quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

PALHAÇADA.


               O verdadeiro palhaço não precisa se vestir  com roupas 
coloridas ou pintar de alegria a cara. 
O riso que nem sempre ascende aos lábios cuja boca diz o nome da mulher que ama, dita respeito aos filhos e da fome que o aflige quando está  desempregado ou a plateia fica ausente é, em cada espetáculo, a sua ferramenta de trabalho. 
Palhaço não deve choramingar se sorrir é o seu ofício. Palhaço que erra, mas acerta quando reconhece que errar é engraçado. Que viaja à outras terras em busca do sustento e chora às escondidas a cada não. Que baixa a cabeça se está triste e mesmo sem saber 
faz rir ao ser reconhecido no caminho aonde passa. 
Palhaço que ama com facilidade, mas se sentir amado só com muito empenho.  A gente não ama um palhaço pela pessoa que existe nele, mas pelo que ele consegue causar na gente.  Palhaço não fala sério, mas se acerca da verdade se quiser pagar as próprias contas, criar e educar seus filhos e convencer que ama uma 
mulher sem que ela dê risadas.
O palhaço não é obra do homem, mas do eterno grafiteiro que picha na alma da gente os doces momentos que a gente leva.
Eu jamais daria vivas ao palhaço pelas cambalhotas, pelo carpado duplo sem rede ou pelos risos que ele causa, mas pela esperança refletida nos olhos da  criança e a saudade que escorre em lágrimas na face dos mais velhos. Nesses momentos, sim,  eu me vejo de pé batendo palmas.
(Imagem cedida por Irmãos kyoskys)