terça-feira, 27 de agosto de 2013

O AMOR DE UMA MULHER.



Agora ele acredita nas pessoas, mas para que isso 
acontecesse foi preciso que a vida guinasse como um bote de rafting desviando das pedras na corredeira do dia a dia.   Em muitas curvas ele tombou e muita água ele bebeu até que 
um remo largo e forte assim como informações sobre o esporte a ele fossem passadas para que vencesse a turbulência com calma e maestria. 
Muitos dos que ele conhecia pereceram na 
calmaria de um riacho de águas claras enquanto outros se inutilizaram no transporte dos seus barcos e não mais do que a maioria se acovardou e desistiu da prática perigosa.
Antes os seus pés eram cravados no solo firme do amor próprio, amedrontado, até que outro amor, maior, transformasse a sua vida.  Aquele não seria como não foi, um amor diferente dos que transformam o homem mal em santo ou o amor que
 põe sorriso onde tristeza se perpetuou.  Não.  Mas um amor simples e gentil. Bonito e de paz.  Ela, morena, cabelos na cor da noite e senhora de um sorriso que resplandece como o clarão do dia rompendo as madrugadas o tomou pela mão, secou seu corpo e sua alma. Beijo-lhe de leve os lábios e fez daquele ser um verdadeiro homem.
No coração daquela moça residia à esperança e a bondade, a igualdade, a compreensão e a fé.
Hoje, depois de muito ter navegado e descoberto que é, sim, o gigante que a família acha, descobriu também que não foi um medalhista, mas se transformou, com  as informações e a força do amor que ela lhe devotou,   na pessoa que é, não sem antes rever num dos cômodos da casa aonde guarda suas melhores lembranças o barco como uma velha escola por onde passaram aqueles 
que hoje governam o mundo.  (Foto da Internet).

sábado, 24 de agosto de 2013

HOJE TEM MARMELADA?

Louro para os Kyoskys.
Esta é a mensagem que leio nos olhos de quem, maravilhados, se rendem às proezas da acrobacia. Às graças do palhaço e as histórias pela Cátiaho e pelo Al, ali contadas. 
Saltos triplos sem rede e sem medo que os proteja. 
Pernas de pau mesmo que de aço como a alma de quem nelas se atrevem. 
Crianças, jovens, idosos, meninas, meninos, deitadas ou sentadas na areia enxugando a baba fujona. 
Brilho intensificando em cada um dos muitos olhar e nos lábios o riso da primeira vez. 
Kyoskys. Nome de bar de beira de praia. Nome de russos literários. Nome do palhaço de cara limpa e coração puro de maldade e vazio de medo. Nome de brasileiro que ama a terra por mais que a esculachem. Por mais que a menosprezem e por mais que dela roubem a riqueza.
E que venham os louros para as cabeças dos artistas porque já é tarde e os Kyoskys precisam ensaiar para trabalhar, sem descansar.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PORQUE EU GOSTO DE VOCÊ...



Tivesse eu o perfume das rosas, o sabor das melhores sobremesas ou o rugido de todos os vulcões e eu seria aquele que enfeitiçaria a tua vida. 
Seria quem tu procuras. 
Quem tu desejas. 
Pois assim eu me tornaria o anjo de asas curtas a proteger teus sonhos, a nuvem branca a criar formas na paisagem dos teus olhos. O cisne que risca as calmas águas do lago do teu choro às escondidas. O domingo ensolarado de primavera. Teu homem nu de maldade e preconceito. 
Enfim, eu seria o teu eterno namorado.

Infelizmente eu não sou nada parecido, mas talvez nada próximo do que tu gostas eu quisesse ser, porque  te quero como eu sou se mudar não me é possível, pois foi assim que recebi da vida o privilégio de te conhecer.

domingo, 18 de agosto de 2013

NÃO BASTA NASCER PARA VIVER...

Dizem que a vida é uma peça de teatro.  Porque tudo
 é dito às clara, sem gaguejo, rasura ou cola. Nada de enfeitar o feio com fitas coloridas ou balangandãs sonoros e muito menos escurecer o sol com a peneira, haja vista que no gargarejo aos pés do artista estão aqueles que torcem para o seu sucesso, porém quem torce para a sua infelicidade também comprou ingresso.  Assim é a vida, assim é a gente. 
Assim é a vida da gente. 
 Nada de ensaio ou plágio. Tudo é à seca, à vera. 
Ontem o meu amigo que já sofreu na vida algumas controvérsias e  vários dissabores recebeu autorização do médico que o subjugou no laser do bisturi para dirigir o próprio carro e
 viajar com a família para passear o corpo, a alma e os pensamentos.
Talvez esse passeio fosse a festa de chegada, o pretexto para comemorar a vida que não é mais do que um ato  sem ensaio e 
sem reprise. Uma peça triste e engraçada que tão bem 
faz rir como chorar. Bastando ao ator a coragem de subir ao 
palco e representá-la aos 
"céticos de todas as crenças e aos crentes de todos os credos".

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

FOLHAS DE OUTONO.

Ela veio, descalça, esvoaçando um vestido branco.  
Arrastava por sobre as folhas
mortas, ajuntadas à beira do caminho, um olhar morteiro
até que estancou, bela como o florir de uma rosa e perfumada
como um ramo de jasmim, muito próxima de mim.
Viu, além dos seus, os pés que estáticos a esperavam. Subiu
vagarosamente o perdigueiro dos seus olhos e os
deixou por horas, por anos, por toda a vida morar no
colo dos olhos, meus.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

NA PAZ DO SEU SORRISO.

