quarta-feira, 25 de setembro de 2013

BALA HALLS EXTRA FORTE

  
Eu não acredito que o sucesso das balas que  mencionei 
no  texto anterior esteja na alucinação refrescante e aromática que a menta, a hortelã e o poejo causam, e muito menos no doce refinado ou no formato rebuscado dos cubinhos amarelados, meio transparentes.  Acredito, sim, que a vontade de impressionar tatua na pessoa amada a evidência dos nosso passos proporcionando naquele com quem compartilhamos nossas mazelas, nossas dúvidas e nossas possíveis alegrias um momento de exacerbado delírio.
 Por que não dividir o  prazer e o pecado com quem se fecha como um caracol se estamos tristes e se abre em flores tal qual a primavera se esboçamos um sorriso de alegria?
 Não me importa a dimensão que venha ter essa euforia porque  
nada que nos levar ao amor será considerado como execrável, odioso, nefando ou proibido. 
Tudo é válido se não ofende, não degrada ou transgride. 
 Assim tem sido com os drinks que estimulam a criatividade como acontece com a bala  que alguns, mais atrevidos, garantem proporcionar prazeres que acreditam incalculáveis.
      Alzeir de Alcântara - por morar naquele bairro, me garante levar a companheira de tantos anos à loucura pelo menos uma vez por noite.  Diz ele que tritura um  tablete de bala extra forte com gelo no liquidificador.  Acrescenta  meia garrafa de vodka, meia lata de leite condensado enquanto a mulher toma banho. Em seguida serve a bebida  e caso uma gota arredia escape dos lábios de sua amada ele não titubeia, caia de língua na parceira, porque um momento de rara beleza como esse, segundo o cara, meu amigo, nada é feio ou faz vergonha. 
Depois, ambos nus e provavelmente manguaçados, fazem um brinde entre eles e partem para o ato final que, segundo a vizinhança, vara madrugada adentro deixando no ar aquele cheiro de almiscar, loucura, hortelã e anis.