sexta-feira, 28 de setembro de 2012

SAUDADE DE QUE, MESMO?



        Estava desempregado há mais de cinco meses quando sua mulher mandou a empregada embora e sugeriu que ele cuidasse da casa.  No tempo em que esteve à toa, Cláudio não ficou um só dia sem procurar trabalho.  Talvez o desejo de tê-lo preso aos afazeres domésticos o  mantivesse  longe da liberdade e das tentações das ruas.  Com o passar do tempo todos achávamos  que ele desistiria do comércio onde ganhou dinheiro e com a noiva, depois sua mulher, compraram a casa e o carro da família.  Assumiu a direção da casa e não deixou mais que o café quente, as frutas e o pão frescos faltassem à meses para o desjejum de sua mulher, como vinha acontecendo,  mesmo assim havia momentos em  que ela passava o dedo sobre os móveis, examinava as louças, os copos  e os banheiros para constatar a eficiência dos seus serviços.   Cláudio não gostava das obrigações a ele atribuídas, mas negava a veracidade desse fato quando era questionado.
      Seis meses  longe do chopinho de fim de expediente.  Longe dos amigos, das colegas de trabalho e da pelada dos domingos.  Isso matava aos poucos o nosso herói, mas felizmente um dos muitos currículos distribuídos  foi  selecionado por uma rede de lanchonetes e ele convidado para  uma entrevista.  Só que, de  imediato  não receberia um salário igual aos anteriores, mas teria a sua dignidade e o seu amor próprio de volta, resgatado.
   Quando Margareth chegou do serviço e soube da notícia, não demonstrou nenhum sinal de contentamento tirando da cara do marido o sorriso de felicidade que  trazia.  Margareth sentou-se com ele e tentou provar por A, mais B,  que a decisão tomada por ele, estava errada.  Disse-lhe que durante os seis meses que trabalhara em casa  tudo tinha melhorado. Até o dinheiro rendeu mais, já que o salário da empregada consumia um terço dos seus proventos. As passagens, o almoço, o lanche, os cafezinhos, os chopes da noite e as despesas eventuais, tomavam dele quase tudo o que recebia.  Em casa não tinha salário, mas também não tinha com que gastar. A sua presença na direção da casa trazia tranquilidade à família. Margareth sabia aonde e como encontrar o marido na hora que precisasse, e por melhor que fosse a empregada, não saberia comprar o que os patrões gostam e precisam e de pechinchar na feira não era capaz. Quanto ao dinheiro para as despesas ele não deveria se preocupar, porque ela continuaria pagando as contas como sempre fez desde que se casaram, concluiu.
     Cláudio, meio sem graça, voltou à cozinha e preparou o jantar. Viram televisão e mais tarde foram se deitar. Quando  levantou para o trabalho, Margareth notou que alguma coisa errada estava acontecendo. A mesa do café não estava posta e o marido não se apresentava para as primeiras instruções do dia. Um bilhete preso por um ímã na porta da geladeira, no entanto, esclarecia os fatos;   "Meu amor. Para não vê-la sofrer com a minha infelicidade eu achei melhor sair de casa. Aceitei o emprego que me ofereceram muito antes de você saber da entrevista. Hoje, a pedido da empresa,  viajarei para a inauguração de uma das lojas sob a minha responsabilidade e por lá ficarei por seis meses até que o ponto seja feito e a clientela conquistada. Eu não esperava que fosse preciso tomar esta atitude, mas para o nosso bem e um possível respeito entre as partes, eu deixo os trabalhos da casa para que você faça do seu jeito,  enquanto eu cuido de mim".
     Os dois nunca mais se viram. Ela se entregou ao trabalho e nas noites frias quando homem algum conseguia aquecê-la lembrava-se de Cláudio e seus carinhos. Em contrapartida Cláudio refez a vida trabalhando e saindo com os amigos nos finais de semana, mas não se esquece de sua casa e da mulher com quem dividiu boa parte de sua vida, mesmo que cobrasse dele a segurança, caso o desemprego acontecesse.

domingo, 23 de setembro de 2012

CALADO POR UM BEIJO.

