quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PALAVRAS DO SENHOR...

Dizem que Ele criou o céu e a terra em 7 dias para descansar logo depois.  Já eu criei em 7 anos uma família e nem me dei por isso, até pelo contrário, passei a trabalhar dobrado na intenção de dar à ela o que um chefe de família sabe que precisa.  E como toda a riqueza do mundo não paga o amor que eu tenho pela minha turma, nem tão cedo vou pensar em descansar, pois entre todos os carinhos que eu quero dar a ela ainda tenho muito futebol para jogar com um e muita amarelinha para pular com outra. Eu sei que em momento algum misturei a tinta para ajudar a criar o céu e muito menos carreguei carrinhos de terra na construção do mundo, mas não vou dispensar a ajuda se ele quiser me dar. Não precisa pegar no pesado, basta que dê saúde para mim e minha trupe. Um bom emprego para os que vivem sob o meu teto e parceiros fieis, como os que tenho, para cada um. Só isso basta para esse cara que é tentado a sair da linha, mas descarrilar a vida eu não vou. Até posso, mas não quero, pois eu tenho exemplos no meu pai e vou segui-los. Quero deixar minhas pegadas na vida dos meus filhos, como o velho deixou na minha e não perdi nada com isso, até pelo contrário; 
ganhei...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

AINDA CHORAM OS MEUS OLHOS.




Não adianta o tempo passar, a vida explicar ou um esporádico sorriso tomar conta do meu rosto se a felicidade que nos unia se virou de costas quando da gente te cansaste.
Será que eram verdadeiros os abraços que me davas quando eu, sorrindo, te entregava flores dizendo que te amava? Não sei, talvez, mas só que não.
Tu fostes um dos melhores amores que eu tive, já que davas aos que eu a ti apresentava o mesmo tratamento que me dispensavas. 
Enquanto  brincavas nos momentos de agonia, das tristezas e das verdades, tu sofrias, mesmo assim nos confortavas. Em tempo algum, porém,  deixaste de ser meu parente ou meu amigo inspirador.
Finalmente vou deixar-te em paz, mas não sem antes te dizer que não vou te perdoar pela covardia de dizer   que tudo estava bem e  que nem a morte tiraria a tua alegria para em seguida, sem dizer adeus, bater as asas e ir pro céu.
Agora eu vou te deixar descansar em paz.  
Vá, e até breve. 
Não muito breve, porque mesmo que eu tenha te amado muito,  eu não teria a mesma coragem de deixar chorando aqueles que por mim sorriem.

sábado, 23 de novembro de 2013

QUANDO SE TEM AS RESPOSTAS A VIDA NADA NOS PERGUNTA NADA.

Pare e limpe as lentes.  Olhe a natureza com olhar de
 lince, sorria,  comente. Pergunte ou fale sozinho sobre aquilo que vê ou acha que conhece. 
Dê bom-dia ao dia antes que escureça. 
Tente lembrar o nome de alguém que pediu a sua ajuda e por falta de tempo ou de parar para pensar você não entendeu. Tente lembrar o dia que você chorou. Um momento no passado distante quando alguém, mesmo sem se dar conta do que fazia, tirou você no nada e lhe deu o nome do qual se honra.  Ria da vida se tiver motivos ou escarneça se não tiver, mas não se esconda quando tiver medo, porque chorando o medo passa ou dele você esquece.  Viva a vida intensamente da maneira que souber. Lamba os lados, adormeça de frio a língua se ela dança em torno dos pingos para não perdê-los, e se não souber do que eu trato, lamba de vagar a vida, pelo meio, pelas pontas. Passe o órgão pelas bordas,  pelos lados e lembre-se de não jogar fora a casquinha que de tudo é o melhor bocado.  
Sinta o frescor das manhãs com os cabelos expostos ao vento, mas  viva sem pressa, lambendo o adocicado que sobra das madrugadas, já que o tempo provoca tontura com o giro que faz girar a vida. Tire folga por um dia, duas ou três vezes por semana. Pegue os “velhos”, as crianças e saia, vá à praia, corra na areia ou suba à serra para orvalhar a alma.  Só não se deixe ficar aonde o cansaço e as obrigações o abracem a cada momento, cada vez mais forte.
Hoje eu me lembrei que há pouco tempo eu disse adeus a um amigo e por isso fiquei sem fome, fiquei sem sono, mas fiquei com medo. 

