quinta-feira, 30 de maio de 2013

VIVER A VIDA.

Ninguém poderia acreditar que aquele cara trepado no teto do seu carro, Corolla, cobrando das autoridades uma vaga no hospital da cidade para internar um doente de cujo nome nem ele sabia fosse esse cara pacato que mal abre a boca pelas causas  próprias, mas que sofre pelos menos favorecidos e sai na porrada se a injustiça é feita às suas vistas. Este seria um  exemplo a ser seguido.  Muitos têm como resolver problemas difíceis, mas poucos se prestam a descruzar os braços. 
O ser humano não nasceu para viver sozinho e quando tenta vê morrerem os sonhos, os projetos mirabolantes e a chance de amar e ser amado.  Por isso a sociedade com suas regras, seus privilégios e suas obrigações nos leva a respeitar os diferentes e a considerá-los iguais como eu sei que são.  
Eu tenho lido sobre jovens que mesmo na pobreza lutam por ideais. Alguns estudam sem tempo e dinheiro, enquanto outros têm tudo isso e não não atentam para o futuro. Por falar em saber viver com pouco eu me recordo de uma mulher ter comprado  um terreno e nele construído seu barraco aonde viveu com o marido e criou 4 filhos. Hoje essa pessoa é dona de algumas casas que são alugadas enquanto vive os restos dos seus dias em um bairro próspero tendo por perto os filhos formados em faculdades públicas.  Em contrapartida eu assisti a uma cena de deixar cair o queixo. Um velho metido a saber tudo, menos a lidar com dinheiro, recebeu um telefonema de alguém que fingia se passar por seu sobrinho. O velho, boboca, perguntou se era o Emanuelzinho e a voz, é claro, disse que sim e que precisava de 500 reais para rebocar o carro que enguiçara.  O velho seguindo as instruções carregou no comércio mais próximo os cinco celulares cujos números o "sobrinho" passou para ele. Meia hora depois o "garoto", descobrindo a facilidade que teve, voltou a ligar pedindo mais cem reais  e outro celular foi abastecido de crédito já que 600,00 seria  o preço cobrado pelo dono do reboque e não 500 como afirmara antes.  Feliz por atender o pedido do filho de sua irmã, que não via fazia tempo, o velho voltou à casa e dormiu o sono dos justos. Aí é que entra o palhaço poeta dizendo; para que bobo quer dinheiro? 
Voltando ao assunto que me trouxe aqui eu vejo uma garotada sacrificando a juventude para ser alguém. São meninos que não têm tempo para brincadeiras, para namorar, ir ao cinema ou jogar bola. A ideia é deixar para os filhos a vida fácil que não tiveram enquanto abrem mão do básico e do indispensável por um futuro menos difícil.  Futuro que esconde no passado o melhor de suas vidas e isso talvez os tornem frios no exercício da medicina se médicos se tornarem, brutos se policiais ou amargos se na cátedra de uma sala de aula debruçarem os seus conhecimentos. 
 Nem todos os Joaquins Barbosas que se prezam são justos por terem vindo da pobreza. São santos por terem sido resgatados da marginalidade ou são amigos por terem recebido ajuda quando mais precisaram.
Talvez essa diferença seja de fato o divisor de águas, haja vista que as diferenças são, sim, fundamentais pois com elas são possíveis as cores do arco-íris, os dias ensolarados e as noites de lua cheia, o bem que se quer e o mal que nos mata para recomeçar. 
Enfim, um, sem o outro, não tem valor.

