terça-feira, 28 de janeiro de 2014

EU E A PSICOLOGIA...

Eu tenho no meu blog mil e tantos amigos cujos 
nomes não esqueço e uma pequena minoria resguardada no anonimato. De alguns eu sei os hábitos e suas preferências e de poucos o que lhes vai na alma.  Em certo momento eu vibrei com a vitória alheia, e em momento errado já chorei com a dor de outros.  Eu sei que fiz bem em querer ouvi-los, porque também já me arrastei por entre pessoas cegas quanto aos meus problemas e exultei deitado numa cama de hospital ao vir chegar feliz uma pessoa de quem já não me lembrava. E se ela veio foi por saber que só estou presente quando tenho sorrisos para dividir, quanto as tristezas, eu as levo para o meu canto para, sozinho, poder chorá-las. Essa pessoa falou pouco ou quase nada, mas pegou na minha mão e sorriu para os meus olhos. Ela não me trouxe a cura do corpo com o seu gesto, mas sem saber curou a solidão da minha alma. 
Nem todo mundo gosta de falar de si ou gosta de saber dos outros.  Mas tem aqueles que mesmo não conhecendo a felicidade dão força a quem dela nunca ouviu falar enquanto outros cantam, engolindo o choro, para espantar a tristeza alheia. 
Eu e a psicologia achamos que a gente, sofrendo ou não, devemos  dividir com os outros as nossas tristezas e as nossas alegrias.  A primeira nos dará força para seguir pelo caminho que escolhemos enquanto a outra empurrará para frente os que, enfraquecidos, ficarem para trás. 
Quando você se decidir a ouvir os outros, não escolha palavras bonitas na hora do aconselhamento, mas escolha, principalmente, as palavras certas. Não queira provar que você é o dono da verdade, mas demonstre que você é verdadeiro no que diz, pois assim você não estará fechando, mas abrindo uma janela para o sol que nasce. 
Comece por viajar a um estado, a uma cidade ou ao bairro distante e num banco de praça, qualquer praça, sente-se e espere por quem vier. Esse, que agora senta ao seu lado, será o escolhido.  Conte a ele ou para o próximo que ao seu lado se sentar, tudo aquilo que você não contaria a ninguém, nem sob tortura, pois ele, encorajado pela sua sinceridade, abrirá seu coração. 
E, ao se despedirem, vocês hão de se sentir mais leve. 
Leve como o pecador se sente ao deixar o confessionário. 
 E se amanhã vocês, por uma obra do acaso, cruzarem o mesmo caminho, um não haverá de se lembrar do outro, enquanto a sorte, dentro do possível, sorrirá para cada um.
 Quanto a você que há meses me visita para dividir as alegrias, vibrar com as vitórias e chorar as mazelas de sua história eu quero adiantar que o entendo e respeito.  Em muitos momentos eu me privei de festejar o seu sucesso e em outros, de dar colo quando a dor maculou seu corpo e de tristeza fez sangrar seu coração. Talvez o meu, sem que eu me desse conta, tenha endurecido depois que as chuvas de 2011 riscaram do mapa a minha cidade. Naquela ocasião  eu, que nada tinha sofrido, ofereci, através dos órgãos de comunicação, a minha casa e o carinho da minha família aqueles que perderam as suas. 
Fechando os olhos imagino os raios riscando os céus e ao longe os trovões ensurdecendo a gente, mas daquelas pessoas com as quais  choramos as suas tristezas, nunca mais soubemos delas.