segunda-feira, 28 de outubro de 2013

GOZANDO A VIDA POR AÍ.



A reação que o gozo provoca nas pessoas continua causando discussão, principalmente os das mulheres. Os homens provam que gozam ejaculando enquanto as mulheres entram em convulsão na hora derradeira. Tem gente garantindo que a mulher pode fingir um orgasmo enquanto o homem, nem sempre.
Eu digo nem sempre porque eu já fingi.
Tem homens que entram em alpha somente com carícias sem a obrigatoriedade da ejaculação para provar o que sentiram. Com os carinhos da mulher amada o parceiro pode ter orgasmos múltiplos, caso não fosse eu me internaria para tratamento.
Quanto a mulher, esta relaxa e até perde a compostura durante ou depois do ato instante em que os parceiros se empenham, já que o orgasmo tem esse poder. Também o humor fica mais leve, o sorriso agiganta e a pele rejuvenesce. Porém o que melhor poss
o ver nesse gol a favor é a valorização que a vida ganha e por conseguinte a felicidade e a paz que as mulheres conquistam para tocar a vida.
Eu diria que um bom orgasmo nas mulheres, as faz desabrochar, como as flores.
Quanto ao homem...
Bem, neste caso eu não deveria comentar, haja vista que ele, assim como eu, quando goza, se sente poderoso, um semideus. A mulher, não necessariamente quando arranha, morde o travesseiro, grita ou chora - como fazem as que que eu tive o prazer de conhecer - prova com isso que o orgasmo está chegando, o que me torna, modéstia à parte, um macho contumaz. Nem sempre isso é tão verdade como o prazer que elas se permitem. Uma relação sem pressa, sem medo e sem pecado entre casais sadios, proporciona à mulher o direito de encerrar aquele ato até fingindo que gozou, porque o gozo da mulher faz melhor efeito no homem que nela, propriamente dito. Quando o homem leva a mulher ao orgasmo, dificilmente ela badalou sozinha aquele sino. Sempre tem a parceria de alguém carinhoso e inteligente para, de mãos dadas, passear pelos jardins do paraíso enquanto o botão do orgasmo arregaça as suas pétalas.
Depois das preliminares, alguns casais, não muitos, conseguem chegar às vias de fato ao mesmo tempo.
Esta é a prova da sintonia fina entre eles.
É bingo! É o tiro certeiro, a flecha cortando o vento.
De toda forma é necessário continuar os estudos sobre a matéria, mas sem esquecer da prática, e de preferência gritar às sete curvas do mundo os resultados conquistados e não calar como tem acontecido. Gozar ou não gozar não é a questão, mas o prazer adquirido há de se convir que não tem preço.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SAUDADES DE VOCÊ, MARQUINHO.



Há quatro anos você nos deixou, o que mantém nesse seu amigo e marido da sua prima a certeza da morte ser burra.  
Não me importava saber para qual time você torcia, qual igreja ouvia os seus lamentos e os amigos de sua relação, mas me importava a sua presença na hora de cada café que eu fazia. Importava, não só para mim, mas para os que o amavam como a mãe da Rebecca as suas amarguras, sua tristeza e suas lágrimas. Quantas e quantas vezes o seu grito de guerra colocou sorriso em nossa boca? Quantos foram os momentos que saímos juntos os 3 no intuito de  participar da felicidade do outro, quantos? 
Muitos, diria você se pudesse, mas também sei que são mentirosas as palavras de quem afirma ser perfeita a natureza.
 Como perfeita se permite o tempo nos roubar a disposição e a beleza do corpo enrugando a nossa pele e nos matando com o avançar da idade, com as doenças ou de saudade?
Hoje, como podem notar eu estou sofrendo de saudade. 
Saudade de quem se deixou contaminar pelo vírus da morte transmitido por alguém cujo amor jurou ter por ele.
Enfim, foi o fim. Resta-me tão somente chorar esse vazio.
Fique na paz, meu amigo. 
(A voz e a filmagem são minhas)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

