segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

TREM DA ALEGRIA.



Como num passe de mágica todos, principalmente os homens, abriram espaço para ela entrar. Morena,  alta, falsa magra. Pernas longas e roliças, saia curta como a blusa que amarrara na cintura. Óculos de sol no alto da cabeça prendendo os cabelos jazidos, negros,  sobre os ombros. Ocupou  o lugar que achou melhor enquanto todos, principalmente os machos cafajestes, dela se acercaram e no primeiro balanço do vagão, todos aqueles que se atreveram conseguiram tocar naquele corpo macio e cheiroso de mulher.  A cada freada e em cada gingar da carruagem todos os atrevidos se arrumavam naquele pasto tocando com a sua cintura a cintura dela e com os cotovelos os seios da mulher. Todos suavam e com isso se molhavam no balanço do trem, mas dela não desprendiam os corpos se a locomotiva se mantinha em movimento.  Os que se atreviam gozavam o privilégio de tão bela companhia enquanto os outros, invejosos, descarregavam no olhar a sua ira  enciumada.   Fim da linha, fim da festa.  Na plataforma a moça ajeitava a saia enquanto os que a provocaram cobriam, do jeito que podiam,  o molhado de suas calças, quem sabe provocado pelo suor que a fricção daquele corpo nos seus corpos provocou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

TRISTE REALIDADE.



É difícil lidar com algo que você desconhece, que 
jamais ouviu falar. Todos temos o direito de expressar nossas vontades, nossos desejos, falar dos nossos sonhos e  de nossas fantasias, mas falar da própria fraqueza poucos se atrevem. 
Talvez não a confidenciamos ao melhor amigo por vergonha, 
medo ou quem sabe, por desconhecer o tamanho desse fantasma.
  É, no entanto, muito triste você, conhecedor de 
todos os labirintos da alma, abordar uma pessoa e impor a ela as razões que a 
tornam amargurada,   introspectiva ou derrotada se você acha que ela é. Todos os estudos nesta área especulam atravéz das aparências, dos sintomas e das palavras com as quais o 
analisado se expressa, mas
 faz-se  necessário que respeitemos e admitamos existir  as exceções, as pessoas que parecem, mas não são, assim como não sabemos nada ou pouca coisa dos que coisa nenhuma deixa transparecer, mesmo que sofram de todos os distúrbios que, maquiados, deixamos de reconhecer.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

ÁLCOOL NA VEIA.



                   Talvez eu estive mesmo, embriagado.  Talvez eu devesse ficar e passar o resto da noite em companhia
deles, mas por achar que havia um quê de pecado naquele convite eu achei melhor não dar corda às minhas divagações, e por isso  eu liguei o carro e contra a vontade dos dois bati a porta, acelerei e fui embora. Deixei para trás um casal de amigos que pretendia, disse-me ela sussurrando, dividir a cama com nós três. Eu, velho frequentador dessas praias,  sabia que ela comandaria o espetáculo deixando o marido, meu amigo, boquiaberto na coxia, fora de cena.  A bebida, principalmente o destilado que escolhi para tomar, me dava direitos, até então por mim desconhecidos, como as chaves das portas que me levariam a lugares por muitos pretendidos como a uma mesa farta e uma cama grande, limpa e perfumada. Na minha ausência muitos criticaram o meu comportamento.  As mulheres me defendiam enquanto os homens me apedrejavam. Só um cavalheiro se permitiria ir embora para evitar o constrangimento e a discórdia entre o casal que o convidara,  diziam as senhoras de boa fé enquanto os homens me taxavam de bobo, de covarde e até de brocha me chamaram.   Ninguém, no entanto, ficou sabendo que  antes da despedida eu esbarrara com a dona da casa na saída do banheiro. Ela, 25 anos, recém-casada com um dos meus melhores amigos, bonita e gostosa o suficiente para mandar em qualquer homem que a tivesse por mulher me espremeu no aperto do corredor mais por vontade dela que deixou um peito fugir do seu decote para se esconder nas minhas mãos.  É claro que eu gostei do descuido dela até porque eu gosto de tocar a pele e os outros órgãos da mulher, assim como não deixo de procurar na minha aquilo que me faz grande e feliz.  Finalmente tudo ficou acertado.  Eu nada disse contra ou a favor da exuberante mulher  
do meu amigo e contra  ele 
eu não tive nada para declarar. (Foto da Internet).

sábado, 12 de janeiro de 2013

VÃ FILOSOFIA...


              Quisera eu saber em que lugar da minha vida social, profissional e amorosa  encaixo as frustrações que algumas pessoas, pelo que eu fiquei sabendo, dizem que tenho. 
           Entende a psicologia que  o comportamento de um frustrado, de cuja classe parece que eu faço parte,  pode se manifestar mais precisamente na forma dela se fazer de vítima como defesa, de provocar adiamento das responsabilidades ou cobranças que lhes são feitas, de se esquivar com sua teimosia, seu ressentimento, animosidade, ou ainda, na forma de repetidas falhas intencionais para retardar ou impedir a conclusão das tarefas ou pedidos   pelos quais a pessoa é responsável. Quando isso não funciona, outra "solução" normalmente adotada é uma "regressão" (inconsciente, consciente ou velada) a um comportamento infantil e mimado, geralmente visando comover ou sensibilizar terceiros através de algum tipo de apelação emocional, e, como eu acho que não me enquadro ou me enquadrei, mesmo que fosse na minha juventude em quaisquer dessas referências, continuarei sem saber em que lugar da minha vida devo encaixar as frustrações 
que eu deixo perceber.