sábado, 25 de maio de 2013

ANDANDO RETO COM PERNAS TORTAS

     Ela era jovem, bonita e educada. Trabalhava em uma confecção desde os tempos de solteira e tinha entre os colegas, Jair, que se tornara um amigo e confidente.  
Vera jamais negou que fosse casada, que amava e respeitava o marido com quem tinha um casal de belas crianças e permissão para ir aonde quer que fosse, fazer o que achasse relevante e receber em casa os amigos que mais tarde, também, seriam dele. 
 Como poderia ela, mesmo sendo casada, não se dar conta do charme e do companheirismo de uma pessoa com quem trabalhava há anos e com ela, querendo ou não, acabava dividindo as suas preocupações, suas dúvidas, suas alegrias e seus sonhos de futuro e frustrações do presente e do passado?  Quantas vezes Jair almoçou com ela a convite do marido na casa deles, passou momentos agradáveis e na morte do pai dela ofereceu seu ombro aonde secou seus olhos e suas lágrimas,  disse-lhe as primeiras palavras de conforto e até esboçar um sorriso no rosto dela conseguiu? Quando ela se formou para modernizar a moda na empresa aonde trabalhava, todos a invejaram, mas ninguém ficou tão feliz com a mudança do que Jair, seu colega de trabalho, e para quem não os conhecia, parecia que o marido era ele e não aquele que a levou ao altar num sábado de primavera. 
 E por nada ser eterno nessa vida a felicidade bateu a porta atrás dos próprios calcanhares e foi embora. Partiu no momento exato em que Marcela apareceu.   Ela era jovem e bonita, estava ou era abdominosa, parecia  inchada e  mal conseguia se manter de pé lembrando alguém resgatado de um afogamento tal o encharcado de suas roupas e de seus cabelos.  Os lábios eram de um  branco fora do normal, enquanto o corpo tremia de frio e de medo. Nada que ela trouxesse nas mãos, por pior que fosse seu instinto, rasgaria mais fundo os corações de Jair e o dela como os rasgou ao dizer, entre um trovão e um relâmpago na maior tempestade de suas vidas, que estava grávida e presumia ser Jair o pai do filho dela.
Disse olhando nos olhos do rapaz como quem sussurrasse suas últimas esperanças.   Os estilhaços dessa bomba feriram de morte o casal e o amigo sem que entendessem o gesto descontrolado da criaturaJair, que com ela não transara mais de uma vez, nada disse achando que fosse um blefe Vera e o marido também preferiram se calar. A possibilidade dele ser o pai da criança gerou no casal de amigos um tremendo mal estar enquanto um sentimento muito próximo do ciúme causou no marido a sensação  de estar sendo traído.   
Como ninguém dizia nada o rapaz, sem nenhum constrangimento, abraçou Vera na frente do marido e sem medir as consequências  a beijou de leve no canto da boca.  Os dois se gostavam além da conta e não sabiam. Talvez eles, incluindo o marido dela, não soubessem que Vera e seu amigo há muito se amavam  e essa era a mais pura verdade que teimava em não ser vista.  O casamento de Vera e o atual marido tinha acontecido por vontade dele. Ambos se identificavam e denominavam de amor essa parceria, por isso viviam juntosMarcela,  no entanto, não teve a mesma sorte pois sabia que a pessoa amada não correspondia aos sentimentos que sentia.  
Sem noção do mal que causara e das pernas que não sustentavam mais  o peso da gravidez,  Marcela, mesmo amparada por Jair, mas não suportando o que sentia caiu desfalecida
Uma ambulância foi chamada  para socorrê-la, porém  
Marcela não resistiu e morreu coincidentemente nos braços do homem que amava.  
        Vera e o marido tentavam de uma forma ou de outra se entenderem. Talvez em breve tudo ou nada venha mudar, mas não convém a mim ou a qualquer um que tenha telhado de vidro conjecturar sobre  um futuro cujo final ainda não vislumbra. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ALMAS SIAMESAS.

