sexta-feira, 28 de junho de 2013

SONHAR E NÃO PECAR.

       Margarida era uma mulher bonita, trabalhadeira e apaixonada pelo homem com quem se casara há dois anos e com ele sonhava ter um filho. Tempo, porém, João Guilherme só tinha para o trabalho, mesmo dando a ela toda a atenção e carinho que merecia.  Em meado do ano passado, Gabriel, um jovem alto e moreno, veio morar num apartamento em frente ao deles para melhor cuidar dos negócios que o pai lhe deixara.  O rapaz saía para o trabalho depois do café e só beirando a madrugada voltava para descansar. Várias vezes Margarida acordou tarde da noite com o vizinho abrindo a janela para ventilar o quarto.  Enquanto o marido ressonava Margarida imaginava cada passo que o jovem dava  antes de dormir e aquilo, com o passar dos tempos, passou a fazer parte dos seus delírios. Em muitas ocasiões Margarida ardeu em desejos por imaginá-lo sem roupa perambulando pela casa. Ao se dar conta que pecava com tais pensamentos, Margarida acordava o marido para com ele apagar o fogo que o outro ateara. Jamais João Guilherme imaginou que as labaredas que ardiam nas entranhas de sua mulher não eram acesas por ele. Tão logo saía para o trabalho a mulher pegava o tapete e ia batê-lo na varanda na intenção de, através da janela, vir o vizinho estirado na cama.  Se ela via alguma coisa que despertasse o tesão que passou a ter depois de sua chegada, não demonstrava,  mas que fazia amor com o marido pensando nos músculos definidos do vizinho, muitas vezes ou todas ela  provou que fez.