sábado, 23 de novembro de 2013

QUANDO SE TEM AS RESPOSTAS A VIDA NADA NOS PERGUNTA NADA.

Pare e limpe as lentes.  Olhe a natureza com olhar de
 lince, sorria,  comente. Pergunte ou fale sozinho sobre aquilo que vê ou acha que conhece. 
Dê bom-dia ao dia antes que escureça. 
Tente lembrar o nome de alguém que pediu a sua ajuda e por falta de tempo ou de parar para pensar você não entendeu. Tente lembrar o dia que você chorou. Um momento no passado distante quando alguém, mesmo sem se dar conta do que fazia, tirou você no nada e lhe deu o nome do qual se honra.  Ria da vida se tiver motivos ou escarneça se não tiver, mas não se esconda quando tiver medo, porque chorando o medo passa ou dele você esquece.  Viva a vida intensamente da maneira que souber. Lamba os lados, adormeça de frio a língua se ela dança em torno dos pingos para não perdê-los, e se não souber do que eu trato, lamba de vagar a vida, pelo meio, pelas pontas. Passe o órgão pelas bordas,  pelos lados e lembre-se de não jogar fora a casquinha que de tudo é o melhor bocado.  
Sinta o frescor das manhãs com os cabelos expostos ao vento, mas  viva sem pressa, lambendo o adocicado que sobra das madrugadas, já que o tempo provoca tontura com o giro que faz girar a vida. Tire folga por um dia, duas ou três vezes por semana. Pegue os “velhos”, as crianças e saia, vá à praia, corra na areia ou suba à serra para orvalhar a alma.  Só não se deixe ficar aonde o cansaço e as obrigações o abracem a cada momento, cada vez mais forte.
Hoje eu me lembrei que há pouco tempo eu disse adeus a um amigo e por isso fiquei sem fome, fiquei sem sono, mas fiquei com medo. 

Eu me recordo que esse amigo nunca foi à praia, não saía com as crianças, enquanto os seus velhos viveram e morreram na distância, não naquela das lembranças, mas longe no interior de um outro estado. 
Ele era o irmão mais “moço” da minha mãe, que se trancou no compromisso do trabalho e da formação dos filhos. Foi embora e levou consigo aquele olhar furtivo que entre poucos risos falava do amor que nutriu pela menina da serra, mulher do seu sobrinho o que muito me orgulhava.
Eu queria ter tido mais tempo, queria que ele não tivesse sido o amigo de tão poucas horas, como foi. Que tivesse tido a vida que todos merecemos, com trabalho, eu sei. Mas com tempo para os amigos e parentes que hoje choram num abraço que poderia ser de festa, mas é de tristeza pela falta que ele faz.
Não cursei uma faculdade que diplomasse o valor da perda e da saudade, por isso as palavras me fogem e nada mais eu saberia dizer.

- Descanse em paz, meu tio. Valeu o pouco tempo que tu tiveste para nós dois. Tempo enriquecido pelo carinho que tu tinhas pela moça dos olhos verdes e por sua filha que gostavam tanto quanto eu gosto de ti.