quarta-feira, 20 de março de 2013

BOBAGEM DE CRIANÇA...


                   Ele tinha no sorriso a alegria da criança quando soube que o doce que mais gostava seria feito para ele, por você. A felicidade que sentia era tamanha que naquele dia não pensou em outra coisa senão no mimo que a ele você faria. Uma semana se passou e sobre aquele doce ninguém mais se pronunciou. Todos se esqueciam, menos ele. Talvez nem dormir direito viesse conseguindo só pensando na promessa que você quebrou sem razão e sem por quê. 
Outras oportunidades para saboreá-lo certamente você criaria  até que um novo sábado chegou. Vocês saíram, como há muito não faziam, para um passeio pelas redondezas, só os dois, e na volta nova promessa a ele você formulou.  -Amanhã, domingo, farei o doce de que você tanto gosta, mas desta vez não me perdoarei caso me esqueça do que falo agora. Disse isso enquanto beijava duas vezes os dedos que cruzara. 
 O sábado passou e o domingo amanheceu florido e perfumado. Céu azul ralado de pequenas nuvens brancas. Na rua a garotada se divertia, mas ele de casa não se permitiu sair. O almoço foi posto e a tarde fluiu tranquila para no final sentir que ela sairia para atender ao chamado de sua mãe. O menino ficou só, como ficava  todos os dias. A noite chegou e você provou que não se esquecera da promessa ao perguntar a ele se queria mesmo  o doce que prometeu.
  Há dias o pobre coitado tinha a boca cheia d’água pensando na guloseima, mas diante do absurdo da pergunta, respondeu que não. 
-Não, não quero, pode deixar. Disse isso olhando o chão.
 Você sorriu,  fechou atrás de si a porta e voltou  para onde tinha vindo. O menino tirou da cara o sorriso da esperança e foi para quarto se deitar. Entre as suas tristezas se lembrou que jamais ganhara uma lembrança  que fosse de sua preferência. Em tempo algum pediu algo e foi atendido, mesmo assim não maldizia a sua sorte. Uma bola de futebol, uma bicicleta. Uma peteca, um peão, nada. Nada tinham para dar a ele e quando cresceu e pode comprar o que nunca teve, comprou para os outros meninos, talvez para vê-los sorrir o riso que jamais riscou seus lábios. Hoje, tantos anos depois o homem vê na vitrine da confeitaria o doce que na infância arregalava os seus olhos. Talvez tenha posses para comprar a fábrica, mas não o faria, porque a lembrança do gosto que  ainda traz na boca adoça a saudade  do menino bom, que acreditava nas promessas.      (Imagem da Internet)

18 comentários:

  1. E de repente me deu essa louca vontade de te visitar....rsrsrs!!
    Adorei...paxonei com o texto!!
    Parabéns meu amigo do coração!!
    Bjkas da Coruja e...
    Feliz dia...com alegria!!!

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  2. Olá Silvio
    Há coisas que a gente nunca esquece, e a primeira decepção é uma delas.
    Abração

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  3. Esse é um conto de quem acredita
    e tem esperança.
    Linda composição, cheia de verdades e muita poesia.
    Encantada leio antes
    de embarcar para mais uma viagem ao encontro
    também da esperança, uma vez reencontrada desde novembro de 2011
    não a perco mais de vista.
    O menino certamente continuará a esperar seu doce, pois a esperança é algo que não deve morrer em nós. Meu doce era uma familia que pudesse como a minha de sangue
    me amar como eu sou com poucas virtudes e muitos defeitos,
    já sem esperanças
    ainda assim esperei e meu dia chegou.
    Belo texto Senhor Palhaço Poeta , bela leitura para o dia do Blogueiro, parabéns pelo maravilhoso blogueiro que é
    enchendo essa blogsfera com seus escritos.
    Bjins
    Catiaho Reflexo d'Alma

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  4. E NESSA BOBAGEM DE CRIANÇA,VENHO PEDIR PARABÉNS PELO SEU DIA BLOGUEIRO AMADO !!!!
    BJS

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  5. Bom dia!
    Feliz dia do Bogueiro...nosso!
    Belas Poesias
    Meu carinho sempre
    Araan.

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  6. Grande texto, Sílvio...um abraço!

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  7. amei o texto!!!!Obrigada pela visita no blog!
    Bjs e volte sempre!
    Bel Carvalho
    http://bybelcarvalho.blogspot.com.br/

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  8. Silvio,

    Que texto lindo, fiquei emocionada e me identifiquei demais com o menino, senti uma dor por ele ter sido tratado dessa forma...
    Ai que vontade de pegá-lo no colo e comprar-lhe todos os doces da confeitaria.
    Bjs

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  9. Nossa... prometeu para crianca tem q fazer... :))

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  10. Lindo esse texto, como todos os outros:)

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  11. Lindo texto...me emocionei até.
    E pensar que existem tantas crianças como essa espalhadas por esse mundão!!
    Abraços ♥

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  12. Olá, olá! Estou aqui, querido... :) Sumidinha, mas voltando... Belo texto!
    Beijo, beijo
    She

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  13. Querido amigo Silvio.

    Saudades de suas visitas no meu blog.

    Vc sumiu e isso me deixou triste.

    Hoje leio um belo comentário seu em um filme que postei e venho aqui e deparo-me com essa pérola de texto,tão real,tão vivido.


    Obrigada,amigo poeta.


    Amo seu blog e o tenho nos favoritos.



    Uma sexta de Paz e alegrias para vc.


    Beijos doces como o menino esperou.



    Donetzka

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  14. Linda composição, cheia de verdades!
    Beijo.
    Nita

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  15. Poeta sonhador, que texto lindo! Te revestistes da inocência de uma criança para nos presentear com uma história tão perfeita que se fez real.Você é um contista genial.Admiro-te.Bjs Eloah

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  16. Feliz dia do Bloqueiro!
    Abraços!

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  17. Mesmo depois de crescermos, ainda há promessas assim, que ficam por cumprir... Um texto sentido, mas bonito.

    Obrigada pela visita ao meu cantinho!

    Beijo

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