           Estava possesso, parecia um louco. Foi assim que ele gritando o nome dela adentrou a casa avançando em direção ao quarto.    Martha era uma pequena brejeira e bonita como só as primeiras manhãs da primavera conseguem ser. Não bastassem as qualidades que tinha também era uma menina  cheia de sonhos e uma mulher, cujo marido, uma estrela que desgarrada  lhe caiu no colo,  entre os seios, no meio das pernas e mais tarde dentro do  seu coração. O pai de Martha havia feito o que podia e o que não devia para casar  sua filha com o melhor partido da cidade. Procurou ajuda, fingiu, mentiu e em conluio com a própria esposa sugeriu que ela, sua mulher, cedesse as cantadas do pai de Ricardo,  hoje  sogro de sua filha. 
     Assim foi arranjado o casamento que tinha tudo para dar errado, não fosse o amor resgatá-lo das traições e das mentiras.  
    Antes de se casar Martha estudava hotelaria em uma faculdade pública, mas precisou disputar a vaga com outros candidatos de notas iguais as suas.  Cláudio fazia filosofia, na federal. Dois anos casados, dois anos de festas, passeios no jatinho do sogro e roupas de grife. Suas compras eram feitas nas maiores e mais famosas lojas do mundo.
     Para entrar na faculdade Martha cedera a certos caprichos de alguns diretores, mas o reitor, um senhor de meia idade com quem  saía, não concordava que ela se casasse e para evitar que o fato se consumasse a ameaçava de contar para o  noivo quais os motivos que facilitaram o seu ingresso naquele centro de ensino. 
    Martha se casou com a promessa de não deixar de visitar o amante, visitas que fazia três,  quatro vezes por semana, mas arrependida por estar traindo o homem que amava, resolveu parar  sem  qualquer justificativa. O amor que sentia  pelo marido deu a ela a força necessária para virar aquele jogo. De qualquer maneira o reitor ficaria furioso, como  ficou. Fez novas ameaças e para não deixar que a coisa piorasse concordou com um novo, mas último encontro,  que, infelizmente ou não, foi acompanhado, de longe, por um detetive contratado pelo marido que suspeitava das saídas da esposa. O investigador mostrou  fotos, filmes e os últimos telefonemas entre o professor e a aluna, causando no marido um  desejo louco de vingança.
    Na suíte Martha estava deitada lendo um livro, porém pronta como em todas as noites, para o amor com o marido. Uma Lingerie de cor vermelho sedutor confundiu e acalmou o homem que mesmo transtornado não resistiu ao perfume, ao sorriso e aos carinhos sabidamente  verdadeiros da mulher que se jogou nos seus braços  num longo e apertado abraço para um beijo e a mais gostosa noite de amor que já tiveram.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

DEPOIS DA VIDA.

