sexta-feira, 2 de agosto de 2013

NO LEITO DA VIDA.

           Se tudo correr do jeito que esperamos, a estas horas ele 
estará ocupando um dos leitos do Hospital de sua cidade. Talvez seja para uma simples cirurgia ou para provar que ninguém é melhor ou pior do que ninguém e que morrer é o destino de quem nasce. 
Quando ali cheguei, para chegar as condições da clínica, notei que todos os internos se pareciam e a única diferença entre eles era ser mulher ou homem.  Quando mulher, trazia na face a doçura das mães, da esposa, da filha ou da mulher, mas quando homem, tinha a barba por fazer, pijama largo no corpo e nos olhos o brilho do renascimento. Todos calçavam chinelos e no rosto rasgava o sorriso da esperança. Todos eram solidários com todos e a felicidade de um, como era fácil de ser vista, passava de leito em leito para terminar num sussurro de, amém. Aqui, ou melhor, lá, naquele lugar, todos têm o mesmo tipo, a mesma cor, crença e fé. Todos trazem nos olhos o brilho da primeira vez enquanto a maioria reza por todos os que ali estão. Esse meu amigo, se preciso for, se esconde dos crentes. Não aceita que uma prece por ele seja rezada o que para mim não deixa de ser uma forma de falar com Deus. Do lado dele alguém estará dormindo ou se finge adormecido.  Alguém que nasceu para servir, não para ser servido. Alguém que carrega na alma a doçura de todas as santas e que durante dois dias ali se prostrará sem queixa e lágrimas aparentes. Dois dias desperdiçados de sua vida como pérolas dadas aos porcos e somente a ternura de quem ama não permitirá que o raciocínio entenda dessa maneira, já que a alma regozijará dessa ventura. Pobre amigo e pobre da sua companheira. A fé no bisturi e na certeza da eficácia do seu manuseio, assim como na fácil e rápida recuperação do casal me afofa o travesseiro e me dá a certeza de que no máximo em três dias estará de volta para uma nova história e um imenso beijo desse cara que nem para segurar o choro, presta.