Eu me recordo que esse amigo nunca foi à praia, não saía com as crianças, enquanto os seus velhos viveram e morreram na distância, não naquela das lembranças, mas longe no interior de um outro estado. 
Ele era o irmão mais “moço” da minha mãe, que se trancou no compromisso do trabalho e da formação dos filhos. Foi embora e levou consigo aquele olhar furtivo que entre poucos risos falava do amor que nutriu pela menina da serra, mulher do seu sobrinho o que muito me orgulhava.
Eu queria ter tido mais tempo, queria que ele não tivesse sido o amigo de tão poucas horas, como foi. Que tivesse tido a vida que todos merecemos, com trabalho, eu sei. Mas com tempo para os amigos e parentes que hoje choram num abraço que poderia ser de festa, mas é de tristeza pela falta que ele faz.
Não cursei uma faculdade que diplomasse o valor da perda e da saudade, por isso as palavras me fogem e nada mais eu saberia dizer.

- Descanse em paz, meu tio. Valeu o pouco tempo que tu tiveste para nós dois. Tempo enriquecido pelo carinho que tu tinhas pela moça dos olhos verdes e por sua filha que gostavam tanto quanto eu gosto de ti. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

AS PEQUENAS COISAS GRANDES.


Se a dor te espreme os olhos, curva o 
dorso e te  faz chorar não entenda esses momentos como desventura ou que a felicidade tenha terminado. Talvez, quem sabe, não se trata de um recado do destino  para que valorizes o que é teu, até as mínimas coisas para as quais tu não dás importância devem ter o seu valor respeitado por menor que sejam.  As vezes um esbarrão nos acorda do cochilo em que nos encontramos e em outras ocasiões é necessário, sim,  que a vida nos ponha em risco pois é desta forma que a grandeza das pequenas coisas pode ser observada tal qual as molas que mal se consegue ver  amortecem e amparam o gingar do mundo. E o que dizer da chuva tilintando no zincado do telhado em plena madrugada enquanto rastejam vidraça abaixo cada gota até que a chuva cesse? Assim tem sido a metade de nossas vidas enquanto a outra  passa desapercebida aos nossos olhos. A algazarra das crianças no recreio da escola ou um galo empertigado anunciando o sol nascente, por exemplo, também fogem à nossa percepção. 
Tais fatos, no parecer da pessoa rica, não significa tanto quanto uma feijoada transbordando um prato enquanto muitos choram a degradação da fome. Uma festa de formatura ou a viagem para o exterior é muito importantes para quem tem como pagar até que saiba que tais fatos não realizam da mesma maneira que o primeiro salário faz.  Quem sabe não sejam essas pequeninas coisas que estancam fazendo tremer a terra, assim como o grão da areia emperra a máquina e uma só lágrima comove o mundo?
Há de se pensar. Há de se valorizar o que cada um de melhor acha que tem.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

SÓ PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MIM...



