terça-feira, 15 de outubro de 2013

ONTEM, PARA QUEM NÃO DORMIU JÁ FOI AMANHÃ...


Era uma tristeza diferente, sem introspecção e sofrimento. 
Talvez decorrente de um amor calcado daqueles que arrebatam sem nos desobrigar das pequenas mentiras e das belas  poesia, 
elementos indispensáveis no relacionamento entre um homem jovem e uma mulher recém-chegada da puberdade. 
Tinha ele no emaranhado de veias  o sangue dos guerreiros. A justiça dos menos  favorecidos e um amor de dar inveja a Romeu e sua companheira. 
A pergunta não queria calar; como alguém em sã consciência poderia amar um forasteiro sem eira  nem beira, lutador de todas as lutas, inclusive daquelas nas quais o cavalheiro de beca, capelo e  diploma se acha pronto a engendrar caminho para os seus pés e mesmo assim escolhe, entre tantos possíveis e aconselháveis, aquele que não o levará a lugar algum além da poeira de todas as estradas? 
A pergunta não calava porque a resposta não ouvia. 
Para que tanta virtude, tanto estudo e tanto amor se os caminhos que ele mesmo traçou não o levou à fama ou a fortuna, além dos braços frágeis de uma pobre donzela?
Donzela pobre. Donzela como todas elas. 
Donzela bonita e cheirosa. Vestindo flores, calçando rosas. Sorrindo a brancura da luz da lua e o calor dos raios do sol. 
Donzela feiticeira. Donzela querida e desejada como só ele e ela sabiam, porém ela, somente ela, se permitia ser.