        Eu me chamo Promessa.  Promessa dos Santos de Angola, este é o meu nome. Sou filho de Antônio de Angola, um imigrante português que chegou ao Brasil ainda menino.  Minha mãe é Maria, uma brasileira nascida no interior do Rio e que  traz o Santos como sobre nome, herança do pai Depois de casados meus pais se mudaram para a cidade grande e lá, entre o trabalho e a educação nascemos eu e o meu irmão mais velho. Na escola de classe média concluí o ensino médio e antes de ingressar na faculdade me casei. Casei para esperar a minha filha que se insinuou bem antes do padre abençoar a nossa união. Na faculdade  fiz os três primeiros períodos, mas precisei trancar a matrícula por falta de dinheiro. Eu tinha a minha namorada como vício, depois chegaram a minha filha e as drogas para completar o pacote. Dos três eu perdi os dois primeiros, mas das drogas  não me separei. Desde cedo eu trabalhei duro em busca de trocados e quando  consegui o melhor emprego que alguém pudesse imaginar eu o perdi com o vício. Cheguei a gastar três mil reais com drogas que usei em um único dia. Meus amigos, minha mulher, meus pais e parentes, fizeram de tudo para que eu não deixasse desmoronar  meu lar, mas a droga não me permitia ouvi-los. Eu não escutava os bem intencionados, os puros de maldade, mas era todo ouvido aos meus inimigos, aos traficantes e viciados, como eu. Com os tombos e as feridas do vício eu perdi a noção do tempo e como que despertando de um longo sono, acordei no colo dos meus pais.  Pela primeira vez eu dei ouvido às suas palavras e me deixei internar em uma clínica de recuperação. Fiquei por lá seis longos e sofridos meses. Com os funcionários e os colegas de sofrimento eu aprendi a lidar com a terra, a ler para os outros, a comer e a andar, começando pelo engatinhar, como os bebês. Quando saí da clínica eu senti que a vida me sorria, até o sol ficou mais brilhante e mais bonito.  Dois dias depois eu tive a primeira recaída e foi nos braços do meu pai que eu chorei como criança. Falei das minhas fraquezas e covardia, mas ele me fez entender que aquilo era como um grão de areia no sapato e logo eu me livraria. Aquelas palavras me permitiram ficar limpo por três meses, mas as drogas cutucavam as minhas costas me chamando pra voltar. Eu tropeçava nos meus próprios passos e com elas eu  cruzava em cada canto que passasse.   Hoje, um ano e meio longe da clínica, do trabalho que consegui arrumar quando saí de lá, vejo-me sozinho. Minha mãe viajou para tratamento de saúde em outro estado. Meu pai mora na divisa do Rio com Minas, minha mulher levou  minha filha para morar com ela na casa da minha sogra e eu faço este texto que certamente será o último já que não tendo mais nada que eu possa vender para comprar droga, talvez venda este micro ou troque por um dia a mais de sofrimento. Eu não estou pedindo socorro. Socorro eu precisaria pedir a mim mesmo, mas não quero. Talvez eu seja muito corajoso por achar que sozinho eu me basto ou tão covarde que mesmo sabendo da chegada da morte, do adoecimento dos meus pais, da frustração da minha mulher, se é que eu ainda a tenho e do mal que estou fazendo para a minha filha de quem não consigo esconder o meu estado desgraçado e vergonhoso, eu ainda teimo em resistir. Eu não sei até quando suportarei o que faço, mas farei até que ninguém mais saiba de mim mesmo não acreditando que a droga, que eu  dou tanto valor, seja capaz de me brindar com uma sepultura.
(Esta é a história de um amigo por quem eu tenho um amor tão profundo que eu nem sei como cabe no meu peito). 



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DENTE POR DENTE.



     Esses dias eu fui apresentado a um cidadão que me pareceu um grande contador de vantagem. Assim como o encantador de serpentes ele afirmava encantar a mulherada fazendo delas suas escravas. Dizia que para usufruir dessa destreza se permitia  ficar nos bares até altas horas e para a sua esposa garantia que era o trabalho do escritório o ladrão do seu tempo.  Ontem o cara, que por delicadeza de minha parte eu chamarei de Antônio, pediu-me que fizesse um resumo de sua biografia para contar num livro todas as aventuras.  Antônio, portanto, estaria disposto a fazer público os seus acertos costumeiros e os esporádicos  fracassos, suas eventuais tristezas e habituais alegrias. Antônio era um grande fanfarrão e afirmava que nas suas abordagens era imbatível.  
 O mais fascinante de todos os depoimentos, no entanto,  não me foi dado a permissão de incluir no livro, fato que aqui, eu narro agora. Trata-se do chifre que ele teria levado da esposa  em  represália as suas traições.  No seu depoimento Antônio me disse que certa vez chegou à casa muito antes do horário costumeiro. Cedo o suficiente para ver sua mulher entrar em um táxi vestida como se fosse a um baile funk. Indignado resolveu segui-la até o estacionamento de um shopping aonde a mulher trocou de carro, cuja porta foi aberta por um belo e jovem rapaz mais moço do que eles.  Antônio, suando frio, seguiu o carro em direção à Barra e só parou quando entraram num motel; o mais luxuoso das redondezas.  Antônio com ódio e morto de ciúmes, deu murros no volante e antes da ficha cair seguiu até à Praça do Ó aonde contratou uma garota de programa  para, acompanhado, flagrar  a esposa infiel. Ele iria desmascará-la. No motel subornou os funcionários, deu propina pro gerente, mas nada encontrou. Nas mãos tinha a ficha de cada cliente, mas em nenhuma constava o nome dela ou características que a denunciasse. A prostituta não querendo se expor ao ridículo cobrou pelo trabalho e foi embora. Por ter ficado sozinho Antônio precisou deixar o estabelecimento, mas não sem antes pagar uma conta que não cabia no seu orçamento.  Do lado de fora ficou por quatro horas tentando o celular da mulher que constava como desligado ou fora de área. O marido se rasgava de raiva e de ciúmes enquanto o tempo se arrastava.  Um táxi entrou no Motel e nele embarcou a mulher que tudo indicava não estar ali. Mesmo estando sozinha foi retirada do carro pelo marido que bufava de ódio.  Antônio perguntou, como todo homem traído, o que ela pretendia naquele lugar. A explicação não tardou, já que voltar a exercer a profissão de jornalismo, como antigamente,  era  uma questão de tempo e aquele era o momento que ela achou melhor para a surpresa que pretendia fazer ao marido a quem tanto amava. Combinou com o gerente uma reportagem sobre o movimento da casa  e para isso receberia um bom dinheiro. O gerente, como ficou acertado, foi buscá-la e para não deixar os vizinhos curiosos marcou o encontro no shopping, mas a volta seria por conta dela, por isso o táxi na hora da saída. 
   Talvez por medo de perder a esposa ele tenha chupado aquela manga e ela, contornado a questão.                                                           (Foto da Internet).

