sábado, 6 de julho de 2013

RAÍZES DA PSICOLOGIA.

              Não é difícil ouvir pessoas vividas dizerem que tiveram uma infância dura e sofrida e que de forma algumas desejariam que seus filhos passassem pelo que passaram.   Esses pais se lembram que cedo, ainda criança deram início a vida de responsabilidade e trabalho como forma de colaborar com as despesas da casa. Muita coisa, inclusive as indispensáveis,  faltaram a eles na infância e só as privações eram comuns na casa onde moravam.  Foi bastante dura aquela fase, diziam um tanto amargurado. 
                As mesmas  dificuldades não desejavam para os filhos e tudo fariam para que não passassem pelo que passaram. E não passarão, prometiam desviando os olhos para o chão. Por isso quando vão à escola gastam o dinheiro que recebem para a merenda com o que não é saudável, mas fazem o que escolheram fazer e não o que os pais lhes impusessem, já que nasceram e cresceram sem conhecer dificuldades e problemas.  Ao entrar de férias são levados à lugares que os pais jamais sonharam e lá brincam, se divertem sem que nada lhes falte, pois só assim não se sentirão frustrados, decepcionados ou inferiores. Trabalhar ou qualquer outro sacrifício, deles não é exigido, mas recebem mesmo assim o que desejam ou os pais acharem que precisam. 
           Tão logo me dei conta que pais agem desta forma tratei de me informar a respeito desse  procedimento e com base no que exponho resolvi narrar a história de um  profissional de saúde que não satisfeito em pesquisar, medicar e curar o mal dos seus doentes tomou para si a obrigação de reflorestar um bom pedaço de terra há muito desmatado atrás da casa onde morava plantando mudas de árvores.  
Sempre que voltava do hospital  e das visitas que fazia aos pacientes, trocava de roupa, calçava um par de luvas e de botas e partia para os fundos da residência. O que, porém, mais chamava a atenção dos que o buscavam em casa não era o LAZER escolhido por ele, mas a forma com que se entregava ao cultivo de certos arvoredos que aos poucos ia nascendo.  O médico não agia como agem os jardineiros, já que deixava de regar as novas árvores.   Quando questionado dizia que se desse a elas a água que precisavam certamente deixariam de criar raízes profundas para buscar a umidade da terra e agindo da forma como vinha fazendo ele as obrigava a lutar pela vida. Enquanto essa busca acontecia a árvore ficava cada vez mais presa ao chão o que a protegia dos ventos frios e das fortes tempestades.
              As crianças são como as árvores plantadas pelo doutor. Sabemos que contratempos   poderão advir ao longo de suas vidas, que farão difíceis caminhadas e enfrentarão  mais hoje, mais amanhã os ventos frios, as fortes tempestades, o abandono ou o  esquecimento. Talvez se tornem, mesmo que por pouco tempo, pessoas sem esperança, mas as raízes que o médico as obrigou enterrar no solo, entretanto, as sustentarão de forma que nenhuma tempestade, por mais forte que soprar o vento, as derrubem.  A palavra NÃO, que de vez em quando dizemos em minha casa para a pequena criança que nos alegra os dias, é indispensável fazê-la ouvir, pois assim  se lembrará de que nem tudo está às suas ordens ou a disposição das suas vontades. A ela temos dado carinho, atenção, educação, amor, mas também tarefas, e da cobrança da sua execução nós, seus pais, não abrimos mão, pois com isso exercitamos nela a responsabilidade do dever e a certeza de ser útil.
     Eu educo o meu filho, como fazem alguns pais, de maneira que saiba administrar os próprios passos. Eu o ensino a caminhar sozinho, mesmo que em grupo, pois não caminharei com ele, pelo menos fisicamente, por toda a sua vida. Ensino ainda a guerrear se for preciso em busca da solução dos seus problemas, a brigar pelos seus sonhos, pois assim terá a sua honra tão forte quanto a mais frondosa das árvores e mais firme que a construção feita num rochedo.  Ele, um dia, agradecerá a mim pelas dificuldades que eu crio, pois será passando por elas que encontrará as facilidades para ser tão forte quanto o vendo que revolta as ondas e navega o barco mar afora ou tão forte quanto a tempestade que rasga a vela e aderna o barco mar adentro. 

O que antes para ele era ruim, 
amanhã pode ser encantador. (Foto da Internet)