segunda-feira, 21 de outubro de 2013

VERDE DA COR DO MAR

         
A velhice é a pior de todas as  doença, já dizia 
o jovem  palhaço poeta entre uma cambalhota e u'a mão cheia de versos. 
Certa vez um de seus amigos  foi convidado por uma firma cujas finanças não iam bem das pernas para escrever suas crônicas, contar seus casos ou narrar histórias como faz no blog de sua responsabilidade ainda hoje.  
Depois de um ano se fazendo conhecido através do seu trabalho a coluna se tornou, na empresa, assunto de todas as conversas. 
Dois anos após ter firmado o compromisso, o então amigo do palhaço poeta, se empolgou com uma psicóloga, senhora de bons modos, cultura e capricho esmerado,  chegando a se esquecer de todos os seus compromissos, até do responsável pelo pão  de cada manhã o pobre diabo se esqueceu. 
Pensar nela tomava todo o seu tempo, disponível ou não.  
Com nada além disso ele se importava. 
O cara em questão permanecia embasbacado e nada melhorou depois de avistar o tapete verde água por onde a moça desfilava a sua beleza e o seu bom humor. A raridade dos seus olhos verdes transformava em esmeralda o alvo do seu olhar e ele se sabia visto por ela. 
O toque da campainha, no entanto, despertou do sonho o amigo do palhaço. Era o funcionário da floricultura com uma braçada de flores e um cartão onde se lia;    no momento crucial de nossa firma você esteve ao nosso lado com suas palavras de conforto e de esperança. Era seu amigo o palhaço cujo riso na cara de cada funcionário e filho ele riscou e para isso nada você nos exigiu. Versos chorados, rezados, comemorados foram ditos, lidos, quiçá vividos pelos funcionários e seus familiares através da voz de quem, sem perder com os olhos cada um dos espectadores  nada nos cobrou. Talvez o palhaço de quem você tanto fala e se orgulha tivesse morrido de vergonha e coberto o próprio corpo com as flores dadas à você, com essa homenagem, mas também poderia ser pretexto para uma bela e nova história, talvez a mais verdadeira, haja vista a melhoria dos balancetes no momento. 
Assim foram os dias  na vida do amigo apaixonado, na vida da companhia que retorna ao seu normal e na vida da gente que o lê e o segue caminho afora através do blog ou fora dele como a cria segue a mãe em plena segunda-feira e em todos os outros dias.