domingo, 9 de setembro de 2012

ENGORDAR COM AS PALAVRAS.


     Palavras são palavras, não mais que palavras.   Palavras o vento leva para ouvidos estranhos porque são leves, vazias ou simplesmente não são nada.
     Assim é o pensamento de muitos com relação as palavras. Segundo o Palhaço Poeta, se todas as palavras fossem ricas pobre não aprendia a falar ou nascia mudo.
     O conceito da palavra, no entanto, não tem somente alguns sentidos, mas todos os sentidos como os da verdade, os da mentira, os de opinião, os de desejo, os de medo. É certo que um soco na cara deformaria as feições do rosto se tivesse a potência de um coice ou a maldade dos ingratos. Uma palavra ou duas, talvez uma frase sem a necessidade do grito poderia levar aos céus uma alma ou fazer de uma vida um verdadeiro inferno como o que aconteceu a uma de duas amigas que viveram juntas toda a sua infância.
-Elas eram meninas prendadas. Enquanto uma era magra, alta e bonita, a outra era somente uma criança inteligente que tirava na escola as melhores notas. Alguns parentes, que traziam na palavra o falso poder da razão, induzia a menos bonita ao estudo para compensar a beleza que não tinha. Com o passar dos anos a menina bonita continuava linda, enquanto a inteligente, triste com a verdade que ouvia, engordava a cada dia. Uma fazia caminhada e com requinte cuidava do que comia, já a outra, vivia entre os livros e  não tinha critério com as refeições. Comia o saudável e o indesejável  com a mesma voracidade, mas dos livros era inseparável pois eles mantinham nela a beleza interior. Quando se deu conta estava, de verdade, feia por fora e maravilhosa por dentro,  e foi esta maravilha que a levou à terapia aonde descobrir o mal que a comparação provocou na sua vida. Decidida a virar o jogo mudou a forma de se alimentar. Cuidou da saúde, terminou a faculdade e hoje, casada e com filhos goza as benesses do tratamento. É uma linda mulher que, como a do filme, teve o que fez por merecer conservando nos próprios olhos e nos de quem não entendia o poder das palavras, a beleza feminina do corpo e da alma, que é o sonho de qualquer uma. (Foto da Internet)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

VOANDO POR AÍ.