VERDE DA COR DO MAR

         
A velhice é a pior de todas as  doença, já dizia 
o jovem  palhaço poeta entre uma cambalhota e u'a mão cheia de versos. 
Certa vez um de seus amigos  foi convidado por uma firma cujas finanças não iam bem das pernas para escrever suas crônicas, contar seus casos ou narrar histórias como faz no blog de sua responsabilidade ainda hoje.  
Depois de um ano se fazendo conhecido através do seu trabalho a coluna se tornou, na empresa, assunto de todas as conversas. 
Dois anos após ter firmado o compromisso, o então amigo do palhaço poeta, se empolgou com uma psicóloga, senhora de bons modos, cultura e capricho esmerado,  chegando a se esquecer de todos os seus compromissos, até do responsável pelo pão  de cada manhã o pobre diabo se esqueceu. 
Pensar nela tomava todo o seu tempo, disponível ou não.  
Com nada além disso ele se importava. 
O cara em questão permanecia embasbacado e nada melhorou depois de avistar o tapete verde água por onde a moça desfilava a sua beleza e o seu bom humor. A raridade dos seus olhos verdes transformava em esmeralda o alvo do seu olhar e ele se sabia visto por ela. 
O toque da campainha, no entanto, despertou do sonho o amigo do palhaço. Era o funcionário da floricultura com uma braçada de flores e um cartão onde se lia;    no momento crucial de nossa firma você esteve ao nosso lado com suas palavras de conforto e de esperança. Era seu amigo o palhaço cujo riso na cara de cada funcionário e filho ele riscou e para isso nada você nos exigiu. Versos chorados, rezados, comemorados foram ditos, lidos, quiçá vividos pelos funcionários e seus familiares através da voz de quem, sem perder com os olhos cada um dos espectadores  nada nos cobrou. Talvez o palhaço de quem você tanto fala e se orgulha tivesse morrido de vergonha e coberto o próprio corpo com as flores dadas à você, com essa homenagem, mas também poderia ser pretexto para uma bela e nova história, talvez a mais verdadeira, haja vista a melhoria dos balancetes no momento. 
Assim foram os dias  na vida do amigo apaixonado, na vida da companhia que retorna ao seu normal e na vida da gente que o lê e o segue caminho afora através do blog ou fora dele como a cria segue a mãe em plena segunda-feira e em todos os outros dias.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

ONTEM, PARA QUEM NÃO DORMIU JÁ FOI AMANHÃ...


Era uma tristeza diferente, sem introspecção e sofrimento. 
Talvez decorrente de um amor calcado daqueles que arrebatam sem nos desobrigar das pequenas mentiras e das belas  poesia, 
elementos indispensáveis no relacionamento entre um homem jovem e uma mulher recém-chegada da puberdade. 
Tinha ele no emaranhado de veias  o sangue dos guerreiros. A justiça dos menos  favorecidos e um amor de dar inveja a Romeu e sua companheira. 
A pergunta não queria calar; como alguém em sã consciência poderia amar um forasteiro sem eira  nem beira, lutador de todas as lutas, inclusive daquelas nas quais o cavalheiro de beca, capelo e  diploma se acha pronto a engendrar caminho para os seus pés e mesmo assim escolhe, entre tantos possíveis e aconselháveis, aquele que não o levará a lugar algum além da poeira de todas as estradas? 
A pergunta não calava porque a resposta não ouvia. 
Para que tanta virtude, tanto estudo e tanto amor se os caminhos que ele mesmo traçou não o levou à fama ou a fortuna, além dos braços frágeis de uma pobre donzela?
Donzela pobre. Donzela como todas elas. 
Donzela bonita e cheirosa. Vestindo flores, calçando rosas. Sorrindo a brancura da luz da lua e o calor dos raios do sol. 
Donzela feiticeira. Donzela querida e desejada como só ele e ela sabiam, porém ela, somente ela, se permitia ser.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

AO MESTRE COM AMOR.

