sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ESSA DROGA ME ALUCINA!

Ela dizia, mas não deixava de pensar nela.


Como se tivesse a fome das baleias o trem do metrô do Rio ia engolindo 
cada estação da linha-1 com a mesma rapidez que a felicidade passa em nossas vidas.
Ele, no entanto, o jovem sentado no outro lado do vagão não tinha destreza semelhante, já que as balinhas Halls que ele levava à boca, assim como a forma de tirar o prazer de cada uma, lembrava em muito a agilidade das tartarugas em dia de corrida.
Como em um filme projetado na janela a minha frente
as imagens iam passando com o vazar do trem e mesmo assim  não conseguia esquecer a minha hora com o dentista.
Aquele cara, ali, sentado, no entanto, não arredava os olhos das minhas pernas enquanto da bala tirava o doce mistério, o que me levou  a lembrar que não basta apenas chupar a bala para se ter o prazer total,
mas também a parte íntima da pessoa amada e assoprar levemente a cada movimento da língua e só assim o ar refrescante atua e a gente vai à lua, ao céu ou ao inferno, sei lá. Eu só sei que vou quando pensam que sou bala e me sugam de vagar, de preferência sem o celofane.

E o cara a minha frente chupava assim, com jeito e sem pressa.  Chupava não como um menino que poupa para durar mais.  Mas com a malícia dos machos provocantes querendo torturar.  Quem não conhece a bala Halls, preta como um dos melhores, senão o melhor acessório energético, possivelmente erótico, que um cafajeste  de boa formação tem na hora do amor? Quem?  
E a minha boca encheu-se d’água perdendo a secura que trazia e ficou molhada, não pouco, mas, muito molhada ao passo que os meus pelos se arrepiavam a cada cambalhota  que o cara dava na bala com sua língua ágil e gostosa, quer dizer, deve ter ficado gostosa com o doce que havia nela. 
Eu tinha certeza de naquele momento estar me comportando como uma donzela da primeira vez, se eu mantinha as pernas bem fechadas e apertadas uma na outra para que um possível molhado que a bala tivesse produzindo em mim não me denunciasse na hora de sair.  
E essa hora chegou.  Chegou e nos levantamos os dois ao mesmo tempo.  Ele saiu primeiro e logo me senti atraída pelo cheiro de anis que aspergia dele ou o frescor da bala, quem sabe pelo que ela poderia produzir em mim? Quer dizer, na gente se nós marcássemos de chupá-la juntos. 
Demonstrando ser um cara comum, não um mago feiticeiro, estancou na minha frente como que ouvisse os berros dos meus pensamentos e me surpreendeu com aquele mimo quadrado embrulhadinho num transparente celofane.  
Eu quero a da sua boca, tive vontade de falar, mas sorri em resposta ao sorriso dele e aceitei o presente. Eu queria falar mais, saber mais, me oferecer mais, não no sentido pejorativo, porém mostrar as minhas qualidades e intenções  para tirar dele possíveis mal-entendidos ou festejar com ele o prazer que eu sei que dou e aceitar da sua parte o que ele demonstrava ter de melhor para uma mulher.

21 comentários:

  1. Eita sexta-feira quente!
    Ô bala boa!
    Li p texto, mas comentar
    de fato agora não posso.
    Lerei mais tarde
    com calma
    antes da queimação
    e quem sabe,
    deixa pra la.
    Eu volto,
    combinado.
    Bjins de sexta-feira.

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  2. ISTO! YES...POETA. É DISTO QUE EU FALAVA, CONHEÇO VOCÊ SEI DO EROTISMO QUE VOCÊ CONSEGUE CRIAR COM UMA SIMPLES BALA HALLS. UI! FIQUEI IMAGINADO O BEIJO E A TROCA DE SABORES. PARABÉNS HOMEM DE TODAS AS FACES...VOCÊ TEM O DOM NATO DE CRIAR A MAIS BELA POESIA, E NOS LEVAR AO DELÍRIO QUANDO DEIXA A VEIA DO EROTISMO FLUIR. SEI QUE SEU BLOG É DE SENHORAS RECATADAS. MAS UM POETA E ESCRITOR É LIVRE. E LIBERDADE É VOAR NA IMAGINAÇÃO. BEIJOS

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    1. Meus Deus, como essa
      mulher fica quando se
      fala besteira.

      Yohana, você é minha
      amiga. Por isso eu falo
      o que acho e penso na
      intenção de mexer com
      você.

      Beijos.

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  3. ...pronto!!! agora o estoque de Halls nas gôndolas dos bares e afins já se esgotou diante desta 'propaganda' repleta de nuances deliciosamente excitantes! aiaiai!!!!...adoro halls!!!

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    1. Esgotou nada, criatura.
      Quanto mais se quer, mais
      se fabrica e se não vai com
      o frescor da hortelã, vai
      com o poejo, mesmo.

      Beijos aromáticos.

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  4. Imaginação deliciosa Palhacinho.
    Adoro ler-te quando posso. Um beijo querido.

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  5. Hunn,...
    essas delícias
    acontecem
    assim..
    e sua "personagem" aposto que
    não precisaria fazer nada além, pois
    é certo que
    dizem que ela anda como quem tem
    musica na cabeça.
    Imagino a cara dela andando assim e
    sugando o sabor da balinha.
    Ai ai...
    Bjins

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    1. Por que fez isso?
      Agora fiquei curioso...

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    2. Você Curioso?
      Até parece.
      Bjs e lindo domingo
      pra nós todos.

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  7. Com certeza eu embarquei nessa viagem. Só que fiquei com vontade de conhecer um cafajeste, pois ainda não sei os efeito da bala halls... Adorei!

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    1. Aguarde que bons ventos
      soprarão os seus cabelos
      e beijarão seu rosto.

      silvioafonso.

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  8. Eu tenho balinhas halls, sabor cereja, na bolsa. Mas eu prefiro saborea-las.

    Beijos

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    1. A Extra forte também
      deve ser apreciada
      quando degustada. Melhor
      em companhia de quem
      a gente gosta, né mesmo?

      Beijos.

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  9. rsrs boa tarde Silvio.. tá ai algo que nunca imaginei uma descrição das balinhas que sou fã tb rsrs.. muito boa criação meu amigo um lindo dia

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    1. Samuel, você sabe qual
      é a maior qualidade que
      eu vejo em você? É que
      você diz coisas que a
      gente gosta de ouvir,
      cara.

      Um abraço e obrigado.

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  10. Amigo poeta , confesso sou sua fã faz texto divinos com
    uma simples palavras .
    Eu conheço você a algum tempo sei da capacidade
    exemplar de criação .
    Isso é simplesmente divino.
    Lindo final de Domingo.

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  11. Engraçado como a partir de uma simples bala (rebuçado aqui para nós em Portugal... e talvez por isso muitas vezes se diga que a pessoa fica em "ponto de rebuçado"...) se consegue criar um texto tão ternamente sedutor e sensual.
    Detesto rebuçados por acaso, nunca achei piada em homem a comer rebuçados, mas quem sabe um dia...!
    Gostei muito do texto. Você escreve de forma muito bonita acerca do desejo, a partir de situações muito simples.
    xx

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  12. Boa noite Silvio.
    E o que dizer mais, acho que
    todos aqui já conseguiram transmitir
    o que seu texto, aliado a tal bala Halls,
    repercutiu de forma intensa e sensual
    a cada paladar degustado aqui...Sem mais
    palavras, acrescento...Adoro Halls preto!
    Realmente e uma droga que vicia, pois experimente
    tomar com agua gelada...Arrepia!

    Abraços e parabéns pelo texto bem escrito.

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