quarta-feira, 29 de agosto de 2012

RUIM QUANDO NOVO. PIOR AO ENVELHECER...


      Era difícil a vida de quem tinha três filhos pequenos, sem marido e por não poder contar com ajuda dos pais, arriscou, aceitou o convite de uma tia e com ela foi morar  no Rio de Janeiro. A vida provou que a felicidade não era para todos, mas para aqueles que fizessem por onde. Antes de um mês que se arrastava para passar, eis que um jovem senhor, vinte anos mais velho, não resistindo aos encantos da mulher com olhar de anjo a pediu em casamento. A data foi marcada e o pano de fundo, antes negro e mudo, tornou-se um céu azul de brigadeiro num coral de anjos e passarinhos.    Aquele homem era muito mais homem do que o seu porte atlético demonstrava. Era trabalhador e trazia no peito um amor de dimensão tão grandiosa pela  primeira e única mulher de sua vida que nem os filhos, assim como os problemas naturais do casamento puderam confundir. Ela era do interior do Estado e ele de uma das maiores cidades do País.
     O respeito, a dignidade e a divisão de tarefas eram superiores ao ciúme que ela por ele pudesse ter. 
     O dia a dia do casal era trabalho. Ela em casa na educação dos filhos e na lida do lar e ele na empreiteira em busca do pão de todos os dias. Aos trancos e empurrões os dois formaram a garotada.  Uma parte, de professores, enquanto a outra optava pelas artes plásticas.
     O tempo continuou passando e na bagagem levou a juventude do marido e o liso do rosto da mulher. Em troca deixou o cansaço para um e rugas de vidas conturbadas nas faces do outro. Na janela, como que esperando rejuvenescer ou a morte,  ela vê passar os dias. Tem saudade da algazarra das crianças, de correr para cuidar da janta e se arrumar para o marido. Saudade dos risos, que mesmo poucos, eram verdadeiros. Do feijão com arroz, do pão, muitas vezes sem manteiga e da vontade enorme de pegar seu marido pela mão e como adolescente se esconder para namorar...

domingo, 26 de agosto de 2012

SAUDADE DE QUÊ, MESMO?


       Quando alguém chega a uma certa idade logo aparece um engraçadinho para perguntar se antigamente as coisas eram melhores e se a saudade dos tempos de criança o deixa triste. Fico feliz quando a resposta é não. Não há por que ter saudades do que passou, assim como não a teremos quando o hoje ficar para trás ou haveremos de chorar por medo de não viver o amanhã. Falando isso me dei conta de uma menina, filha de um casal amigo meu, que gostava das brincadeiras de menino. Jogava bola, soltava pipa e se a brincadeira era de médico, ela era o doutor. O tempo passou e a crise existencial a levou pela mão através dos obscuros caminhos da sexualidade conflitante. A crise de identidade não permitiu que ela conhecesse os prazeres da juventude, já que o seu gosto não era aceito ou permitido pela sociedade, pelo menos pela maioria dos que dela fazem parte.  Hoje tudo é diferente. O mundo mudou e o preconceito mudou com o mundo. Aquela menina triste hoje sorri em qualquer tom sem a preocupação do quanto. É formada em direito e de igual para igual defende as suas teses. Tem um ótimo apartamento montado, carro do ano e uma namorada para quem promete amor sem limites. Será que essa gente que pergunta aos idosos se têm saudade da juventude teria coragem de questionar essa mulher que ontem era menino com corpo de menina e pensamentos conturbados que morria de medo de não reconhecer a própria identidade? Acredito que não. Ninguém tem saudade do que não tem. Saudade é pretender sorrir quando alguém faz graça.  É desejar  brincar quando tudo é brincadeira.  Ter saudade poderia ser do tempo que se perdeu lamentando o próprio corpo. Seria não ter feito sexo com a pessoa certa quando a oportunidade nos sorria. Seria não ter vivivo a idade e a felicidade que o destino nos ofereceu. Enfim, é não ter sido o que somos no momento em que a conta nos é apresentada, sem desconto, pra pagar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

PERDER PARA PODER GANHAR.