Há um suave e doce perfume no ar. Uma paz 
envolta em ondas musicais que me embala cerrando os sentidos, enquanto lá fora um colorido beija-flor constrói na cumeeira da varanda um ninho para acasalar com sua amada. Meus olhos, que há muito não marejam, nem mesmo por essa exuberante natureza, marejam com o pequeno grande feitiço que aos meus olhos a imagem vela.  Beija-flor, primavera e sorriso de Maria.  
Simplicidade atrevida de quem entra sem bater, sem pedir licença e que senta sem que se permita e vai embora na hora que achar preciso. Isto é o que sinto dentro do meu atabalhoado peito. Estas são as imagens retidas no negativo das minhas retinas. 
Momento mágico em que os vivos espargem a vida pelas veias, fogem da tristeza a mangar da morte.
 Maria é tudo isso e muitas outras coisas, mais. 
Só elas conseguem tamanho  sortilégio e entre as qualidades que me calam exalto a fragilidade das mãos vazias de adeus e a fortaleza que sobeja do coração que recebe,  da doçura do olhar da primeira a última vez e a simplicidade com que toca a vida, quer por caminhos virgens ou mal traçados. Seu nome, quimera, não seria outro, talvez nenhum se não fosse Dorvelina, Kelly ou nossa senhora, mesmo sobrescrevendo Klein num berçário quente ou na masmorra fria, nada mais puro, belo ou santo seria, 
senão Maria.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

NÃO MENOS QUE DE REPENTE....

De repente bateu em mim uma vontade enorme 
de dizer que te amo.
De dizer que tu és ímpar por fazer da minha vida o que
ninguém se atreveu. 
De repente bateu em mim uma vontade enorme
de dizer que te amo. De dizer que não pensar em ti seria
como desviar o leito de um rio sem a pretensão de transbordá-lo   na primeira curva. 
De repente  bateu em mim uma vontade enorme 
de dizer que te amo. De dizer que te quero e que o egoísmo
dessa vontade tem sido a alma que me sustenta o corpo, que me empina todas as outras emoções, até aquelas sem as quais eu não sabia que sobreviveria. Sobre tudo e sobre todos; sobre ti, e principalmente, sobre mim.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

EU, DEUS E O PAPA.


A minha religiosidade não está em questão e 
muito menos a minha fé.  Mesmo assim eu quero acreditar no seu deus ou no deus de qualquer um sem a necessidade de espalhar tal fato por aí, até porque, a minha opinião ou o meu modo de viver a vida não melhoraria o mundo em nada e muito menos me faria excelente ou pior do que alguém.
Essa lição a mim foi dada com a presença do papa no Brasil. Durante todo o tempo em que esteve aqui não  falou mais ou menos em Deus e em Jesus do que os frequentadores da igreja que vivem tomando o santo nome do senhor em vão. 
E o fez sem pieguice. 
Ao pontífice importava tão somente um mundo justo e solidário. Talvez a cama do avarento que more num castelo não descanse tanto, como os jornais descansam o mendigo que divide a pequena marquise.
Ninguém passa impune com a ostentação. 
E o papa nos deu essa lição, mesmo que para mim não fosse importante saber de qual religião é soberano. O importante, no entanto, é a mensagem e o exemplo que nos passou.
Quem doa ou divide prova que se importa com o próximo. Não vamos tirar a importância dos que doam tudo para viver como os que nada têm. Importa bastante, mas o que dizer dos que dividem a marmita com quem não  tem o que comer? 
É necessário que se tenha um deus para acreditar. É preciso que se tenha fé para que se possa crer em si e nas probabilidades. Para se acreditar na cura dos males e na vida que nos foi dada.

- Esta foi a mensagem do chefe da igreja ao povo de todos os credos e todas as raças e que também é a minha, mesmo não tendo exemplos com os quais 
eu possa me envaidecer. (Foto da Internet)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

NO LEITO DA VIDA.

           Se tudo correr do jeito que esperamos, a estas horas ele 
estará ocupando um dos leitos do Hospital de sua cidade. Talvez seja para uma simples cirurgia ou para provar que ninguém é melhor ou pior do que ninguém e que morrer é o destino de quem nasce. 
Quando ali cheguei, para chegar as condições da clínica, notei que todos os internos se pareciam e a única diferença entre eles era ser mulher ou homem.  Quando mulher, trazia na face a doçura das mães, da esposa, da filha ou da mulher, mas quando homem, tinha a barba por fazer, pijama largo no corpo e nos olhos o brilho do renascimento. Todos calçavam chinelos e no rosto rasgava o sorriso da esperança. Todos eram solidários com todos e a felicidade de um, como era fácil de ser vista, passava de leito em leito para terminar num sussurro de, amém. Aqui, ou melhor, lá, naquele lugar, todos têm o mesmo tipo, a mesma cor, crença e fé. Todos trazem nos olhos o brilho da primeira vez enquanto a maioria reza por todos os que ali estão. Esse meu amigo, se preciso for, se esconde dos crentes. Não aceita que uma prece por ele seja rezada o que para mim não deixa de ser uma forma de falar com Deus. Do lado dele alguém estará dormindo ou se finge adormecido.  Alguém que nasceu para servir, não para ser servido. Alguém que carrega na alma a doçura de todas as santas e que durante dois dias ali se prostrará sem queixa e lágrimas aparentes. Dois dias desperdiçados de sua vida como pérolas dadas aos porcos e somente a ternura de quem ama não permitirá que o raciocínio entenda dessa maneira, já que a alma regozijará dessa ventura. Pobre amigo e pobre da sua companheira. A fé no bisturi e na certeza da eficácia do seu manuseio, assim como na fácil e rápida recuperação do casal me afofa o travesseiro e me dá a certeza de que no máximo em três dias estará de volta para uma nova história e um imenso beijo desse cara que nem para segurar o choro, presta.