia.
      Obrigado pelo que disse
      e pelo que achou do texto.
      Beijos.




      .

      Excluir
  3. É sempre um prazer ler as suas postagens.
    Boa semana.
    Beijo.
    Nita

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      Eu sei que você sabe
      que é gostoso ouvir
      coisas desse tipo...
      Obrigado amiga. Volte
      para dizer mais...

      Beijos.




      .

      Excluir
  4. E alguém esquece o primeiro amor???
    Não, meu querido Afonso, são lembranças que ficam para sempre, e nos acompanham no dia a dia, fazendo-nos ver, nos rostos de novos amores, aquele que ficou lá para trás...
    É muito bom recordar.

    Uma semana feliz.
    Beijinhos

    PS - Te aguardo no dia 14... não vai esquecer...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      A gente tem vontade de
      sentar do lado de fora da
      casa e ouvir ou contar a
      história que moveu as nos-
      sas vidas, não é mesmo?
      Todos temos o que ouvir
      e o que falar. Só nos falta
      um bom ouvinte ou um ó-
      timo contador de casos.

      Beijos, amiga e obrigado
      pelo comentário.




      .

      Excluir
  5. Lindo texto, querido.
    Obrigada pela visita no meu cantinho.
    Já estou te seguindo também.

    www.priscilahervalf.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      Da próxima vez avisa
      que eu trago a banda
      para recepcionar sua
      chegada.
      Um beijo e obrigado
      por ter vindo. Gostei
      muito.




      .

      Excluir
  6. Oi Silvio :)
    Recordar é viver...
    e algumas lembranças possuem um quê de magia que
    se eternizam em nossa memória.
    Bjs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      Lembrar de coisas boas
      é muito difícil por serem
      poucas, Por isso a gente
      fica no estado que, eu acho,
      pensam que eu fiquei.
      Um beijo, amiga e obrigado
      por comentar.




      .

      Excluir
  7. Oi Silvio...Penso que ela
    ainda habita teus pensamentos
    porque de certa forma, talvez,
    você também habite os dela...
    Adorei...Bjos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      Eu sentia falta desses
      comentários, Simone.
      Gosto de quem fala o
      que eu não sei ou o que
      eu deveria fazer se auda-
      cioso fosse.

      Um beijo e obrigado por
      ter vindo.




      .

      Excluir
  8. Existe uma musiquinha antiguinha, ( quanto inha...), que fala justamente assim:
    "O primeiro amor nunca se esquece, não adianta teimar querida... " E vai por ai, acho que, ou melhor tenho certeza de que é lei da vida, uma droga de lei mas é.
    Belo texto, estou esperando sua visita a meu bloguinho (inho de novo).
    abração,
    Léah

    ResponderExcluir
  9. .

    Léah, eu não troco a vida que
    tenho pela que deixei para
    trás, mas que dá saudade, lá
    isso dá.
    Um beijo e obrigado pelo co-
    mentário.


    .

    ResponderExcluir
  10. Silvio, obrigada pelo seu comentario em Ousadia... sempre me deixa sorrindo.

    bjs

    ResponderExcluir
  11. Olá Silvio, que texto lindo, eu viajei nele. E como você está? Obrigada por sua visita e seu carinho. Fique bem!

    Bjs

    Auxiliadora RS

    ResponderExcluir


Diga o que quiser do jeito que você souber.




.