domingo, 1 de setembro de 2013

PEDRA, VELHA AMIGA DO ARPOADOR.

        
Há horas me deixo quase abandonado no alto da 
pedra aonde suave o mar lambe os pés da rocha. Enquanto eu, na imensidão à minha frente, sinto se perder o meu olhar na procura de quem não veio. Vagam-me na distância dessa calmaria as lembranças mais remotas deixadas por alguém em mim. 
Beijos molhados, abraços apertados enquanto um 
choramingado de gata arredia escapa do adocicado dos seus lábios. Cio de bicho adestrado, carinho de flor de cativeiro. Perfume de mulher bonita, acaboclada, e o futuro duvidoso, incerto de um orgasmo não gozado enquanto o rosto cicatrizava.  
Entretanto eu estou certo da saudade e do sofrimento que me tomam à esta agonia. Talvez por isso eu venha tantas vezes ao mesmo lugar. 
Venho como  vêm e voltam as ondas a procura do que não falam. Já eu não desisto de sonhar em tê-la nos meus braços de volta das águas salgadas adocicadas que o vento borrifa na minha cara no alto das pedras desse velho  Arpoador para onde eu volto sempre que fico triste.