      Luiz, meu amigo, tem um cunhado que vive 
reclamando da esposa, sua irmã.   Com pouco tempo de namoro resolveram morar juntos, ele,  a mulher e o filho,   
fruto de um casamento que não deu certo.  No 
decorrer da vida conjugal o cunhado de Luiz
passou a reclamar da mulher. Sempre que ele comentava alguma 
coisa referente ao comportamento do filho,   
a mãe, irmã de Luiz, saía em defesa da cria.  Dificilmente ela não tinha uma palavra que justificasse 
os mandos 
da criança. O tempo passou e com ele levou a 
paciência de quem, no lugar de pai, 
sentia que 
sua voz soava fraca e sem motivação para 
educar o enteado.  Certa vez Luiz 
tentou desculpar a  irmã mesmo sabendo que 
a interferência dela na repreensão que o 
marido fazia ao filho, em nada ajudava na formação do caráter e do 
respeito.  
Sabemos todos  que essa é uma atitude inconsciente de proteção ao ente que se ama.  
           O tempo que havia passado seguiu  seu curso e o filho, antes enteado, agora faz parte do corpo docente que leciona  psicologia na PUC de S. Paulo. 
Luiz, que já tinha passado por experiência parecida em nenhuma ocasião, quando solicitado, deixou de dar apoio e incentivo ao casal. Talvez por isso tenha  sido o nome do meu amigo Luiz  o primeiro na lista dos padrinhos de casamento do professor. 
O casal segue a sua vida endeusando o filho que por sua vez agradece a Deus pelos cuidados da mãe na escolha do companheiro que  dignou-se ajudá-la na criação e formação do belo profissional que se tornou. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SACRO PROFANO


       Sessenta por cento das críticas ao que eu escrevo são favoráveis a licenciosidade dos textos, talvez por eles provocarem um certo calor que não chega às labaredas do desejo, mas aquece despretensiosamente. Eu não nego que pensei nessa possibilidades e mesmo que eu escrevesse, como escrevi três textos pertinentes, manter o assunto em pauta a cada postagem eu não cogitei. Neste último eu recebi, das pessoas que eu mais gosto e respeito, alguns puxões de orelha. Uns foram mais contidos, alguns velados, mas não deixou de ter aqueles que nem aceitar no meu blog a sua indignação, permitiram. Portanto, com base no que me levou a falar o que digo, a partir de agora eu vou ligar o foda-se e falar o que eu quiser, na hora  que eu achar que devo, desde que, é claro, eu não os perca da minha lista de amigos.
A Yone, que eu descobri ser crítica de revistas e livros, mas que não faz alarde de sua profissão, tem comentado as  minhas crônicas. Eu, se pudesse, não permitiria que amigos como essa moça e mentirosos de carteirinha dessem pitaco no que escrevo, até porque, os verdadeiros amigos não falam verdades. Eles falam o que a gente quer ouvir e quando um amigo se propõe a falar da gente, estejam certos que lá vem mentira doce, mentira gostosa, saborosa que massageia o ponto “G” do nosso ouvido, mas que não me convence. Deixam, sim, o meu espírito tão leve que se eu não souber controlá-lo o perco por entre as  estrelas da vaidade.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

TRISTEZA DO DIA.