Bom dia. Eu sou Silione, vereadora carioca, cujo 
horário do meu filho coincide com o do meu trabalho, por isso a gente não se conhecia.  Foi meu marido quem o matriculou e a empregada é aquela que o traz pela manhã e no final do dia o leva de volta à casa. 
Luizinho é um loirinho de olhos caramelados e que, nesse momento, mexe nas tranças da coleguinha que tenta dele se esquivar, como a senhora pode ver.   
Mas como eu ia dizendo, não é de hoje que venho protelando agradecê-la por cuidar do meu filho como se fosse mãe, não só dele, mas de cada uma das crianças que aqui estão. É um privilégio ter um filho sob a responsabilidade de uma mulher bonita, cuja generosidade do decote deixa ver um par de belos seios que coram a face e enchem de água a boca de qualquer um, até a minha, se você quer saber.  
É claro que eu jamais confessaria o que a sua imagem causa na gente, e eu só me atrevo  pela  coragem que tomei tão logo soube que meu filho era  aluno de uma garota maravilhosa como você. 
De toda maneira eu gostaria de agradecê-la pelo cuidado e dedicação que vem tendo com o Luizinho. Talvez, quem sabe, a senhora não arranje um tempo para um café, um chá ou um refresco em minha casa para que eu possa lhe dizer da alegria que sinto ao vê-la exercendo o magistério. 
No dia que achar que deve, procure-me para conversarmos, e eu confessarei o que vai na minha alma e você, quem sabe, poderá falar sobre os seus alunos, sobre a escola ou suas tristezas, se as tiver, e sobre a felicidade que vejo brilhando em cada um dos seus belos olhos verdes. 
Eu fui casada, como falei, por cinco dos meus 32 anos. Fui feliz até que o meu marido, primeiro e único amor veio a falecer.  Foi um baque, um vácuo em minha vida. Agora, conhecendo a senhora, como tenho conhecido de janeiro para cá, sinto que a minha nave estabilizou o voo.  
Ser mãe de um dos seus alunos, professora, já é um presente.  
Ser algo mais íntimo, como ser sua amiga, seria um sonho, mesmo que utópico.  A partir desse momento os meus sonhos retornarão à nave onde embarcarão para voar o  mesmo tranquilo e confiável voo como quando o meu amor vivia.  
 Você, que eu trato por senhora sem ter deixado de reconhecer em si a idade da menina, não deve dizer não ao meu convite para que saiba das dificuldades que a vida nos proporciona ou da felicidade que encontramos no amor de uma pessoa, não importando  o sexo, se ele brilha em nossas vidas como brilham os raios do sol numa linda manhã primaveril. (Foto da Internet)

domingo, 6 de outubro de 2013

ANTES QUE SEJA TARDE.


Eu aniversariei nesta quarta-feira e o dia foi pequeno 
para tantos abraços e palavras gentis e bonitas.   
Ainda na madrugada, por volta das seis, o galo da vizinha se rendeu ao primeiro canto acordando o padre que dobrou os sinos numa bela melodia .
A moça dos olhos da cor das folhas vicejantes se atirou em minha cintura num gesto de audaciosa confiança e na mesa do café não me deixou falar de outra coisa que não fosse o tempo correndo atrás de mim com seus pesados sapatos de chumbo querendo me envelhecer. 
Bobagem, moça dos olhos da cor da mata, bobagem. Eu sou como o baobá que envelhece como tudo nessa vida, mas não demonstra os anos que carrega e mesmo que demonstrasse, frutifica   generosos frutos, a cada vez. 
Foi, portanto, um dia de risos e abraços, de votos de felicidade, de esperança e histórias inacabadas. Foi, posso dizer, o melhor aniversário que eu passei ou vá passar este ano. 
Até os amigos que aniversariaram e por criancice eu fingi não me lembrar, ligaram ou vieram a casa num belo gesto de humildade.  
Infelizmente a data passou e os amigos queridos se foram com ela, mas deixaram, aqui, comigo, no quente do meu peito esse carinho e a lembrança de quem os ama, de verdade.
Um beijo e obrigado, Léo e Bernardo.  Eu não viveria sem vocês. 
Valeu, Zé da Dete! Já contei com você, mesmo sem ter usado desse direito, mas contei.  
Obrigado Neura, por me mostrar o caminho.  
Rosa da Igreja,  que seguiu esse maluco anos a fio para vê-lo saltar de paraquedas. 
Claudete, que na infância dividia seu pequeno pedaço de pão, comigo. 
Marcelo, cujo pai me ensinou a matar aula, quando éramos crianças.
Meus amigos, Alkleir e esposa, que deixaram em São Paulo o trabalho e o filho para voar, sem escala, rumo aos meus braços e os meus beijos justificando a proporção do nosso amor.
 Milton César, que cresceu achando que eu era rico.
 Franklin, que, quanto mais cresce menor do que eu, fica.
 Rebecca, em quem aposto até as fichas que não tenho. 
Toninho, meu primeiro amigo. Padrinho dos meus diplomas.
Simone2, minha amiga querida que há muito comenta a festa que acha que dei e, se vocês pensam que eu esqueci da minha mãe, estão enganados. Minha mãe, sempre tão querida,  esperou a hora exata, a mesma hora de quando nasci para ligar dizendo que me ama.  Eu também te amo, minha mãe. Amo sem medidas.  Amo como só aquela que divide comigo o teto sabe que sou capaz.
Pronto, já citei os nomes dos quais me lembro.  Agora estão todos liberados para comentar a festa que fizeram em minha vida.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