Escorre no corpo quente a água 
fria dissimulando aquele orgasmo proibido. 
Ele há muito a desejava e não podia. 
Ela, que o enfeitiçava do seu jeito, prometia e não cumpria. 
Esse jogo de pega e larga aumentava em muito o desejo que os arremetia um na intenção do outro.
Foi assim que ele, numa noite de chuva, freou, abruptamente o automóvel ao lado dela que, assustada nem se deu conta ao ser abduzida do ponto de ônibus, aonde estava, para o carro do rapaz. 
Ela fora  sequestrada pelos desejos  provocados e deles se viu refém.  Peça por peça do seu corpo, as roupas, ela viu cair,  enquanto as íntimas, as que emolduravam o vale e os relevos foram dela arrancadas , mordidas, degustadas pelos simétricos alvos dentes do amor.  Feito que expôs a grande e bela obra cujas peças escondiam.  Duas elevações  para uma bela vista  e um vale encantado de grama rasteira e macia protegendo a nascente que jorrava a cada desejo seu, mas que, neste momento, de secura mata-lhe a sede.  
Enquanto se permitia de pasto servir seu corpo a quem a possuía, tomou entre as mãos o quente e pulsante falo e o envolveu com o calor dos beijos.
A mão imprópria nas horas certas varria do pelo eriçado o arrepio provocado. Um entrelaçar de pernas, um grito de euforia ao mesmo tempo do regalo a que se entregavam por inteiro.  Um seio escapou-lhe ao controle  enquanto o outro era acariciado, beijado, sugado e por que não, mamado, sem tempo de terminar.   Gemidos de ais. Grunhidos de uis. Pranto prevendo o gozo. Riso nervoso e finalmente o soar dos clarins. Fogos clareando os céus e o dobrar dos sinos, revoada de pássaros na madrugada fria e chuvosa de um domingo de final de primavera que surgia.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SÓ QUE NÃO.



O bilhete da passagem para o céu podia ter o preço 
de um bom-dia, um até breve ou um muito obrigado, mas não tem. É escorchante o preço cobrado por uma viagem que a gente nem sabe se vai fazer. O bilhete é trocado por uma infância inteira de obediência ao pai, a mãe e aos mais velhos. Estudo e trabalho abnegado são imprescindíveis, assim como sorrir para os que lhe são simpáticos  e para os que não gostam de você. Ir à igreja com a família nas manhãs de domingo, observar os mandamentos e não comer caso não possa dividir com quem ficar olhando, faz parte. Mesmo assim ninguém garante que a sua saúde, a de sua mulher e a dos seus filhos serão preservadas com esse preço absurdo que você está pagando para ter o direito a ir pro céu quando morrer da mesma maneira que não garantirá seus filhos de seguirem o caminho do bem ou que eles viverão em paz e harmonia na mesma casa que você.   
Só com chás, bolachas, refrescos e bolos você poderá comemorar uma determinada data, mesmo sabendo que esta extravagância não leva ninguém a lugar algum.  Já as cervejas e os destilados que dão barato, nem pensar. Portanto, brindar, só com refrigerante, mesmo fazendo mal a saúde como é sabido. Música, talvez baixinha, para não estimular os dançarinos a abrirem a porta de incêndio às chamas com tamanha esfregação. 
Ir para o céu, se alguém já foi, deve ser muito chato. Você se priva do assédio dos belos cafajestes e das mulheres maravilhosas além de  deixar de lado qualquer tipo de cigarro e de bebida, principalmente os  que entorpecem a alma e encantam a vida, mesmo prejudicando a saúde. E para quê, abrir mão de tudo isso? Para ficar engarrafado na estreita porta branca ao som daquela clássica música chata andando de um lado para outro sem ter o que fazer?  Eu acho que vou trocar o duvidoso pelas periguetes e pelas bebidas.  Pelas farras, pelo sexo e também o rock and roll.   Vou beber muito e fumar em demasia.  Eu sei que o cigarro vai me dar enjoo, mas acabo me acostumando. 
Quero dançar de corpo colado, falar bobagem no sopé do seu ouvido  e quando o tesão já não puder calar eu vou ao alpendre olhar a lua.  
 Quero mentir muito a meu respeito. Quero roubar cravos, orquídeas e rosas  do  jardim ao lado para ofertá-los à mulher que amo. 
Quero chegar atrasado no trabalho e por a culpa no busão. Quero  blasfemar contra o criador se um amigo meu partir desta pra melhor e também dizer que sou o que não tenho competência, e depois...  Ah, depois eu me arrependo, peço desculpas ao Senhor ou a quem eu achar que devo e vou pra cama com a mulher amada, levá-la às estrelas como diz que sempre faço e desta vez roubar dos anjos uma auréola  para enfeitar os orgasmos múltiplos que eu sempre provoco nela.