         No interior do estado o povo festejava o dia do padroeiro da cidade e no calendário daqueles dois não poderia existir  data mais propícia para o primeiro encontro. Talvez, ansiando pelo que pudesse acontecer,  ela tivesse chegado mais cedo e em meio aos passantes buscava o rosto daquele que só conhecia por foto através das redes sociais.  Não tardou para que se descobrissem e correr para o primeiro e demorado abraço.   Ela tremia de nervoso enquanto ele se empolgava como se a festa fosse sua.  Parecia feliz e em cada palavra demonstrava  o grau de satisfação e o encantamento que nele era provocado.   Um beijo ligeiro, talvez desnecessário para o momento, ele roubou dos lábios dela. Depois se deram as mãos e foram em buscaram de um lugar aonde pudessem conversar e enquanto caminhavam ele era examinado nos mínimos detalhes. 
   -Era, como diriam os italianos, um belo ragazzo.      
          Ele pensou em falar sobre a pequena diferença de idade entre os dois, mas achou que talvez ela não quisesse ouvir. Os tempos eram outros e a sociedade não se importa mais com essas bobagem. O que importa, mesmo, é o sentimento, pensava ele confiante a cada vez que se lembrava do assunto. Dali seguiram à casa dela aonde todos os aguardavam. Ninguém falou sobre idade, mas ela fez questão de deixar claro que aquele era um encontro como qualquer outro e nada  além da amizade surgiria entre eles.  Tanto ela sabia o que dizia quanto ele era bem informado, humorado e firme nos seus propósitos.  
           Muitos foram os encontros  e por acharem que um era a outra metade de sua laranja resolveram morar juntos  fazendo da cama do casal o ponto de encontro de todas as noites e de quase todas as horas dos sábados, dos domingos e alguns feriados. 
              Uma cirurgia, no decorrer do tempo, se fez necessária e isso o privaria de fazer amor enquanto convalescesse, mas eles não respeitavam as ordens médicas e se atreviam durante as  noites num sexo louco e até bonito. Hoje tudo mudou. Amadureceram e melhoraram em tudo o que fazem.  Afinaram nas ideias, investiram no que pensam ser necessário e viajam aos lugares mais bonitos. Vivem, os dois, como num conto de fadas trocando abraços e beijos sempre que possível num respeito de causar inveja, mas só isso.  Amor, acredito, já não fazem mais, embora o sentimento da parte dele continue num crescente, enquanto ela já não tem o mesmo fogo. Em vários momentos ele chega a pensar  que ela  já não o ama. Pensa que  se arrepende a cada dia por tê-lo escolhido em detrimentos do trabalho e do estudo. Choroso pelos cantos acredita que não viveria sem o atrevimento dos carinhos que por sinal escasseiam a cada dia, assim como há muito não se sente provocado por seus gestos e a maneira de olhar com os quais terminavam na cama num amor sem limites.             Buscando mais informação para o caso, descobre-se  que ele continua acordando antes dela, mas já não a beija como fazia antes. Não fala o que ela gosta de ouvir para começar o dia, mas fazem juntos, como antes, a primeira refeição,  só que hoje tem o jornal ou o noticiário da TV entre eles o que não acontecia até então. O beijo no canto da boca e o leve sorriso são a forma como ele dela se despede  quando vai à rua. 
Ah, mais que falta faz uma pitada de coragem a esses dois.  Ah, o medo de acabar sozinho é o pesadelo que não passa. Tem vez que ele quer sumir, fugir da vida dela. Voltar pela mesma estrada que o trouxe, mas a covardia não lhe permite tamanho atrevimento. Talvez fosse melhor que ela desse um começo ou um fim a tudo isso, já que voltar ao que era antes não teria como. Discutir a relação não vem ao caso já que nenhuma mulher ou homem quer viver com uma pessoa que cria uma personagem só para agradar, principalmente quando o par fica sabendo que o outro sacrifica a sua felicidade para que a relação não desande. O melhor seria não ter começado, mas como a estrada do tempo não tem retorno, o importante é ele segurar cuidadosamente, porém firme a direção, pisar fundo como fazia quando ia à casa dela e não deixar de apreciar as paisagens do caminho como gostavam de fazer antes de envelhecerem, como envelheceram.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

ASAS DO MEDO.

Eu não podia acreditar que o tropel de cavalos, 
o zumbido de voos, gritos de raiva e de medo assim como o forte cheiro de suor e urina dos animais tirassem de mim os  cobertores naquela madrugada fria   quando a minha casa, sempre tão  protegida, foi invadida por imensos 
  gladiadores da Roma antiga montados em  cavalos ornados de asas que mais pareciam dragões cruzando  espadas no alto,  rente a minha cabeça num 
grande combate pela vida  como nos filmes de Ridley Scott. Cavalos resfolegantes adejavam entre as quatro paredes do meu quarto como motocicletas no globo da morte.  
Um vento empoeirado de pequenas e belas estrelas que lembrava uma chuva de pétalas de flores, dispôs entre mim e aqueles que combatiam, algumas das mais lindas e jovens mulheres e tais quais fada madrinhas fugidas dos contos de criança em suas saias, cada uma, me envolveram no exato momento em que os dragões e suas montarias eram varridos janela afora restando somente a candura do silêncio.  
Ali, até há alguns segundos, parecia uma praça de guerra, um verdadeiro campo de batalha aonde tudo conspirava contra mim a favor do desespero e do medo.  Agora, só o chilrear de filhotes no ninho, um possível arco-íris em plena madrugada e o doce perfume  anunciando fruta madura podiam ser notados
 No instante  que das saias protetoras me livrei, olhei  e percebi na aparência de cada uma um sorriso de procura e de entrega. Uma falsa possibilidade de ter o acaramelado dos meus olhos lambidos por elas corou as minhas faces, porém forças para esconder a cobiça respeitosa ou os meus velados desejos eu não tive já que de coragem ninguém me apelidara.  
Naquele instante um misto de perdão e de medo embaçavam a minha vista num trâmite  entre o homem e o menino. 
Eu ainda estava amedrontado e talvez por isso  confundi generosidade e bondade com libertinagem, e, agradecimento com desejo.    
No quarto nada mais restava  senão  um leve perfume de flores como os que cercam todas as mães e todas as santas o que me fez envergonhado e sem jeito, 
porém envaidecido por protagonizar um sonho com muitos anjos ou um temido, mas simples pesadelo, e nada mais além do frio que me arrepiava.

