terça-feira, 17 de setembro de 2013

FILMES E PIPOCAS


        
      Preocupado com a hora do embarque despediu-se
da mulher que acenava da varanda uma despedida triste enquanto a lágrima se insinuava em viés no rosto dele.
  Nada o deteria distante dos olhos dela além do compromisso acertado com a empresa de onde voltaria  aos braços da mulher por quem tanto respeito e amor nutria.  
Fez sinal, subiu e viajou no primeiro táxi que passou para embarcar  num voo rumo a Curitiba, cidade aonde a firma que o contratara  para uma urgente auditoria  estava situada.   
Andréa, sua esposa, já estava acostumada com as viagens do marido e para não ficar sozinha mais aquela noite, convidou Ritinha, uma amiga que morava num apartamento em frente ao seu para ficar com ela. O que foi aceito de imediato e para acelerar os passos do tempo a mulher pediu ao marido que alugasse uns filmes numa locadora próxima, antes de partir. 
Ritinha foi acompanhada de seu novo namorado a quem Andréa foi apresentada.  Ambos chegaram no instante em que os filmes eram recebidos.
Andréa despachou o mensageiro e colocou um baldo de gelo junto a um doze anos reservado a momentos especiais como achava que fosse aquele.  
Serviu-se e levantou um brinde aos dois amigos para num
gesto único engolir a dose. Ritinha completou o copo da amiga, encheu o do parceiro que brindou a nova  amizade.  Como as duas fizeram antes, também não respirou quando jogou  goela abaixo a porção que lhe cabia. 
Não precisou muito tempo para que todos estivessem à vontade e  qualquer coisa era motivo para um brinde.  O jovem, que logo se enturmou,  completou os copos e brindou o sucesso do dono da casa que se fazia ausente.  Fez uma mesura e tomou uma talagada da bebida pura.
Quando a lista dos que mereceram a honra dos brindes  teve o último nome declinado foi que se lembraram dos filmes, mas  faltava pouco para esvaziar o litro, por isso resolveram brindar a dona da casa com direito a discurso, a beijos e abraços.
Ritinha soluçando o prenúncio do choro se jogou nos braços da amiga. Dizia, arrastando a voz, que ninguém gostava dela e que o mundo não a compreendia. 
Albeir sugeriu levar a namorada para casa, mas resolveram deixá-la descansando no quarto esperançosos de que logo a coisa melhorasse.  Os dois voltaram à sala e Andréa pôs o filme para rodar enquanto o jovem abria uma cerveja. Andréa bateu de leve um copo no outro brindando o momento, mas Albeir, contra a vontade aparente da garota a tomou nos braços, beijou-lhe a boca e a levou ao quarto aonde a outra, descansava.  
Ao som da trilha musical do filme que adentrava ao quarto e a liberdade que a bebida oferecia, ambos se entregaram aos amassos e aos beijos para ensandecer  no quarto aos gritinhos e sussurros, suor e prazer.
O celular de alguém acordou a todos e cada um, escondendo os olhos da claridade, não ficou sabendo o que a bebida e a viagem de Antônio causara aquela gente que acordou cansada e suada  numa desarrumada cama de casal que cheirava amor.(Foto da Internet)