domingo, 16 de junho de 2013

AMASSO NA GARAGEM...

     
FRUTA EXÓTICA.
(Texto de silvioafonso)
"Joguei a pasta no sofá, me esparramei na cama na intenção de descansar e me deliciar com a dedicatória que a mulher do meu amigo e meu vizinho escreveu na contracapa do "Casa Grande e seus demônios" que ela me deu de presente, ma eu, esquecido como só eu sei que sou, o deixei  no banco de trás do meu carro.  Eu estava bastante cansando, mesmo assim decidi buscá-lo, por castigo.  A luz da garagem não era lá essas coisas por isso ficou difícil saber de qual carro vinha a respiração ofegante de alguém que parecia estar transando. 
Assim que chequei eu achei que duas pessoas estavam se agarrando, mas só com o tempo os sussurros denunciaram o lugar de onde vinham. Eu, é claro, me escondi atrás da pilastra até descobrir de quem eram os ruídos, na intenção de me surpreender.  A voz parecia com a da Andreza, cujo fogo obrigava o marido a traçá-la em qualquer que fosse o lugar. Com certeza a mulher agarrou o seu marido para adiantar, ali mesmo, o que fariam no aconchego do 502.  Mas a voz de quem tinha 16 ou 17 anos, senão menos, me deixou perceber  que não era com o marido que transava, já que demonstrava medo em ser descoberta, fato que jamais a incomodou desde que se mudou para lá. O que de fato ela estava fazendo era experimentar uma fruta mais doce e fora de safra. Disse a ele que moradores aproveitavam  a pouca claridade para transar dentro e fora de seus automóveis e isso teria aquietado o seu companheiro.
 O reflexo do farol de um carro, do outro lado da rua, me deixou ver que era o filho mais novo do vizinho que passava a mulher na cara e só não optaram por um motel por causa da pouca idade do rapaz.
Cara, aquela imagem, mesmo que eu só tenha visto a silhueta,  deve ter enrubescido as minhas faces que eu me senti como se tivesse febre. Cada músculo do meu corpo estava estendido, duro, e como sou uma pessoa normal, cada gesto que eu tinha feito foi digno de um cara da minha idade. Dei a mim o carinho que  minha  mão achou que eu precisava.  Entrei em transe com o que via e com o que eu mesmo fazia, enquanto eles gemiam, choravam a dois metros dos meus olhos, até que o garoto urrou como um lobo dando sinal de que tinha gozado. O barulho de um cachorro bebendo água voltou a quebrar o silêncio e só parou quando a mulher deu um berro tão alto que deve ter acordado a vizinhança, me dando o maior susto da minha vida.  
Este foi o livro que mais emoção me proporcionou, mesmo que eu não o tivesse lido.