sábado, 28 de setembro de 2013

NÃO É VERÃO?



Uma brisa perfumada e suave,
como os passos de um gato, 
invade o meu quarto induzindo a cortina a cariciar minha pele.  
Escorro os meus olhos do teclado e como que acordasse de um sono profundo vazo ao alpendre a  tempo de  ver o desabrochar das flores prenunciando uma nova estação.  
É primavera...
Parece que foi ontem quando o frio, para se agasalhar, bateu em  minha porta, e  anteontem eu colhia no pé os frutos do outono.
- Como passa o tempo.  Meu Deus, como o tempo passa!  Na semana passada eu brincava de bola de gude, soltava pipa, rodava peão e detestava ir à escola.  Mentia para minha mãe que ligeira como um corisco me alcançava e sem que eu me desse conta, me puxava as orelhas.  
Ontem eu tentava fugir dela.  Hoje são os meus filhos que conseguem escapar de mim.
 Quanto aos amigos que eu, moleque, não sabia brincar sem eles, todos pulam corda, jogam bola e fazem farra na minha memória.  Mas aqueles, cuja presença o destino mantém ao meu lado, estão, neste momento, penteando os cabelos, escolhendo a melhor de suas roupas, pondo na cara o mais alegre dos sorrisos enquanto decoram o discurso que fala da amizade extremada e do companheirismo exacerbado para dizê-lo no momento dos beijos e dos abraços que darão  nesse cara de choro fácil, que aniversaria por esses dias, e que traz na pele  o perfume das pétalas, o aguçado dos espinhos, confesso, mas não perdeu a sensibilidade dos botões.