sábado, 25 de janeiro de 2014

SOL, TESÃO E MAR.

O sol ardia em sua plenitude tentando, com uma só lambida, secar todas as gotas que molhavam o branco macio do corpo exuberante que ela mantinha ao alcance dos meus olhos, e sobre a mesa à minha frente, a cerveja que antes afarinhava de gelo a transparente tulipa esguia, amarela no mormaço da barraca descolorida.  
Ondas pequenas, marola, como gata se esfregando em suas pernas, no cio.  Ondas maiores, desejos, que batiam, tapa de amor não dói, nas partes pudendas que ela do mundo  escondia. 
 E assim o soberano das  águas se torcia e contorcia embriagado às vistas de tamanha formosura.
Não menos ou não mais que os olhares atrevidos do pecado, como que limpando para-brisa num vai e vem das curvas sinuosas da mulher bonita, se perdiam às berrantes intenções de quem a via.
Seu marido, homem comum como qualquer um, mas senhor do bom gosto e de todos os desejos, como ninguém, também se regalava com o jeito dengoso e gostoso de caminhar, que a cabocla a minha frente, tem.
Aos poucos fecham-se as barracas, uma a cada uma escondendo dentro delas o colorido ou não, da estação que principia.  
No calçadão uma ducha gelada, que no pé, doía,  devolve à praia a água salgada e o branco de sua preciosa areia deixando aos olhos de quem sonha acordado, não um belo corpo suado, mas a cútis sutil e aveludada da mulher-menina.
Fim de tarde, fim de dia.
Amanhã é dia de trampo, manejo, mas não sem lamber dos beiços  os prazeres que a eles, mesmo que eu não quisesse, foram sem que ela 
notasse, impostos, permitidos.