sábado, 11 de maio de 2013

PSICOLOGANDO

Ela não era mais que uma menina quando 
enfrentou a maledicência dos colegas ao ingressar na
 faculdade e a responsabilidade de um escritório que exigia dela concentração suficiente para extenuar profissionais com mais tempo na profissão.  Em contrapartida, custeava com o seu emprego as despesas pessoais e as do curso de psicologia  que estudou durante  cinco longos anos e com mais dois  
fez  pós-graduação, depois mestrado,  encerrando os estudos ao concluir o doutorado quando melhor se preparou.  Hoje essa mulher, antes, uma criança simples e envergonhada, ministra aulas em duas faculdades do governo na esperança de formar novos professores, quiçá, tão bons quanto os que teve. Mais tarde vai à clínica  aonde encerra o dia atendendo com a sua terapia a quem precisa,  inclusive, aqueles que nada têm além do medo, das noites em claro e da resistência à vontade de viver, e por achar que o trabalho não cansa, mas engrandece o espírito para enobrecer o homem, ainda arranja tempo para curtir com a família os jogos do seu time no maraca, reduto de rubro negros  como ela. Esta é a sina de quem nasceu para o estudo e vive para trabalhar. Seu marido, que curtiu a vida nos seus tempos de rapaz encerra os dias, como ele mesmo diz, cuidando única e exclusivamente para que nada falte, a tempo e a hora, à mulher que escolheu para escrever com ele a sua história. Todas as pessoas que passaram sob o olhar azul claro dessa moça, tiveram mudanças na vida e na forma de vivê-la. Ficaram mais dispostas e até felizes se atrevem  viver. 
Outras pessoas não viram seus problemas resolvidos na mesma rapidez  por não acreditarem que uma mulher que pouco fala, mas fica rouca de tanto ouvir pudesse resolver suas questões, acabar com suas dores e afugentar de suas mentes a tormenta dos fantasmas. 
A falta de fé sempre foi a maior resistência encontrada pelos doutores com relação ao tratamento. O terapeuta precisa ser visto, não como um curandeiro ou um deus, mas como um profissional que dedicou a vida praticamente toda na busca de resultados positivos que levassem os pacientes à felicidade 
almejada e a paz que conheceram. 
-Enquanto essa abnegada criatura não consulta um colega para se manter equilibrada, ela fará de tudo para não pirar, mesmo que os motivos tratados por ela queiram levá-la a isso.
Assim que a última luz se apaga em sua clínica ela não quer saber de outra coisa senão  um banho quente e demorado. 
 Um roupão felpudo que lhe seque os poros  e um marido sorridente que  estenda uma xícara de café fresco à quem saiu com o nascer do sol levando esperanças, e retorna com o mesmo risco de sorriso de todos os dias em seus lábios sob um céu de estrelas e a vibração dos heróis ao retornar à casa.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Take It Easy