    No dia dos pais eu abracei Terezinha, minha mãe,  para chorar a sua solidão. Por mais que nós, seus filhos,  dela nos aproximamos, mais vazia fica a sua vida. Todo mundo sabe que  amor dos filhos é especial, mas não substitui o que existe entre o casal. Esse amor nasce, cresce e calcifica com o tempo, com as palavras certeiras e os nobres atos do primeiro namorado.  Assim tem sido a vida da mulher que me pariu. Talvez a sua vida hoje, seja de festa e alegria intercalada de pequenos aborrecimentos e algumas dores naturais da idade, mas a falta dos beijos e dos pecados que o amor permite ninguém preenche.   Quanto mais o tempo passa, maior é a falta que o mais nobre dos sentimentos provoca.
Meu pai  causou naquela criatura essa mudança ilógica, porém radical. Deu a Terezinha a esperança de um futuro feliz e colorido. Jamais a ela garantiu uma casa, mas um lar com respeito e filhos ele deu a mulher que amava.  Hoje é o dia dos pais como afirmei na abertura deste texto, e Terezinha, novamente,  acordou sozinha, como vem fazendo há muitos anos. Abriu a janela do quarto e ao sol fez reverência. Colocou a água do café para ferver enquanto tomava banho. Recebeu os filhos, parentes e amigos não para chorar o vazio do seu peito, mas para certificar aos que a amam que a vida continua por mais dias das mães e dos pais que o calendário possa oferecer. 
 - Bendita sejas tu, Terezinha, mãe de Maria e de todos aqueles que de ti nasceram, como eu.

VIVENDO O PESADELO.


      Aquela era a terceira vez que o garçom cobrava o pedido a quem tinha os olhos e a atenção direcionados à segunda fileira de mesas aonde um casal chegava para jantar.
      Fez o pedido e tomou de um só gole,  o aperitivo.

      O casal em resposta não desgrudava o olhar. Era como se eles se conhecessem, mas não recordassem de onde. 
      Leonardo devolveu o sorriso e aceitou o convite para sentar com eles.
- Eu me chamo Guilherme e esta é Márcia, minha mulher. 
      Os três pediram vinho branco e lagosta à Belle Munier, para o jantar.    Na saída entenderam que esticar a noite seria a melhor pedida.  Márcia sugeria uma boate e Leonardo teve o voto vencido ao tentar dissuadi-los da ideia por estar desacompanhado.  Comeram e beberam, porém Leonardo, dos três foi o que mais bebeu.  Revezando entre os dois, Márcia dançou até alta madrugada. Leonardo sentiu o golpe da bebida e a doçura com que era tratado,  mas fingiu tão bem estar embriagado que foi levado para o apartamento dos novos amigos antes que agarrasse e beijasse novamente a mulher na frente do marido. Lá descansaria o necessário para voltar a sua casa de onde recordaria aquela noite ou curtiria outros programas em tão boa companhia. Foi colocado em um dos quartos, mas não sem antes ser levado ao chuveiro para uma ducha fria. Vestiu o short que lhe deram e se jogou na cama para dormir o sono dos pretensiosos.  
O casal revezava na vigília, mas no plantão da Márcia quase tudo aconteceu. Leonardo deixou que suas vergonhas fugissem perna do short afora ao se mexer enquanto “dormia”.  Na certeza de que a moça via o que acontecia ele se excitou a ponto de Márcia precisar cobri-lo com um lençol  de modo que o marido não visse o que a enfeitiçava.  Aquilo pulsava forte ondulando o lençol branco de seda pura enquanto a moça, em febre alta, deixou-se cair numa poltrona a sua frente.  Abriu a camisola  e num ritmo alucinado massageou a confluência das próprias coxas criando em cada movimento a sensação vertiginosa do desmaio. Levantou o lençol sem medo e viu de perto o causador de tanto desespero. Tocou-o levemente para, nervosa, envolvê-lo em sua boca acordando aquele que "dormia".  Por baixo do lençol tudo aconteceu, mas não antes de Guilherme abrir a porta  e ver o subjugado da mulher. Pálido e sem forças para brigar ou mesmo participar o marido entregou-se ao pranto.   Chorou e soluçou  tão alto que acordou Márcia, com o seu próprio pesadelo.   


                                                                                                                                 (Foto da Internet)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

COM A BOCA CHEIA DÁGUA.


