domingo, 14 de julho de 2013

ELE É GAY. ELE É GAY QUE EU SEI....

      
          Ela, com toda a frieza do mundo me olhou nos olhos e
  disse com todas as letras sem nenhum constrangimento;  
Tu é gay
- Eu, gay? Perguntei gesticulando sem saber o que fazer com as mãos, enquanto ela demonstrando calma e segurança que só os monges se permitem, puxou uma cadeira para junto da minha, abriu o livro dos meus olhos até então por mim desconhecido e nele leu com voz suave e firme  a frase que me fez sorrir de nervoso, dúvida e medo. 
- Tu é gay e sabe que estou certa. 
- Com base em quais motivos a senhora afirma o que está dizendo? Perguntei sem encará-la enquanto ela,  tranquila como o
 voo das gaivotas me respondeu empertigada;  sou psicóloga de profissão  e sua leitora nas horas vagas. Seus textos, principalmente aqueles que, vez sim, vez não, declina sobre o quê de vantajoso alguns homens têm dentro das calças são as razões que me levaram à certeza que nós dois sabemos que tenho. 
- Talvez naquele momento eu estivesse corado, sem graça, mas com certeza pasmo eu me encontrava, mesmo assim achei forças para perguntar a ela o por quê de eu ser gay há tanto tempo e nem ter me tocado disso? Meu Deus do céu! Como é que isso aconteceu comigo logo agora que  eu me via tão feliz com a minha mulher?  Será que a porta do meu armário vai se abrir exatamente no  momento em que a banda chegar tocando e os fogos pipocando no alto da minha cabeça comunicando tal mudança? Será que nós homens temos um prazo de validade, sendo que o meu, pelo que a senhora diz,  venceu e eu não me dei conta, ou será que para ser gay é preciso fazer três textos ou mais falando dos caras bem dotados, quer dizer, dos homens que têm o pinto um pouco fora do comum, como eu sei que fiz? 
- Antes que eu pire vou avisando que não vi e não quero ver o pinto  de ninguém mencionado ou não naqueles textos e se falei foi porque me contaram da mesma forma que narrei os fatos para vocês.   Será que se eu falar para outras pessoas que sou portador de um troço grande, mesmo que não seja, e essas pessoas escreverem  três vezes sobre o mesmo assunto elas se tornam gay como a senhora agora diz que eu sou?
-Cruz credo!
 Do jeito que a mídia mexe com a cabeça da gente eu sou obrigado a admitir que muito em breve ou a partir de agora, o mundo será ou já é gay.  Uma coisa, no entanto, eu não vou negar. Eu tenho um amor muito grande pelos meus filhos e todos são homens a quem  beijo várias vezes todos os dias, não por serem meus filhos, mas por amá-los.  Também tenho amor por outros homens, meus amigos,  com quem divido  minha felicidade, meus momentos de dúvidas e  de tristeza.  Tenho amor pelos meus patrões que também são homens e tenho fé em Deus, em Jesus e nos Santos.  E como a senhora pode ver, todos são do sexo masculino.  Portanto eu me rendo, doutora. A senhora tem toda a razão, eu sou gay.  Sou, mas não quero e não vou trocar a mulher que escolhi para  companheira por um desses caras  só por  amá-los como tenho demonstrado, pois é graças a este sentimento que sinto crescer nas pessoas a esperança de um mundo melhor. 
      Demonstrando certa frustração em conversar comigo, sorriu, talvez o último dos risos,  deu dois tapinhas no meu ombro e saiu para embarcar num carro guiado por uma bonita moça em quem deu dois beijos como se beijam mãe e filha. Mas o último, especial, foi dados nas alianças  que cada uma beijou na mão esquerda da outra.