terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

NÃO SE DESPREZA UMA BOA LEITURA.

Precisa-se de um colunista que se comprometa  postar textos, nunca repetidos, em dias da semana previamente estabelecido. Pede-se, no entanto, que o assunto seja do gosto popular ou domínio público. O dia escolhido ou oferecido será de sua inteira responsabilidade, para o qual encarecemos o máximo de cuidado com as palavras usadas. Caso um convidado poste na mesma página e dia, o seu artigo só entrará depois de confirmação do titular.
Assim foi o convite que eu recebi de um blog conceituado. Aceitei depois de algumas negativas e lá me vi gritando prosa e muitas vezes dizendo versos por muito tempo. Ali eu disse da minha vida, mesmo que por metáfora, assim como contei histórias verídicas e mentirosas. Falei das minhas aventuras, dos meus fracassos e dos meus atrevimentos. Confidenciei os meus erros e os meus poucos acertos até que o cansaço curvou a minha paciência. Estou propenso a deixar tal página para alegria dos que, talvez com muito jeito, tenham conseguido do caseiro o privilégio de contradizer os meus argumentos postando acima dos meus. Aproveito para dizer que eu conheço os meus recursos como não me é desconhecido saber que poucos ali gostam da minha franqueza.  É, portanto, embasado nesta certeza que eu abro mão do dia escolhido e vou cantar noutro terreiro.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A VERDADE DE VINÍCIUS.

"O homem que diz ser, não é. Porque quem é mesmo, não diz. Aquele que diz, vou, não vai. Porque quando foi já não quis. Assim falava a canção". 
Recordo esta passagem do cancioneiro para dizer que  sou de todos os que existem por aí o mais interessado em se fazer entender com  meias  palavras.  Talvez por falta de jeito com as letras ou por ignorância velada. Tem vez que me digo ser um mal jogador, e sou mesmo. Um articulador de meia tigela, isso com certeza eu sou, mas um falso palhaço, aí eu tenho as minhas dúvidas.  E se alguém me perguntar o por quê da necessidade de escrever essas coisas, de colocar para o público do qual não conheço o nome  ou o endereço, todas as minhas fraquezas e verdades, eu lhe responderia que sou um cara que fala com jeito e cuidado para não confundir o que eu sou com o que acham que pareço. Para não subestimar os que se sentem inferiores e para não engrandecer os que gigantes se entendem. Arrepia-me a ideia de que pensem que eu sou o super-homem e com isso me joguem do alto de um prédio para voar em círculo encantando a criançada, ou em mim atirem pedras por acharem que não passo de um cão vadio. 
Falo por metáforas, sim. Gaguejo algumas vezes o mesmo verbo para que não confundam o que eu digo com o que acham que falei.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

DE TANTO AMOR.

Eu já vi gente chorar por amar demais. Já vi quem deixou de lado a família, os estudos e o trabalho para se dedicar única e exclusivamente aos animais; por amor.  Já vi quem abrisse mão da vida boa que levava. Abandonasse o seu quarto com tudo do bom e do melhor, assim como deixou seus pais, a fortuna a que tinha direito e foi morar com os pobres, vagabundos. Por amá-los. 
Eu já vi gente adoecer e ser levado ao óbito. Por amor. 
Já vi alguém sofrer a dor da morte nas mãos de malfeitores por defender um mendigo que apanhava, simplesmente por amá-lo. Hoje eu concluo que a família de quem sou amigo é mais minha amiga do que eu imaginava.  Uma família de ideias e idade maduras que sabe o que  pensa e o que quer. Gente que sofreu para criar e desviar os filhos dos caminhos fáceis e perigosos. Pessoas capazes de distinguir a verdade da pegadinha. De encontrar o bom entre os maus e de rezar por quem não acredita em Deus.  Uma família que discute e briga entre si buscando melhorar. Uma família que Jesus abençoou por ter na sua formação pessoas condescendentes. 
Isso é amor.
Com base no que aqui foi dito, eu vi, vejo e verei sempre que os meus olhos me permitirem, pessoas cantando versos, dizendo prosa e até sofrendo enclausuradas em si. Por amar o seu próximo e a natureza.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SE PARTIR É PRECISO. QUE FIQUE O SEU CANTO.

silvioafonso

Wando se foi, como um passarinho. Que estava preso na gaiola e ganhou a imensidão, para nunca mais voltar. Apenas fica o seu canto, e um coração que não bate mais.
.................................................................................(Rádio Tupi)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

NO CONTRAPÉ.

Tem vez que eu acordo com o pé trocado e falar com alguém naquele momento, não é a minha proposta e se eu levanto é de má vontade para fazer o xixi que a minha bexiga exige, mas volto pra cama para olhar o teto, mesmo sem vê-lo.  Até tento olhar  dentro de mim, como se isso fosse possível, querendo viajar nos meus próprios pensamentos. Nesses momentos eu queria poder sair do meu corpo e como uma alma penada vagar pelos caminhos dos corações desconhecidos.  Passar por eles sem questioná-los, sem pedidos ou promessas. Passar de passagem para lavar ou purificar a minha alma com tais passeios e tais segredos descobertos.  Eu queria, pelo que podem ver,  buscar motivos para melhorar a minha vida.  Para fazer dela algo proveitoso, útil para mim e para os que comigo vivem, mas calado não se chega à Roma. De boca fechada não se engole mosquito, mas também não se aporta em lugar algum. O diálogo é imprescindível.  É perguntando que chegamos às respostas. É conversando que se é admirado e não é vaiando que indignados nos mostramos. É preciso falar olhando no olho para acertar no coração. Um médico pode salvar muitas vidas, mas também pode perder a mulher querida com o seu silêncio. Um engenheiro consegue petróleo a quilômetros no fundo do mar, mas talvez não consiga resgatar o filho das mãos do traficante com igual facilidade. Tudo por falta de diálogo. Falta de tempo para brincar, para sorrir e saber dos  arranhões na perna do seu ente mais querido. Procurar saber o por que de suas lágrimas escondidas, da sua coragem e dos seus medos.  Todos estamos pendurados numa falsa baiana e atravessar o desfiladeiro por ela  sem cair não é privilégio de qualquer um. Só quem discute informação pode conseguir.
Agora vocês me dão licença, já que vou comprar flores pro meu bem.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CHUVAS DE VERÃO...






(Clique sobre a foto)
                                           
Seria muito simples escolher o fato e a foto, selecionar, copiar e colar no meu blog como postagem do dia. Mas qual nada. Prefiro esquecer o computador e abrir a janela do meu quarto para, sobre as casas e o vale com suas árvores floridas anunciando o fruto, deitar a languidez do meu olhar. Prefiro avistar o horizonte que a cada modo de ser visto, se pinta de um novo colorido. Hoje a cor escolhida é a  cinza. Um cinza forte esmorecendo rumo à cidade. Um cinza de chuva, de água molhando a terra, enfraquecendo o barro, ameaçando as casas e tirando o sono de quem já não consegue mais dormir. Só assim, com estes pensamentos virando cambalhota em minha cabeça eu volto à pequena tela para escrever o que eu acabo de dizer. O verão é a estação do sol forte na praia. Cerveja gelada no quiosque da orla e picolé de tapioca para lembrar da Kelly. É a estação das bikes nas ciclovias e fora delas, é ventilador a todo pano secando o suor da turma no colchão e chuva todos os dias no alto da serra. 
Pois, é. Parece difícil facilitar as coisas, mas tem gente que nem pensar, pensa. Só para dificultar achando que isso valoriza o que os outros vão achar.