      
        A chave do 302 estava com a vizinha do apartamento ao lado para alugar. César, no entanto, não tinha o perfil do inquilino pretendido. Era alto, magro e educado. O tecido e o corte da sua roupa eram a garantia de um bom salário, mas era solteiro e isso feria as normas do condomínio. O caimento do paletó permitia perceber que por baixo da gravata francesa, cuja camisa sob medida escondia, existia um peito largo e aconchegante.  Dar a chave para que o belo tipo sozinho pudesse ver o apartamento descobrindo por si mesmo os pontos positivos e negativos do imóvel, seria um desperdício. Jamais um dos condôminos permitiria que um rapaz alugasse um dos apartamentos numa ala tão familiar como aquela e Celinha, inclusive, era casada, mas a bela imagem a sua frente cegava-lhe os olhos e a razão. Um cinto de couro alemão separava a camisa das calças que não escondia um, possível, defeito em uma das pernas. César, no entanto, percebeu que ela não tirava os olhos de sua cintura. Em momento algum a moça avisou-lhe das normas para o aluguel e sem necessidade alguma o levou para o apartamento pretendido.  César aproveitou para elogiar os olhos da moça, que corou ao notar que o defeito crescia a cada palavra que ela ouvia. Disse-lhe que seriam bons amigos além de vizinhos e a ela entregou um cartão de visita para uma eventualidade. Celinha se deixou acompanhar até a porta de onde viu sua mão ser levada aos lábios do rapaz que a beijou. César avisou que em dois dias ela seria procurada pela transportadora com a mudança. Estática, Celinha viu o carro sumir na primeira esquina e só então olhou o cartão.   César era advogado de uma conceituada estatal o que a fez corar, de novo.
Os dois dias demoravam a passar. Talvez o ano anterior tivesse passado mais rápido que os dias que a separavam da despedia ao retorno do rapaz, agora, como vizinho e amigo. Celinha não dormiu pensando no que viu, sentiu e achava que aconteceria dali pra frente.
A campainha tocou e Celinha abriu a porta do 302 aos homens que transportavam os móveis mais bonitos que já vira. Pareciam novos de tão bem cuidados. Ela mesma indicava o lugar de cada peça e no final do dia a casa estava montada e bonita. Foi pra casa e depois do banho rejeitou o convite para jantar com as amigas alegando que sem o marido, que viajara, não pretendia sair. Já eram dez horas da noite quando ouviu a mais linda melodia. Era a campainha da porta avisando a chegada de César. Nervosa se deixou beijar no rosto como velhos amigos depois seguiram para o apartamento recém alugado. O jovem ficou encantado com o trabalho da amiga e resolveu convidá-la para um drinque. Quando a moça se deu conta já era de madrugada. Os dois estavam felizes. Ele com a nova amizade e ela com o seu próprio atrevimento e coragem. César quis um banho, mas precisava que ela dissesse aonde guardara as suas roupas.  No quarto ela tirou de uma gaveta a bermuda que mais gostou. Do cabide uma camisa polo enquanto ele a beijava levemente o rosto antes de seguir para o banho.
Exagerado, pensava ela. Era muito grande aquilo que deformava as roupas do rapaz. César saiu do banho e notou que ela não tirava os olhos do que mais chamava a sua atenção. Foi então que ele voltou ao quarto para pegar alguma coisa que comprara para ela, mas ao voltar notou que tinha ido embora. Não satisfeito, César foi a sua procura. Bateu uma, duas, três vezes de leve, para não acordar os que dormiam, mas ela não atendeu. Moveu a maçaneta e sentiu que a porta estava aberta. Entrou e ouviu caindo a água do chuveiro. Foi na ponta do pé querendo assustar a moça que estava nua se banhando. Desta vez foi ele quem corou. Tirou a roupa e entrou no boxe. Celma não se assustou, até pelo contrário. Tão logo ele a envolveu nos seus fortes braços ela se deixou cair ajoelhada para tomar em sua boca tudo o que deformava a roupa do rapaz.  Ela ajoelhada como uma fiel aos pés do santo, não ditava uma só palavra. Olhos fechados orava aos deuses que a permitiam, mesmo que só por uma noite, rezar em casa pelos seus pecados, os mais deliciosos de todos e se o inferno fosse o preço, ela arderia nas chamas para pagar, como ardendo em febre estava naquele instante.

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

À FLOR DA PELE.