     No ano passado nós fomos à Minas Gerais e para isso nos preparamos com bastante antecedência. Até a data escolhida foi a melhor do calendário. Chegado o dia lá fomos nós estrada afora para na chegada passear pela cidade e até nos encantamos à margem do lago mineiro mais famoso.  Até hoje não esquecemos do que vimos, da maneira de tratar e da fala doce e confiável daquele povo. O desejo de não  voltar ao Rio, de não deixar aquela gente foi baseado no comentário feito por uma pessoa que de tão especial flutua entre os anjos.  Dizia ela no rodapé da minha crônica:
   "OLÁ POETA! VOU TOMAR UM POUQUINHO DO SEU TEMPO PARA FALAR DE BELO HORIZONTE E TODA MAGIA QUE UM AMIGO ME MOSTROU QUANDO FALAVA DE SUA BH! EU TINHA 19 ANOS QUANDO VIM PARA BH. NA MINHA BAGAGEM TRAZIA MINHA CADEIRA DE RODAS E MEU MEDO DE UMA CIDADE GRANDE. LEMBRO DE QUANDO O CARRO PAROU NA PORTA DE UM HOSPITAL E ME DISSE;
- CHEGAMOS VC FICA AQUI.
NÃO VOU DIZER O QUE SENTI NESTE DIA, EU NÃO ENCONTRARIA PALAVRAS (MEDO, RESUME).
 DEPOIS DE DESEMBARCAR, O TEMPO PASSADO E TUDO SE AJEITADO, ENTRA UM MALUCO EM MINHA ENFERMARIA, TODO SORRIDENTE, COM OS OLHOS MAIS AZUIS QUE JÁ VI E ME FALA:
- EI BONITA! VAMOS CONHECER BH? LEMBRO DE OLHAR PARA ELE E PENSAR: O CARA É PIRADO. MAS O DOIDO ERA O MEU MEDICO (ZÉ PARA MIM E JL PARA OS OUTROS). DEPOIS DISTO, TODOS OS DIAS AS 16H ELE VINHA, SE SENTAVA DO MEU LADO E COM SUA PAIXÃO POR BH E TODAS AQUELAS FOTOS, ME CHAMAVA PARA CAMINHAR POR BH. ASSIM AMEI BH. A CIDADE QUE ME FEZ LIBERTA! ONTEM EU ME LEMBREI DE MEU AMIGO E DE SUA FORMA MAGICA DE ME FAZER SAIR DE MEUS DEVANEIOS E MEDOS, E FUI CAMINHAR POR BH. FUI PARA UM DOS LUGARES QUE ELE MAIS GOSTAVA (POIS ELE SE FO., JÁ NÃO CAMINHA MAIS POR AQUI) A PRAÇA DA LIBERDADE! EU ME SENTEI LÁ E FIQUEI OLHANDO AS PESSOAS EM SEU MOVIMENTO COTIDIANO. EU FECHEI MEUS OLHOS, RESPIREI FUNDO O CHEIRO DAS PALMEIRAS, DEIXEI O BARULHO DA ÁGUA DA FONTE ENTRAR EM MEU SER E VOEI NOS BRAÇOS DE UM ANJO POR BH.
PS:VOE POETA,POR BH OU NOVA FRIBURGO. FECHE SEUS OLHOS, SINTA OS CHEIROS E TODOS OS MOVIMENTOS QUE A VIDA TRAZ E SE QUISER IR MAIS LONGE, DEIXE-SE LEVAR NOS  BRAÇOS DE UM ANJO!
TENHA UM LINDO FIM DE SEMANA,
ABRAÇOS. 
Ass; Yohana."
- Foi assim que concluímos a viagem daquele ano; tão logo deixei a turma que seguia de volta ao Rio, viajei, digo, voei, como sugeriu a moça bonita, por entre as árvores que cercam a Lagoa da Pampulha, sobrevoei a Praça da Estação aonde está o relógio público, o primeiro a ser intalado na cidade. Voei por sobre a Praça do Papa na Serra do Curral e por sobre o conjunto paisagístico e arquitetônico da Praça da Liberdade. 
Foi depois de ter olhado pela última vez os altos e belos prédios e de me despedir daquela gente de fala doce e coração amigo que eu recolhi as minhas asas.  Asas que eu nem sabia que possuía, assim como a moça que chegou para demarcar seu território não se importou se o faria nos braços de um médico amigo ou com as suas próprias pernas, como eu.       (Foto da Internet).