Ela deveria tê-lo amado, como disse que amou. Sido 
sua parceira e respeitado como 
jurou que fez, mas deveria tê-lo namorado por mais tempo para que lá na frente, alguns anos depois o aceitasse como seu noivo, encontrasse e mobiliasse uma casa para, aí sim, tentar conviver em harmonia e felicidade que tem vez parece não haverem conseguido.  Eu entendo que a atração que instiga o casal à cama deve ser a mesma que o mantém unido por muitos e muitos anos, mas se  um não conhece o outro o  suficiente, não tem sexo que o ajude nas suas fraquezas, nas suas dúvidas, assim como não exaltará as suas qualidades para admirá-lo naquilo que melhor domina, e aí 
a coisa fica feia.
Viver sem a necessidade de  explicar  seus atos, sem ter que dividir o que é seu ou precisar pedir ajuda ao companheiro é fácil, mas viver a dois é complicado, é difícil e quase impossível.  Quanto mais  tempo durar o namoro, que é um dos melhores momentos para um conhecer o outro na intimidade, melhor será para a família que se quer formar. Quando em uma discussão o marido ou a mulher cede, o casamento vai  bem, mas se ambos têm ideias próprias e um não vê com bons olhos a opinião do outro, aí fica difícil.  Mesmo sabendo que algumas discussões levam a um denominador nem sempre comum é preciso conversar, mas se a constância do debate desgastar a convivência, nesses casos o bom, mesmo, é sustentar o casamento como está, mesmo que a ida ao teatro, ao cinema, assim como aos jogos de futebol no maraca e os papos sobre política, religião e comportamento, tenham que ser feitos com pessoas que pensam como você, que rezam na mesma cartilha ou a separação será anunciada através de uma fumaça branca e leve fugida de uma chaminé ao longo de suas vidas. Não podemos e não vamos

 esquecer que toda a separação é traumática. Sofre muito quem vai embora e sofre mais quem manda ir. Ela, por isso, deveria ter tido calma e não acreditado que o tempo passa com a velocidade dos coriscos, mas acreditar naqueles que lhe dizem 
que as tartarugas, as lesmas e as preguiças são tão felizes quanto os outros que sem correr buscam pelos seus objetivos, isso sim é indiscutível.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

PERIGOSA.

  Ele a viu por duas ou três vezes, mas 
o suficiente para um cara de meia idade e bem resolvido no social e no profissional perder o rumo e sair do sério. Ela, uma bela e jovem mulher, possivelmente casada e quem sabe, com filhos,  provocava a libido masculina e o ciúme das mulheres com  a maneira ousada de se  vestir e de caminhar. Neles despertava  todos os tipos de desejos e fantasias, inclusive  naqueles que se diziam fiéis, senhores de si, como essa pessoa pensava que era.  Ontem ele caiu na esparrela por se dar ao desrespeito de querer concretizar  no imaginário tudo aquilo que, com ela,  fazia  durante os   sonhos.  Eram momentos moravilhosos, únicos,  em que ele a  enxergava com pouca ou nenhuma roupa dançando para instigá-lo.  Sonhos proibidos, perniciosos e  do transe não tendo como despertar deixou-se viajar numa espiral como o barato de uma bebida forte, um cigarro proibido ou um vício que o aprisionava. O sujeito em questão  imaginava que ela estivesse ali, de camisola  branca, transparente ao lado dele, e num momento de fraqueza ou descuido da parte dela  a  beijou na boca demoradamente, no pescoço, por entre os seios e por não encontrar resistência que o detivesse afundou a cabeça por entre  suas grossas  pernas  aonde  permaneceu até que, tal qual uma serpente que espreme contra si a presa até matá-la,  a viu  render-se  com um  grito rouco  ao mais longo e alucinante de todos os orgasmos que já tivera para se prostrar, lânguida, aos pés do seu algoz logo depois.
-A história que a mim foi confiada molhara o ventre e a roupa de cama do cara que despretensioso  pensava nela enquanto se tocava com suaves, mas precisos movimentos  sem se dar conta  das consequências que as carícias provocariam,  a não ser, é claro,  quando uma nova explosão o fez por terra.  Ele estava exausto, mas não derrotado. As horas venciam o seu corpo com o cansaço, mas enquanto da mulher, ele  se lembrava, mais uma de suas mãos acelerava naquilo que fazia  levandopulsar  o apêndice que não fraquejava mesmo que as sementes novamente semeasse.
 A ninguém, pelo menos lúcida, essa pessoa confessaria uma insanidade dessa natureza, a não ser que ela fosse um ser normal, como todos os homens sabem que são.