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             Foi no momento que  Richard viu a encantadora Amy, que ele se  apaixonou.  Ele tinha 25 anos, ela não mais que 16.  Enquanto o rapaz evitava furtivos namoros,  ela, espevitada, namorava qualquer um.  A primeira oportunidade para Richard declarar o seu amor foi no elevador do prédio onde moravam.  Richard falou do que sentia  e a pediu em namoro, mas  Amy, escorregadia, mudou de assunto e sempre que possível fugia de suas investidas. Dizia-se muito jovem para tamanha responsabilidade e curtir a noite com amigos era o que a fascinava.  Enquanto o rapaz trabalhava e estudava, a moça se divertia com  rapazes. Vivia a maior parte do dia pendurada na Internet, quando não era no celular que passava as horas livres.  Muitas vezes Richard  chegava  da faculdade enquanto Amy saía para as noitadas das quais voltava, somente, na manhã do dia seguinte, sempre acompanhada por  um parente ou amigo, como dizia, mas o cabelo molhado denunciava  a sua ida ao motel. Essa certeza machucava Richard e quanto mais a moça aprontava, mais o jovem  se apaixonava. Amy era italiana da Sardenha. Filha de brasileira casada com cônsul italiano,  muito viajada. Amigas, teve poucas. Namorados, muitos. Tinha vez que Amy era vista saindo com vários homens na mesma noite o que transformava seu porte de menina num histórico de mulher vivida. Certa vez Richard a interpelou na garagem do condomínio. Falou do seu amor e sem que se desse conta uma lágrima escorreu-lhe na face comovendo a moça que não tendo como fugir desabou em confissão. Disse que não gostava do que fazia, mas não sabendo como frear os próprios desejos entregava-se ao primeiro que aparecia.  Tinha momento que o corpo dava sinal de fadiga, mas uma força estranha a conduzia  aos caprichos da carne. Tudo o que a cercava tinha cheiro de desejo e sexo, até nos sonhos o seu nome era pecado.  Tinha vez que a relação com vários homens a maltratava tanto que ao voltar à casa estava extenuada, machucada, mas não saciada.  Não existia nada que Richard pudesse fazer para impedi-la de se jogar nos braços dos amantes cujo número era cada vez maior. Antes de beijar a face de Richard e se despedir, Amy se deixou ficar abraçada enquanto chorando jurou seu amor por ele e em soluços garantiu que só fugia por achar que ele não merecia  tão pesada cruz.
    Aquela afirmação encheu  Richard de esperança e na primeira oportunidade se atirou de joelhos e a pediu em casamento. Disse a ela que não sairia do seu lado e isso tiraria dela o desejo por outros homens. A moça aceitou, mas nada mudou. Eles saíam juntos pela manhã. Ele para o trabalho e ela para o pecado costumeiro. Essa atitude matava as esperanças de felicidade do casal. Richard sabia que rapazes frequentavam a casa em sua ausência, mas nada podia fazer a não ser rezar ou perdê-la. Uma luz, porém, iluminou uma grande, talvez a única oportunidade. Um psicólogo! Isso. Um tratamento talvez fosse o melhor remédio para salvar aquela relação e ambos se dignaram consultar Armando, professor de psicologia da USP, com pós graduação, mestrado e doutorado na matéria. Nas primeiras consultas Armando se viu assediado e até perturbado com a beleza da paciente, mas respeitou a ética. Durante os primeiros meses foi difícil evitá-la, mas com o passar do tempo, tudo se resolveu. Num certo dia o consultório foi preparado com música ambiente enquanto flores silvestres se espalhavam por cada canto. Na chegada à terapia, Amy  percebeu que o ambiente estava fora dos costumes, principalmente na hora da despedida quando Armando lhe entregou uma rosa amarela e um convite para jantar, o que Amy, meio sem jeito, recusou. O profissional deu-lhe um beijo na face e através de um telefonema ficou sabendo que o comportamento da moça mudara nesses dois anos, principalmente nos últimos seis meses o que garantiu a sua alta e a certeza da felicidade futura, do casal.