MAIS UM ANO SEM VOCÊ.

Ele lutou até o último momento para que seus filhos
 não se rendessem à própria sorte e que fossem responsáveis por seus atos, justos com os menos favorecidos e se, graças ao seu trabalho, tivessem aonde dormir e o que comer, que não vestissem a máscara dos insensíveis quando lhe pedissem um canto para passar a noite ou um pedaço do seu pão.  
O sonho que ele se atreveu sonhar o embalou por décadas através de tortuosos labirintos. Trabalhou durante o dia para namorar a mesma mulher com quem viveu a vida inteira, durante a noite. Na vida dos filhos ele vivia a sua e deles tirava a força que o instigava a incentivá-los. 
  Ele não só os queria dignos, mas responsáveis e trabalhadores, mesmo que para isso fosse necessário desdobrar cada rio, rebaixar os morros e suavizar as ladeiras que surgissem a cada curva  para vê-los caminhar com os próprios pés. 
Ele era um predestinado.  
Hoje, dois de outubro, tem festa no céu. 
Nesta data, não faz muito tempo, o velho nos deixou. Partiu com o risco do riso da vitória nos lábios e se não tivesse adormecido antes da partida, seria possível ver o brilho de felicidade que a formatura de cada filhos estampava em seu olhar. 
 Ali ao seu lado para o último adeus estavam aqueles em quem  acreditou.  Sua mulher, seu primeiro e último amor.  O esteio de sua vida, seu leme, seu prumo. O filho mais velho, amigo inseparável com quem contava a qualquer hora. Uma filha, professora universitária e duas jornalistas com coluna, cada uma, em jornal de grande expressão.
 Um neto, juiz de direito e blogueiro em horas nem sempre vagas. O outro, produtor musical e mais dois formados em direito.
Eu não creio que alguém, em sã inconsciência, trocasse o lazer, as boas roupas, possíveis passeios e ótimos restaurantes pelo futuro incerto de quatro crianças que teriam, como tiveram, o direito de escolher entre o bem e o mal, o seu próprio caminho. Eu não acredito mas há as exceções e felizmente, numa regra geral, meu pai é um exemplo a ser seguido.  Não tem por que não acreditar naquilo que é possível.  Não tem por que achar que o melhor pertence aos outros e o nosso é comum ou é vulgar.
Estejas certo, meu pai. Que eu jamais esquecerei que fostes humilde o suficiente para desejar que a tua última morada fosse sob os nossos pés.  Mas nós, teus filhos e netos o transladamos para o alto, além do céu e das estrelas das nossas lembranças. 
 Para dentro de nós. 
Dos nossos corações.